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sábado, 2 de outubro de 2010

Contra a elitização

FUTEBOL

http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/frontdorio/post.asp?cod_post=328748&ch=n

Marcos Alvito, grande pesquisador e eventual companheiro de peladas, é o autor deste texto. Vale a pena pensar no que ele escreve:

Em defesa de uma arte popular

O bom e velho João Saldanha já chamava o futebol de arte e cultura popular. Todos conhecem e têm experimentado na carne aquilo que os ingleses chamaram de "colonização do futebol pelo capital". A face mais perversa, todavia, ainda está em andamento: a transformação dos estádios de futebol em uma espécie de futebolplex, onde deixam de existir torcedores e passam a existir apenas consumidores. O Flamengo cobrou R$50 por uma arquibancada no jogo contra o Palmeiras. Agora, quando sofrer um gol, ao invés de "Silêncio na Favela", é mais apropriado os adversários gritarem "Silêncio na Vieira Souto".

O Maracanã vai ser reformado pela milésima vez com o nosso dinheiro. Para quê? Diminuir (ainda mais) a sua capacidade, descaracterizando um bem tombado pelo patrimônio cultural e transformando o templo do futebol em um campinho de soçaite. Há jogos começando às 22h no Engenhão, sem nenhum esquema especial de transporte. Futebol virou sobremesa de novela.

A Copa vem aí e os empreiteiros já estão fazendo a festa. O candidato a deputado mais votado no Rio (Romário) faz propaganda com a camisa da seleção. Os velhos dirigentes perpetuam-se nos clubes e federações. Até aí, não disse nada de novo. Mas e nós, torcedores, o que nós vamos fazer além de comprar pay-per-view? Temos que criar uma associação de defesa dos direitos do torcedor (o nome pode ser outro). Utópico? O pessoal do Funk criou a APAFUNK e sem nenhuma verba, não só reverteram a lei que proibia os bailes funk mas conseguiram aprovar outra lei que reconhece o funk como patrimônio cultural.

Temos que exigir respeito, mas não haverá conquistas sem organização e luta. Nesse jogo não adianta só ficar torcendo. Quem vai nessa?

um abraço de torcedor,

Marcos Alvito

P.S: Minha proposta concreta é criar a associação de defesa dos direitos do torcedor. Para isso, gostaria convocar uma reunião em um lugar e horário bem simbólicos: no Bar Dezoito, em frente ao Portão 18 do Maracanã, no outro domingo, 10 de outubro, às 17h.
http://respeitemofutebol.wordpress.com/

quinta-feira, 4 de março de 2010

Torcedor + trouxa = Trouxedor

16/02/2010


http://blogdotorero.blog.uol.com.br/arch2010-02-01_2010-02-28.html

(hoje, excepcionalmente, publico aqui o texto da Folha de S.Paulo)
“Torcedor”, segundo o dicionário Houaiss, significa “Aquele que torce nas competições esportivas”. Já “trouxa” quer dizer “Aquele que é facilmente iludido; tolo”.
Pois bem, creio que precisamos de uma nova palavra: “trouxedor”. Uma mistura de trouxa com torcedor. É isso que nós, aqueles que gostamos de ver uma partida de futebol ao vivo, somos.
Para começar, a ida ao estádio é um suplício. Se você vai de ônibus, fica com inveja das sardinhas. Se vai de carro, tem que deixar algum dinheiro com o flanelinha, o primeiro de vários malandros que você encontrará em seu caminho até o campo. Este personagem não passa de um chantagista. O dinheiro que você lhe paga não é para que ele cuide do seu carro, mas para que não o risque.
Neste domingo fui comprar ingresso no estádio do Pacaembu várias horas antes do jogo, e eles já estavam lá. Para quem não sabe, o Pacaembu tem zona azul, mas mesmo assim havia muitos deles.
Pois bem, depois de você deixar um cartão de zona azul no seu carro e de também pagar o flanelinha, você vai para a fila. Uma grande fila. Os responsáveis sabem que o número de compradores será enorme, mas nem se pensa em colocar mais gente trabalhando, o que pode não ser apenas incompetência, mas conivência com um esquema de corrupção que explicarei logo abaixo.
Depois de esperar quarenta minutos na fila, vi um torcedor sair do guichê dizendo em voz alta: "Cuidado aí, pessoal, eles estão vendendo ingresso de estudante a preço de inteira!"
Logo depois, um fiscal se aproxima da fila e esclarece: "Para o tobogã só há meia entrada. Mas tudo bem, todos poderão comprá-la e só pagarão metade do preço."
Porém, quando chego ao guichê, o bilheteiro, um sujeito usando uma camisa do Santos, diz que a entrada custaria trinta reais. Eu protesto e repito o que o fiscal havia dito. O bilheteiro resmunga e, milagrosamente, a entrada volta a custar R$ 15,00.
É claro que, se você preferir não enfrentar a fila, pode recorrer aos cambistas. Pagará uma “tarifa de conforto” e depois basta torcer para que o bilhete não seja falso. Em resumo, na hora da compra do seu ingresso, você pode escolher o pilantra para o qual vai deixar seu dinheiro.
E é um bom dinheiro, caro trouxedor. O ingresso mais barato custava R$ 30. Se você quiser um lugar melhor, o preço vai para R$ 50 ou R$ 60, mais que o ingresso de cinema mais caro da cidade, o do shopping Cidade Jardim (R$ 46).
Então, depois de pegar uma longa fila para entrar no estádio, você sentará sob o sol, no cimento, e será vítima de outro malandro: o ambulante. Neste caso, nem sei qual é pior, se o clandestino ou o oficial. Este vende seus produtos a preços inacreditáveis (um picolé custa R$ 4,00). Os do clandestino são mais baratos, mas não venha reclamar da qualidade.
Não, você não tem saída, trouxedor. Pois, se não quiser mais ir ao estádio, vai acabar no pay-per-view, que tem preços absurdos.
Ou, pensando melhor, há uma saída. É jamais comprar de cambistas, é fotografar bilheteiros pilantras e colocá-los na internet, é levar seu próprio alimento, é reclamar e dedurar os pilantras.
O torcedor desorganizado tem que se organizar de alguma forma. Senão será para sempre um trouxedor.

