segunda-feira, 23 de julho de 2007

Torcedor reprova ingressos e alimentação no Pan, diz pesquisa

http://jbonline.terra.com.br/extra/2007/07/23/e230711388.html

REUTERS

RIO - O torcedor que acompanha os Jogos Pan-Americanos no Rio está satisfeito com a segurança e com o trabalho dos voluntários, mas reprova o serviço de alimentação, o sistema de ingressos e a sinalização externa dos estádios.
As queixas e elogios dos torcedores estão em pesquisa, ainda em andamento, do Instituto Virtual de Esporte, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), à qual a Reuters teve acesso.
Os problemas com ingressos causaram os piores transtornos aos torcedores, que chegaram a ficar mais de 45 minutos fora do Maracanã tentando trocar vouchers comprados pela internet para assistir a jogos de futebol.
De acordo com a pesquisa, os torcedores ficaram insatisfeitos com vários aspectos relativos aos ingressos. A troca de vouchers foi lenta, as bilheterias congestionaram e o sistema de venda e impressão dos bilhetes caiu no momento da compra.
Os torcedores questionaram também a divisão dos espaços nos estádios.
- As áreas centrais são as mais caras, mas tanto faz se o lugar é embaixo, bem próximo aos campos e quadras, ou lá em cima. Os torcedores dizem que não pagaram 120 reais para ficarem colados no teto - diz o pesquisador Martin Curi.
Segundo ele, alguns torcedores contaram que compraram ingressos para o Maracanãzinho e o assento que lhes era destinado estava ocupado por plataformas armadas para câmeras de televisão.

MONOPÓLIO DA ALIMENTAÇÃO

O monopólio de uma empresa no serviço de alimentação tem merecido muitas queixas dos torcedores até agora.
- Os torcedores reclamam da pouca variedade, dos preços -- a pipoca custa 5 reais -- e das filas para comprar - conta Martin.
Em relação à sinalização externa, os torcedores reclamam que faltam indicações, o que tem originado caminhadas desnecessárias e filas imensas.
- No Maracanã, por exemplo, o torcedor entra pelo estádio Célio de Barros (de atletismo), mas não tem como saber disso - constata o pesquisador.
Um dos principais elementos de consideração com o público, o guia do torcedor, só ficou pronto três dias depois da abertura e foi mal distribuído.
- O guia é ótimo. Tem todas as informações necessárias. Seria bom se fosse entregue ao torcedor junto com os ingressos - sugere Martin.
As instalações construídas e montadas para o Pan foram elogiadas pelos torcedores, com destaque para o Engenhão, a Arena multiuso e o Parque Aquático Maria Lenk.
- Tem papel toalha em qualquer banheiro, o que é impressionante considerando a quantidade de gente - destaca o pesquisador.
O único senão entre os estádios foi o de beisebol, armado temporariamente na Cidade do Rock.
- O público era 50 por cento formado pela colônia japonesa que veio de São Paulo e ficou muito insatisfeita - conta Martin.
- Não teve placar, não tinha proteção para sol e chuva e a alimentação foi particularmente crítica, pois o jogo é longo e as famílias se reúnem como num piquenique.

SEGURANÇA MODERNA

Um dos pontos altos do Pan na visão dos torcedores é a questão da segurança, que, segundo Martin Curi, usa conceitos modernos de 'low profile policing' e 'crowd management' para apoiar os torcedores e não enfrentá-los.
- A polícia só fica fora dos estádios e bem discreta. Dentro, só ficam seguranças civis, com camisas dos Jogos, que são muito menos agressivos. As pessoas elogiam o comportamento da polícia, que está ajudando e não reprimindo.
O torcedor do Pan também está muito feliz com os voluntários, que estão presente em grande número em todos os locais e são amigáveis.
- O torcedor precisa e merece serviço. Sempre que recebe informação, fica satisfeito. Os voluntários estão fazendo isso. Com certeza vão ganhar nota muito boa - diz o pesquisador.
Martin espera que sua pesquisa seja aproveitada para a realização de outros eventos esportivos de massa, como a Copa do Mundo de futebol em 2014, a Olimpíada de 2016, e até mesmo para o Campeonato Brasileiro, embora se mostre discrente em relação aos 'cartolas' do futebol.
- Quando fui fazer a mesma pesquisa na Copa da Alemanha, eu a ofereci para a Confederação Brasileira de Futebol, e lá me responderam que eles cuidam de time de futebol e não de torcedor.

http://br.today.reuters.com/news/newsArticle.aspx?type=sportsNews&storyID=2007-07-23T162016Z_01_B876836_RTRIDST_0_ESPORTES-PAN-PESQUISA-TORCEDOR-POL.XML

Um comentário:

Paulo Rená disse...

Excelente, Martin. Pelo visto, sua pesquisa está muito bem encaminhada. Parabéns! Aguardo a oportunidade de formalizarmos aquele artigo. Um abraço.