domingo, 13 de maio de 2007

Cartolas, torcida e oposição tentam explicar jejum

http://www.ecbahia.com.br/imprensa/plantao.asp?nid=13900

12/05/2007 - 16h36, Nelson Barros Neto

Salvador - Por que o Bahia não conquista nenhum título há tanto tempo?

Paulo Maracajá, conselheiro e “eterno” presidente: "Acho que todas as pessoas que estiveram na direção do clube de lá para cá se esforçaram para ganhar. Infelizmente, por diversos motivos, não conseguiram. Esse ano mesmo Arturzinho fez o que era possível, mas o Vitória foi melhor, mereceu. E ainda teve mais sorte. O pênalti de Márcio Carioca contra a gente entrou. O de Renna contra eles, não. Não é todo jogo que a mística do Bahia funciona".

Petrônio Barradas, atual presidente do clube: "Quando o Bahia entra numa competição, entra para vencer, mas infelizmente futebol não é ciência exata. A gente armou uma boa equipe, mas nem sempre as mais qualificadas ganham. Faz parte do futebol. Clubes como o São Paulo mesmo, já ficaram quantos anos sem ganhar título? Às vezes, as pessoas se esquecem, mas quando fui diretor de futebol o clube teve ótimas temporadas em 2001 e 2002".

Binha de São Caetano, torcedor símbolo: "Rapaz, na minha observação, o que está acontecendo é uma série de fatores negativos. A torcida nunca abandonou o Bahia, mas criticar o dirigente é facil, dificil é ajudar. Todos nós torcedores temos que nos associar e pagar em dia. Nesse momento difícil, é fácil achar um bode expiatório. Se os 400 conselheiros dessem mil reais por mês, o clube não teria problema financeiro nenhum. Mas a maioria só quer criticar, aí não dá".

Fátima dos Santos, líder da torcida organizada Fiel: "Acho que os problemas financeiros contribuem, mas essas campanhas tipo Devolva Meu Bahia, movimentos da oposição, atrapalharam. A direção que entrou não tem culpa de nada. O trabalho que Petrônio tá fazendo agora é muito bem feito. Arturzinho pegou o Bahia morto e chegou às quartas da Copa do Brasil. Perdemos o titulo estadual por causa do Ba-Vi de 6 a 5".

Bobô, ídolo; ex-atleta, técnico e dirigente, hoje na Sudesb: "A minha opinião não mudou. Um jejum desse, para um clube como o Bahia, é porque tem que ser revisto tudo dentro do clube. É questão de visão. O futebol mudou, evoluiu. Falo isso como um torcedor, e não como membro do governo. O Bahia corre o risco de chegar à condição que o Corinthians chegou, 17 anos sem títulos. Eu vejo o Bahia como o Vitória do passado, que contratava 50 jogadores por temporada. Falta gestão".

Fernando Jorge, candidato da oposição na última eleição: "Falta planejamento, administração, competência... aliada até hoje a uma falta de sorte, porque esse grupo que taí é muito pesado... Eles vão perder tudo. O Vitória hoje é o Bahia de ontem. Paulo Carneiro, queira ou não, investiu na base, modernizou o clube, no marketing, etc. No Bahia, é “o que ocorrer”. Ruy Accioly e Petrônio estão sendo usados por Maracajá e Marcelo Guimarães. O tamanho do presidente é o tamanho do time".

Nestor Mendes Jr., jornalista, escritor e opositor: "É incompetência pura. Enquanto essa diretoria estiver aí, esse grupo de Maracajá, o Bahia não vai para lugar nenhum. Eles vivem em função do jogo seguinte, sem planejamento. Cada vez mais o Bahia é um timinho, pensa de forma medíocre. O Bahia não perdeu o título hoje, perdeu três anos atrás, quando deixou de fazer coisas que fizeram a diferença no futuro. O Bahia é tão bagunçado que se Índio viesse, não faria o mesmo sucesso".

Ivan Carvalho, presidente da Associação Bahia Livre: "Isso já vem de mais tempo. São os últimos dez anos. Culpa de um descaso administrativo, da ditadura que se implantou dentro do clube, que continua com os mesmos métodos arcaicos da década de 60. É Falta de profissionalismo. Quando falo de ditadura, falo de eleição. O futebol evoluiu e o Bahia ficou parado no tempo. É preciso de uma renovação do seu pessoal e de um choque de gestão."

Matéria publicada originalmente, por esse mesmo autor, na edição deste sábado 12/05/2007 do suplemento A Tarde Esporte Clube

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