Por Torero às 10h36

terça-feira, 2 de março de 2010

Os sem-política

Folha de São Paulo, domingo, 28 de fevereiro de 2010

Transformado em peça na máquina de consumo compulsivo, torcedor é vítima maior da despolitização que atinge a sociedade

LUIZ HENRIQUE DE TOLEDO
ESPECIAL PARA A FOLHA

Assistência" foi um termo muito comum propagado pela imprensa esportiva até os anos 1930, condenando à passividade os torcedores mais populares. Estes se diferenciavam dos sócios, indivíduos notabilizados por laços mais estreitos, inclusive de parentesco, com os integrantes dos clubes.
A inauguração do estádio do Pacaembu, em São Paulo, e a transformação do futebol em evento de massa nos anos 40 redimensionaria os espetáculos futebolísticos e a importância dos torcedores.
Eles passaram a ser motivo de preocupação mais detida de parte dos poderes públicos, da imprensa e daqueles que organizavam os eventos, em virtude da intolerância e das rinhas que, diga-se de passagem, já existiam desde a época do amadorismo anterior aos anos 30. Os jornais não se cansavam de censurar as "desinteligências" frequentes promovidas pelo mau comportamento generalizado.

Faixas e cartazes
Foi nesse momento, então, que surgiram as primeiras organizações uniformizadas, indivíduos que acompanhavam as partidas em bloco, cantando, exibindo faixas e cartazes homenageando jogadores, cronistas esportivos e o próprio poder público.
Reciprocamente, a imprensa esportiva e os dirigentes dos clubes prestigiavam esses uniformizados por acreditarem que formavam um corpo elitizado (entenda-se "civilizado") no meio da massa.
Essa situação foi alterada com o aparecimento das torcidas organizadas, já no final dos anos 60.
Tratava-se de agrupamentos com nítida inspiração popular que se autonomizaram em relação aos interesses mais imediatos dos dirigentes e estabeleceram outros padrões para o ato de torcer.
Os ciclos de violência intensificados nos anos 90 e a ingerência cada vez maior da TV e dos canais pagos repercutiram na necessidade imposta por uma nova conduta torcedora.
Foi nessa conjuntura de políticas de repressão às organizadas que se inventaram os sócios-torcedores -analogia opaca que alude a uma espécie de acionista minoritário do clube- e o torcedor de poltrona, que paga para ver seu time pelo sistema pay-per-view, serviço oferecido pelos canais fechados (elitistas, não?).
Portanto, formas físicas ou simbólicas de violência não constituem um corpo necessariamente estranho dentro desse universo. Dirigentes que motivam os seus publicamente, ainda que de modo figurado, na lógica da contenda tendem cada vez mais a levar o espetáculo sacrificial para dentro da casa de cada torcedor plugado na web.
Há que saber administrar as formas da belicosidade que, de resto, é constitutiva do futebol. Assim como as organizadas não reproduzem toda a extensão do torcer, elas também não contêm todas as variáveis que explicam a violência tomada como linguagem de todos.
Ambientadas e nutridas nas dinâmicas de poder, as organizadas reproduzem os sucessos e fracassos das organizações sociais que conformam o que visualizamos por sociedade.
Nenhum destes aspectos lhes faltam: burocracia, hierarquias, lógicas de distinção, comprometimentos políticos com projetos coletivos próprios ou negociados com outros atores, discurso da parlamentarização das relações e, obviamente, violência instrumental nutrida por masculinidades hegemônicas, homofóbicas, e intolerâncias já esparramadas por toda a sociedade.

Vingança inconclusa
O problema não são as organizações em si. No geral, o comportamento belicoso e intolerante se manifesta de modo mais desgarrado, individualizante e descompromissado com qualquer projeto coletivo, descentralizando práticas e comportamentos que fogem em muito ao controle das elites torcedoras.
Como uma espécie de vingança inconclusa, as mortes se sucedem há décadas em nome de honras difusas em torno da adesão aos clubes. Elas certamente estão relacionadas ao desmonte da dimensão lúdica do jogo e ao esgarçamento da sociabilidade em uma sociedade armada.
Embora as imagens dos últimos acontecimentos mostrem hordas de torcedores se digladiando, não há guerra ali, não há cadeia mecânica de mando e obediência.
Essa é justamente a linguagem desgastada do poder que tem no fantasma da desordem unida a sua face oculta, mas companheira de todas as horas. Das instâncias policiais e judiciais espera-se apuração e indiciamento daqueles indivíduos que estiveram diretamente envolvidos nos confrontos generalizados.
Mas o que esperar daqueles que administram o futebol: os dirigentes de clubes, os políticos e as elites torcedoras? O cerne da questão parece residir na baixa qualidade das relações políticas travadas entre esses agentes. Não bastam reuniões administrativas para resolver a conduta torcedora neste ou naquele jogo em específico. A despolitização de longo prazo que se impinge aos torcedores só faz minar os investimentos coletivos em nome de outras violências instrumentais parciais, inclusive legais.
O desinvestimento orquestrado que se faz na cultura do torcer -transformada em mera coadjuvante da maquinaria do consumo compulsivo- também não colabora para o processo de cidadania esportiva, sobretudo às portas dos megaeventos que se avizinham por aí.

