domingo, 15 de março de 2009

Cadastro de torcedor é a tolice do pacote antiviolência de Lula

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A coluna de Fernando Rodrigues, na Folha de S. Paulo deste sábado, resume bem o equívoco em que deverá se transformar o cadastramento de torcedores proposto pelo governo e seus pares — clique aqui para ler. "Um grande prazer nas manhãs de domingo da minha infância era quando meu pai decidia, de última hora, que iríamos a uma partida de futebol à tarde, no Morumbi".

Tal sensação não era, e não é, exclusividade de Fernando Rodrigues. Ir ao futebol, como ao cinema, teatro, parque, praia, o que for, não pode, jamais, se tornar algo programado como um check-up ou uma visita ao dentista. Por que ir ao futebol é prazeroso para quem gosta. E o que nos proporciona tal sensação não precisa — e muitas vezes não deve — ser agendado.

Ele acrescenta com exatidão: "A ideia é reduzir a criminalidade nos estádios. Mas, em vez de punir os vândalos, o governo socializou o problema. Pessoas de bem terão de se submeter ao incômodo processo de obter uma carteirinha". Realmente, ao tomar tal medida, Lula e seus parceiros resolvem incomodar a todos, à maioria, por causa de alguns (poucos) hooligans. Que não deveriam ser cadastrados, mas fichados quando presos, ora.

Não vejo como discordar, embora considere ótimo que vandalismo de alguma forma vinculado ao futebol seja punido severamente, o que dependerá, também, da polícia e da justiça. E aí residem dúvidas. Temo que a novidade não seja totalmente aplicada na prática. Vamos aguardar, é claro.

E pergunto, de que adianta torcedores cadastrados se num confronto com policiais ninguém é detido? Já não temos, todos, CPF, RG, PIS, carteiras de trabalho, de motorista...

Tomo a liberdade de reproduzir as linhas finais do artigo. Nelas, o autor conclui ao imaginar um estranho diálogo. "Vamos ao futebol hoje?", perguntará um amigo ao outro. E a resposta: "Não dá. Não sou cadastrado no sistema do Lula...". Turistas estrangeiros passeando pelo Rio e interessados em assistir a um Fla-Flu no Maracanã? Sem chances. É o governo querendo resolver um problema e criando um ainda maior. O consolo é saber que nada disso dará certo. Como sempre".

Exato, preciso, cirúrgico. Onde é que eu assino?

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