LUIZ HENRIQUE DE TOLEDO é antropólogo e professor na Universidade Federal de São Carlos (SP). É organizador de "Visão de Jogo - Antropologia das Práticas Esportivas" (Terceiro Nome).

Barbárie e cidadania

JOSÉ GERALDO COUTO


Folha de São Paulo, sábado, 27 de fevereiro de 2010

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Não há soluções mágicas para a violência entre as torcidas, mas "civilizar" as organizadas pode ajudar
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TODA VEZ que os confrontos entre torcedores terminam em morte, como ocorreu nesta semana em São Paulo, proliferam as soluções salvadoras.
As mais frequentes são simplistas e inócuas, como a de permitir a entrada no estádio de só uma torcida, a do clube mandante da partida. Ideia antes de tudo burra, porque os combates não costumam ocorrer dentro dos estádios, mas em ruas, praças, estradas, estações de metrô. Com a restrição, prosseguiriam ocorrendo, talvez até mais acirrados.
Pelo mesmo motivo, teria pouco efeito prático a sugestão de fundo elitista (e veladamente racista) de elevar ainda mais o preço dos ingressos, com o intuito de "selecionar" os torcedores. Como se pobre fosse sinônimo de bandido, e da classe média para cima fôssemos todos civilizados.
Uma saída autoritária e igualmente inviável que sempre alguém propõe é a extinção pura e simples das torcidas ditas organizadas. Associações populares, com raízes e tentáculos nos bairros pobres de São Paulo, agremiações como a Gaviões da Fiel, a Mancha Alviverde e a Independente contam com dezenas de milhares de filiados e desenvolvem atividades que transcendem o âmbito do futebol.
Extingui-las sumariamente privaria milhares de jovens de ter, bem ou mal, um esboço de socialização, de sentimento de pertencer a uma coletividade e se identificar com ela, num país em que os laços de organização social são tão frouxos.
O que fazer então? Parto do princípio de que não há soluções mágicas. O Brasil não se civilizará da noite para o dia, não apagará por decreto os desajustes sociais, a ignorância, a cidadania precária. Temos um processo lento e penoso pela frente.
Mas algumas mudanças podem e devem ser implantadas o quanto antes. Por exemplo: é urgente que seja aprovada no Congresso a alteração do Estatuto do Torcedor que, entre outras coisas, responsabiliza civilmente as organizadas pelas ações de seus membros.
Isso é básico. Se um sujeito com uma camisa da Gaviões ou da Mancha agride ou mata alguém, deve ser preso, julgado e punido como qualquer criminoso. Mas, além disso, a entidade a que ele pertence, e em nome da qual diz estar "combatendo", tem que responder à Justiça.
Não é à toa que as organizadas têm feito pressão contra essa mudança na lei. Elas se habituaram, nos últimos anos, a uma situação paradoxal.
De um lado, são estigmatizadas por grande parte da mídia e da opinião pública quase como agremiações criminosas ou milícias paramilitares. Por outro, contam com uma série de privilégios concedidos pelos clubes (ingressos facilitados, ajuda com transporte, participação em reuniões de direção) e até pela PM, que escolta seus membros na entrada ao estádio em dias de jogo.
Hoje em dia é o torcedor comum, não vinculado a nenhuma organizada, que é discriminado, enfrentando dificuldades muito maiores para conseguir ingresso, acesso ao estádio e segurança.
Com mudança na lei e na atitude da Justiça e da polícia, as organizadas terão de se civilizar na marra, incorporando-se à sociedade e deixando de ser as aterrorizantes excrescências em que se transformaram.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

No Anonimato da Multidão - Pesquisa Derruba Mitos Sobre os Componentes de Torcidas Organizadas

Por: Phydia de Athayde
Carta Capital - n.555 - 2009

http://cev.org.br/biblioteca/no-anonimato-multidao-pesquisa-derruba-mitos-sobre-os-componentes-torcidas-organizadas

Marginais. É assim que muita gente enxerga quem participa de torcidas organizadas de futebol, especialmente se no jogo houve alguma briga, tumulto ou morte. É mais fácil imaginar que sejam vândalos, bárbaros, do que se confrontar com uma realidade que pode surpreender: talvez sejam gente comum. É o que constata em trabalho inédito a pesquisadora da Faculdade de Educação Física da Unicamp Heloisa Reis. "Os resultados põem por terra a generalização de que torcedores organizados são vadios."
Para chegar a essa conclusão, a coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas de Futebol fez um perfil minucioso do torcedor organizado. O trabalho, a que CartaCapital teve acesso, será concluído em setembro e pesquisou 813 filiados da maior torcida organizada de cada um dos três principais times da capital paulista (Corinthians, São Paulo e Palmeiras). Além de informar as características sociais, eles opinaram sobre as causas da violência dentro e fora dos estádios. Interessada nesse tema, Heloisa pesquisou apenas o gênero e a faixa etária dos principais algozes e vítimas de atos violentos - homens entre 15 e 25 anos.
Em vez de pobres marginalizados, encontrou rapazes instruídos, de famílias estruturadas. "Os torcedores organizados têm bom nível educacional, moram com os pais e, além disso, têm noção da própria responsabilidade nos acontecimentos violentos", expõe Heloisa. O próximo passo será pesquisar todo o País. Conhecer a fundo o torcedor é, segundo a pesquisadora, indispensável para enfrentar a violência de forma eficaz. "Na Europa, as mudanças partiram desse diagnóstico."
Para o ministro do Esporte, Orlando Silva, os resultados reforçam a convicção de que não faz sentido marginalizar o torcedor organizado. "São grupos legítimos com quem o Estado precisa dialogar cada vez mais", disse à CartaCapital. O ministério financiou o estudo.
Apesar de cores e hinos diferentes, a condição social e as opiniões de palmeirenses, são-paulinos e corintianos são muito parecidas. "As informações se repetem independentemente do time", diz Heloisa. E morre outro clichê: o de que existem torcidas da elite e outras mais carentes.
Aos dados.O torcedor organizado é solteiro (94%) e católico (62%). Vai ao estádio sempre (40%) ou muito frequentemente (45%) - mesmo que a partida seja televisionada. Neste caso, o faz pela emoção do estádio (52%), por amor ao time (30%) e para torcer em grupo (12%). A maioria trabalha (61%) ou estuda (27%), onde 9% não informou a ocupação e 3% está desempregada, menor que a taxa brasileira, de 8,1%. (Clique na tabela acima para ampliá-la)
No entender desse torcedor, há dois principais motivos para a violência. Em primeiro, fatores ligados ao adversário (rivalidade, fanatismo e provocações), com 31,5% das respostas. Em seguida, com 30%, fatores ligados à própria torcida (falta de educação, vir para brigar, estupidez).
Outros 19,5% dos entrevistados creditam a violência a fatores externos (polícia violenta, mídia, desempenho do time, diretoria dos clubes, falta de estrutura e impunidade). Apenas 6% consideram que o consumo de drogas e álcool leva à violência, enquanto 5% a consideram um reflexo da sociedade, dissociado do futebol.
Heloisa vasculhou em detalhes a contribuição dos jornais, rádios e televisão para o problema. Para 47% dos entrevistados, a mídia estimula a violência ao explorá-la (incentivam a rivalidade, provocam torcedores,- buscam ibope). Para 17%, a mídia contribui ao estigmatizar as torcidas (mostra só o lado ruim, chama de vândalos). Uma proporção parecida, 18%, discorda: considera que a mídia incentiva a paz e mostra a realidade. E 14% criticam a manipulação da informação pela imprensa.
Recentemente, o Brasil foi apontado como líder do ranking de mortes ligadas ao futebol pelo sociólogo Mauricio Murad, da Uerj e da Universidade Salgado Oliveira. Ele contabilizou 42 óbitos de torcedores em conflitos dentro ou próximo a estádios de futebol nos últimos dez anos. Em pesquisa semelhante, Heloisa Reis (em parceria com a Universidade de Amsterdã) contabilizou 35 vítimas de homicídio no mesmo período.
Os números não batem por diferenças na metodologia e na data exata da contagem. Mas, ao contrário do colega, Heloisa discorda que o Brasil lidere um ranking. "Afirmar isso é temerário e perigoso. Não há levantamentos mundiais confiáveis e, além disso, uma divulgação desse porte pode maximizar um problema já grave e atrair jovens violentos para o futebol", alerta. Ela diz que a mídia inglesa, ao difundir o vandalismo nos estádios nos anos 1980, só fez aumentar a violência. A tese faz sentido. Tanto que, hoje, na Europa, nem mesmo invasões de campo são mostradas na tevê. Sem repercussão, tendem a diminuir.
Para Murad, mais importante do que constatar a violência é como a sociedade reagirá a ela. E considera exemplar o caso da Argentina. "Basicamente, nos últimos três anos, eles apertaram a legislação, punindo não apenas torcedores como dirigentes (de clube e de torcidas) que incitassem a violência, fizeram campanhas educativas na mídia e controlaram o consumo de álcool."
Essas medidas são inspiradas no que funcionou na Europa (Itália e Inglaterra) para diminuir o problema. A elas deveriam se somar, segundo Heloisa, a melhora na venda de ingressos, ampla divulgação do Estatuto do Torcedor, a atuação do Procon e do MP, um código de ética para a mídia divulgar violência, a mudança do horário das partidas para no máximo 19h30, a criação de comissões estaduais e a retomada da Comissão Nacional de Prevenção da Violência (criada em 2004 e estagnada), além de uma polícia especializada em eventos esportivos. "Isso deveria ser feito antes de 2014, mas não acho que ocorrerá", hesita a professora.
O ministro Orlando Silva se diz ciente da "gravíssima" situação da violência no futebol. Menciona a padronização das normas técnicas dos estádios como um avanço (deve vigorar no Campeonato Brasileiro de 2010) e diz que o Ministério da Justiça começou a treinar policiais militares especialmente para lidar com torcedores. É pouco, tardio, mas um começo.

Endereço: http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=6&i=4627

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Jogos com torcida única são solução? Veja quem defende e quem é contra a ideia

http://esporte.uol.com.br/futebol/violencia-no-futebol/contra.jhtm

Após o confronto entre corintianos e vascaínos, antes da semifinal da Copa do Brasil, que deixou um torcedor morto, os debates em torno da violência relacionada ao futebol voltaram à tona. Uma das vozes mais atuantes nestas discussões é a do promotor Paulo Castilho, do Ministério Público. Foi ele quem sugeriu que uma das soluções para o problema seria a adoção do sistema de torcidas únicas, que vigora na Argentina. Se adotada, a medida faria com que, em clássicos, fosse liberada a venda de ingressos apenas para os torcedores de um dos times.

Como a proposta é polêmica, o UOL Esporte resolveu ouvir dirigentes, jogadores, políticos e, claro, os torcedores. Afinal, a medida ajudaria a minimizar a violência relacionada ao futebol? Deixe a sua opinião.

A FAVOR


“ É uma medida transitória e emergencial para conter esta onda de violência, até conseguirmos estabilizar a situação. ”
Paulo Castilho - promotor do Ministério Público-SP

“ Nos jogos na Ilha do Retiro e nos Aflitos, a única torcida visitante que vai ao estádio é a organizada, e sempre tem confusão. Por isso, sou a favor da torcida única. ”
Irinaldo Pacheco, o Nadinho - diretor-geral da Fanáutico, principal torcida do Náutico



“ É verdade que não faz sentido futebol sem público, mas é hora da torcida única como medida emergencial nas decisões ”
Orlando Silva Jr. - ministro do Esporte

“ Não tenho dúvida que esta experiência dará certo. Teve resultado na Argentina, e acho que é uma medida necessária para acabar com o quadro atual. É inconcebível esta violência que vemos nos estádios. Vou ao estádio para ver futebol, me divertir e hoje me causa medo ir ao estádio com toda esta violência. ”
Chico Sardelli - deputado estadual (PV-SP) e autor do projeto que prevê torcida única em São Paulo



“ Apesar de Minas Gerais não ser o maior exemplo de violência entre torcedores no país, não temos outra opção. ”
Alexandre Kalil - presidente do Atlético-MG

“ Essa é uma forma de a família voltar a assistir ao clássico. Com a torcida dividida, ninguém leva a mulher ou o filho. ”
Eduardo Maluf - diretor de futebol do Cruzeiro



“ Não pode ser definitivo, mas do jeito que as coisas estão, precisa ser adotado no Brasil inteiro, até solucionar o problema. ”
Hortência - ex-jogadora de basquete

“ Não podemos nos esconder atrás da realidade. A gente precisa de educação, que as leis sejam cumpridas e que as pessoas sejam punidas pelo que fazem. Acho que, em um primeiro momento, até seria uma alternativa. Porém, em um país onde o presidente da República não paga pelos erros que comete, se nem ele dá o exemplo, não vai ser o futebol que vai dar. ”
Dorival Júnior - técnico do Vasco



“ Teremos apenas uma grande massa de torcedores se deslocando, o que diminui a chance de encontros pela cidade. ”
Fernando Capez - deputado estadual (PSDB-SP)

“ A adoção da torcida única seria bem melhor, pois não teria tanto torcedor e, em questão de logística, melhoraria muito. ”
Major José Balestiero Filho - comandante do Batalhão de Choque da PM

“ Mais importante do que o sistema é o aumento do rigor nas punições. No entanto, pelo atual momento, é uma prática que pode ser utilizada em partidas de alto risco. Mas tem que ser um paliativo. ”
João Nilson Zunino - presidente do Avaí

CONTRA


“ A sensação de segurança fica maior, e os riscos menores, mas acho que ainda não é o momento. ”
Cel. Marcos Marinho - ex-comandante da PM de SP

“ Essa é uma vitória da violência, já que as torcidas terão de pagar por uma ineficiência do Estado. É muito errado usar a experiência da Argentina como argumento, pois isso é uma afronta ao torcedor. ”
Rafael Scarlatti - diretor da Mancha Alviverde



“ Iremos escamotear o problema, deixar de nos atentar para as causas envolvidas e confessar a impotência das autoridades. ”
Silvio Torres - deputado federal (PSDB-SP)

“ Acredito que iniciativas como a do Governo Federal de identificar os torcedores uniformizados, aliada à efetiva responsabilização criminal são muito mais eficazes. A presença dos fãs empurrando seus clubes é componente fundamental no espetáculo do futebol. ”
Fábio Koff - presidente do Clube dos 13



“ Isso não faz o menor sentido. Vamos continuar discutindo o cadastramento e tentar trazer as organizadas para dentro do clube ”
Roberto Horcades - presidente do Fluminense

“ As torcidas têm de estar devidamente identificadas e acompanhadas. Se alguns elementos participam de atos ilícitos, então essas pessoas devem ser banidas dos estádios. Não pode haver prejuízo para a maioria em função de alguns poucos. ”
Marcelo Campos Pinto - diretor da Globo Esportes



“ As pessoas tem de saber que a "guerra" é só dentro de campo, pela bola, e não com brigas e mortes de torcedores. ”
Ramón - lateral-esquerdo do Vasco

“ Isso é uma forma de segregação que a constituição não permite, além de ser uma declaração da falência do estado para manter a tranquilidade social. Essa é uma briga de gato e rato, mas não será com torcida única que a violência será coibida. Isso tira o direito de um inocente assistir a um jogo, embora ele não tenha agido de forma contrária à lei. ”
Marcílio Krieger - jurista desportivo



“ Acho ridículo, pois as autoridades não podem anular o direito que o torcedor tem de torcer pelo seu time no estádio. ”
João Paulo Aleriche - auditor e torcedor do Corinthians

“ Não estamos tomando uma providencia de caráter definitivo. Precisamos colocar os crimes na lei, para que a pessoa tenha medo de cometê-los. Caso contrário, é uma válvula aberta para a descrença e enfrentamento absoluto, colocando em risco, não só os torcedores, como os próprios policiais. ”
José Reinaldo Guimarães Carneiro - promotor e secretário-executivo do Gaeco

“ Quem quer brigar vai para a 'pista' de todo jeito. A violência em Pernambuco é fora dos estádios, e isso só vai fazer com que as brigas mudem de local. O que é preciso fazer é interditar as vias de acesso aos estádios, em dia de clássicos, e dividi-las entre as torcidas dos dois times. ”
Marcelo Domingues - vice-presidente da Torcida Jovem do Sport

Manifesto contra a decisão de se reservar apenas 10% dos ingressos ao time “visitante” em clássicos no Mineirão

Manifesto contra a decisão de se reservar apenas 10% dos ingressos ao time “visitante” em clássicos no Mineirão

Belo Horizonte, 28 de junho de 2009

http://gefut.wordpress.com/manifesto/

Querem acabar com a violência no futebol. Qualquer dia acabam com o próprio futebol. A bola da vez agora são os clássicos entre Cruzeiro e Atlético disputados no Mineirão. Por meio de um termo de ajustamento de conduta, o Ministério Público Estadual de Minas Gerais determinou que, de agora em diante, nos jogos no Estádio Governador Magalhães Pinto entre os dois gigantes mineiros, os torcedores do time “visitante” terão direito a apenas 10% dos ingressos.

A idéia de confinar a torcida do time “visitante” em um pequeno espaço em clássicos não é nova. Foi adotada, por exemplo, em São Paulo desde o Campeonato Estadual desse ano e, se a intenção era resolver os problemas de segurança, ainda não foi possível concluir se a medida produziu ou não resultados na minimização de situações violentas.

A realidade da cidade de São Paulo é diferente da realidade da maioria das cidades brasileiras: lá há três grandes times, Corinthians, Palmeiras e São Paulo, além do Santos, sediado na cidade praiana de mesmo nome, mas com grande torcida na capital estadual. E cada um dos times tem seu próprio estádio (no caso do Corinthians, o Pacaembu é usado como sua casa, mas na realidade não é de sua propriedade).

Em Minas Gerais não é assim. Há dois grandes: Cruzeiro e Atlético. E apenas um estádio, tido como a casa de ambos: o Mineirão. Não passa pela cabeça de nenhum atleticano ou cruzeirense que um dia seu time entrará em campo no Mineirão como se estivesse jogando fora de casa. Por isso este texto tem colocado time “visitante” entre aspas, porque em Belo Horizonte não existe time “visitante” em clássicos, a não ser no papel. O Mineirão, fundado em 1965, é casa de dois gigantes que se enfrentam periodicamente, mas que no fundo precisam um do outro para sua existência. Quem já foi assistir a um clássico mineiro, sabe do que se fala aqui.

Verdade que às vezes uma pequena parcela dos torcedores extrapola essa tentativa de superação e gera cenas violentas. Mas confinar a torcida do time “visitante” em apenas 10% dos assentos do estádio é no mínimo precipitado. A questão da violência no futebol é muito mais complexa e não é com uma medida simplória como essa que as coisas se resolverão. Há problemas estruturais muito mais graves, mas talvez não haja coragem ou vontade de se lidar com eles.

Quando se fala de futebol e violência no Brasil, coloca-se este esporte como se fosse ele o gerador da violência, quando na realidade não passa de apenas mais uma esfera da sociedade onde a violência cotidiana se expressa. O futebol ao mesmo tempo é influenciado por e influencia a sociedade em que é praticado. Outro ponto importante a se destacar é que o tal termo de ajustamento de conduta que limita os ingressos para o time “visitante” preocupa-se prioritariamente com a segurança dos torcedores dentro do estádio (apesar de limitar também agrupamentos de torcedores fora dele). No entanto, as manchetes de jornais nos últimos anos raramente trazem notícias de brigas entre cruzeirenses e atleticanos dentro do Mineirão; a maior parte das confusões ocorre de fato fora dele, muitas vezes a quilômetros de distância.

Pesquisas conduzidas pelo Grupo de Estudos sobre Futebol e Torcidas (GEFuT), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com torcedores freqüentadores do Mineirão nos anos de 2006 e de 2007 mostraram que a sensação de segurança que eles têm dentro do estádio é muito grande e que o momento de maior insegurança para eles na realidade é a saída do jogo, nas imediações do Mineirão e nas vias de acesso ao estádio. Por que preocupar-se justamente com o local onde os torcedores se sentem mais seguros: dentro do Mineirão? Não seria essa uma forma de camuflar os reais problemas que contribuem para a violência no futebol? Onde vai terminar isso? Primeiro diminuem a carga de ingressos do time “visitante”. Depois vão querer fazer clássicos com apenas uma torcida. Por fim, pode ser que concluam que o melhor mesmo é não ter torcida nos jogos. Não haverá violência. Nem graça.

Qual é a mensagem que estão passando com essa medida? Ao invés de tentarmos aprender a lidar com as diferenças e coexistirmos, o melhor é “exterminar” o outro, eliminar o diferente, não ter que conviver com ele? Como uma cidade que pretende ser a sede de abertura da Copa do Mundo daqui a cinco anos pode dar um exemplo de intolerância tão absurdo? A Copa do Mundo que transmite (ou tenta transmitir) a imagem de povos unidos e em harmonia terá seu pontapé inicial em um estádio que não consegue sequer comportar torcidas de dois times ao mesmo tempo?

O investimento a ser feito é na educação dos torcedores e não em ações coercitivas que acabam por afastá-lo daquilo que lhe é muito caro, estar ao lado do seu time. Quais escolas já levaram seus alunos a refletirem em suas aulas a questão do torcer? Quais os esclarecimentos são dados ao torcedor sobre seus direitos e deveres? Quando os torcedores serão ouvidos para saberem aquilo que desejam e propõem para o futebol?

Diante do exposto somos favoráveis a revogação do Termo de Ajustamento de Conduta no que diz respeito à redução da carga de ingressos aos torcedores visitantes que limita em 10% do total de ingressos à venda e conclamamos a todos a subscreverem nosso manifesto.


Grupo de Estudos sobre Futebol e Torcidas

Universidade Federal de Minas Gerais

http://gefut.wordpress.com/



COMO PARTICIPAR:


assinando nossa petição online endereçada ao Ministério Público Estadual (MG);
participando dos foruns e debates na nossa comunidade online;
compartilhando o manifesto com os amigos e convidando-os à petição online.






VEJA AQUI ALGUMAS DAS MATÉRIAS VEICULADAS:



“Clássico com torcida única” fica “sem graça”, segundo organizadas

MINEIRÃO VAZIO: MP aprova clássicos de uma torcida só

Torcidas organizadas vão assinar Termo de Ajustamento de Conduta em BH

Dirigente diz que “clássico de torcida única” tem caráter experimental

Clássicos terão 90% dos ingressos para mandante

MP e torcidas se reúnem nesta terça-feira

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Nota da Torcida TUF sobre o I Seminário Nacional das Torcidas Organizadas

http://blogpulguinha.blogspot.com/2009_07_05_archive.html#8134085876609974665

Nota da Torcida TUF sobre o I Seminário Nacional das Torcidas Organizadas
1º Seminário Nacional de Torcidas Organizadas

Galera Tricolor, a TUF nos dias 4 e 5 de Julho participou do primeiro Seminário Nacional de Torcidas Organizadas. Várias reuniões com as principais lideranças de torcidas do Brasil, muita coisa foi debatida, vários questionamentos levantados, um momento histórico, que com certeza será um marco no mundo das Organizadas.

De início seria loucura pensar em juntar toda essa gente, muitos pensavam que não seríamos capazes de dialogar como homens, deixando de lado todo tipo de “ódio” e “rivalidade” existentes entre as entidades presentes, o que estava em jogo era um bem maior, a luta permanente pelo nosso jeito de torcer, a valorização da cultura das Torcidas Organizadas brasileiras.

Um dos principais pontos abordados no Seminário foi o projeto de lei que modifica o estatuto do torcedor, no seu artigo 39 onde ele responsabiliza objetivamente as Torcidas Organizadas e seus dirigentes por atos ilícitos cometidos em praças esportivas e no seu trajeto pelos seus associados. Estamos bastante atrasados nessa luta, pois o projeto de lei já foi aprovado na Câmara dos Deputados e está prestes a ser votado no Senado.

Encontramos um quadro realmente preocupante, onde os governantes em vez de pura e simplesmente extinguir com as Organizadas, estão dando bastante corda para nos enforcarmos com os nossos erros, precisamos ter comprometimento com todo esse processo que está por vir, onde a intenção dos homens da lei é varrer do mapa toda nossa historia e cultura de Torcedor Organizado.

Necessitamos de força e de representatividade. Todas as entidades isoladas nada poderão fazer, mas precisamos nos unir nesse momento deixando tudo de lado por uma sobrevida ainda que curta. A intenção é que as Torcidas Organizadas formem Federações Estaduais para que assim possamos criar a Confederação Brasileira das Torcidas Organizadas, entidade essa que terá sim representatividade e força perante nossos Políticos do nosso país.

Não existe mais espaço para tanta violência urbana, sabemos que isso não é exclusividade do futebol, vivemos em um país cheio de injustiças sociais, é necessária uma verdadeira revolução para a mudança deste quadro brasileiro, mas isso não serve de desculpas, nós componentes de Torcida Organizada não podemos fugir de nossa responsabilidade, se o Governo do Brasil não faz a parte dele nós temos que arregaçar as mangas e fazer acontecer, quebrar todos os estigmas, provar para todo um país que um dia pensou que seria impossível nos colocar na mesma mesa, que somos homens e não bichos que precisam ser isolados de todo o resto. Temos uma identidade, toda nossa ideologia, iremos lutar com todas as forças por nossos direitos de Torcedor Organizado.

É preciso o comprometimento de todos nesse processo, pois o fim já bateu na porta das Organizadas, apenas não ouvimos o chamado de toda uma nação.

VAMOS A LUTA, POIS ELA VALE APENA.

Ricardo Fontenelle (MEXICANO)

G.R.E.S. LEÕES DA TUF

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Acho importante os esforços das lideranças, diretorias e associados no apoio ao díalogo amplo para articulações em pról as Torcidas Organizadas de todo Brail.

Esta nota refere-se ao I Seminário Nacional das Torcidas realizado pelo Ministério dos Esportes nos dias 04 e 05 de julho em São Paulo.

Pulguinha
Gaviões da Fiel Torcida

Encontro Nacional das Torcidas Organizadas em SP

DOMINGO, 5 DE JULHO DE 2009

http://blogpulguinha.blogspot.com/2009_07_05_archive.html#2343180972525280505

Este fim de semana, 04 e 05 de julho foi realizado em São Paulo um encontro com as maiores Torcidas Organizadas do estado brasileiro.

Encontro realizado e financiado pelo Ministério dos Esportes. Foi convidado 02 representantes das grandes torcidas do estado de São Paulo e dois de cada demais estados, sendo apenas um bancado pelo Ministério.

A proposta do Ministério conforme a divulgação do evento no site do governo federal seria para debater segurança e qualidade dos serviços nos estádios brasileiros.

Barrado no Baile

Sou liderança dos Gaviões, atuante nas arquibancadas, mas por pertencer ao coletivo da Rua São Jorge fui impedido de diversas formas de participar.

Fui procurado semana passada pelo Marcelo, Presidente da TUP. O chamado do Marcelo foi com intuito de juntos trabalharmos questões envolventes com o processo de prevenção na violência no futebol, projetos em pról das organizadas e a possível volta do MTO para atuar pelas torcidas em algumas pautas de relêvancia para as Organizadas de SP.

Nesta mesma conversa nasceu a idéia de aproveitarmos as presenças das demais organizadas em São Paulo e realizarmos um encontro nosso, sem autoridades, algo alternativo com pautas de maior relevância a nós Torcidas, assim propomos a articular o I Congresso das Torcidas Organizadas que seria na sede da TUP.

Fiquei entusiasmado com a idéia, qualquer progressividade no assunto estou dentro. Mas ciente de algumas preocupações tomei algumas iniciativas. Primeira pessoa que tinha que notificar quanto a proposta feita tinha que ser nosso presidente Pancthinho e depois as diversas lideranças da coletividade da Rua São Jorge. Falei com o Marcelo na sexta feira, pensei muito no fim de semana e segunda já estava nos Gaviões com o presidente. Expliquei toda proposta. A preocupação maior seria minha presença ser relacionada ao Movimento da Rua São Jorge. A idéia foi muito clara, meu envolvimento se daria como representante das Torcidas, sendo os representantes dos Gaviões eles mesmo da diretoria. Segundo o presidente não enxergava problemas.

Depois explanei com a coletividade da Rua São Jorge tendo o entendimento de todos.

Minha idéia mesmo estava na realização da atividade alternativa na TUP. Mas o Marcelo mesmo acreditava que eu deveria ir no evento do Ministério dos Esportes como representante do MTO. Ali sabia que daria poblemas, mas com o apoio do Marcelo e com o alvará que estava acreditando ter de nossa sede, conseguiria passar as barreiras.

Começamos a articular algumas coisas. COnversas com demais torcidas, preparo de documentos, envolvimento de uma equipe capacitade para mediar o evento, enfim, as estruturas necessárias para a realização deste Congresso na TUP.

Para mim, estava tudo certo com as demais torcidas sobre meu envolvimento até porque o próprio Marcelo estava cuidando disso. Marcelo enxergou os desafios. Restrição a minha pessoa devido pertencer a Rua São Jorge. Para mim estava certo, até junto as Torcidas com as maiores restrições, Independente e Jovem do Santos. Mas não, não foi assim. Primeiro porque não ficou claro as estas torcidas paulistas quanto a volta e o porque da volta do MTO. Consegui ainda ressaltar a Mancha através de outros contatos diretos. Mas quanto as possíveis rejeições a minha pessoa o Marcelo trataria.

Mas o preconceito maior foi quando enviei o e-mail para a funcionária do Ministério dos Esportes. Ciente e instruída em barrar membros de nossa coletividade, respondeu-me secamente vetando a inscrição. Enviei novamente e que minha ida ao evento se daria pelo possível retorno do MTO e que tínhamos propostas a serem entregues ao Ministro para debates posteriores e que estes projetos estavam avalizados por algumas torcidas. Mencionei todas as Torcidas no e-mail, todas as que vinha falando dividindo o pacote de ideías. Neste e-mail ao Ministério pedi que quaisquer duvidas me ligasse mas para minha surpresa ela ligou para diversas torcidas expressando minha proibição devido os prazos burocráticos. Fiquei em situação deselegante até.
Nisso Marcelo da TUP recebe a ligação também. Diferente dos demais, brigou pela minha ida, olhou pelo propósito das Organizadas, pois me conhece e sabe de minhas intenções, não olhou com rusgas de vaidade. Marcelo brigou pela minha ida e logo depois recebe ligação de uma das autoridades do evento. A situação é clara, Rua São Jorge não é bem vindo. Marcelo tenta explicar, Pulguinha não esta respondendo pelo Movimento Rua São Jorge, sim pelas propostas que iriamos apresentar. Mas não, sem efeito e nossas questões serão debatidas em bastidores com as autoridades.

As Torcidas mencionadas também não concordaram e assim as idéias que estavámos propondo não encaminhou-se. Quer dizer, algumas tentaram encaminhar.

A proposta que estávamos articulando seria de acompanhar normalmente o evento do ministério e conforme nossa preparação, realizar o I Congresso das Torcidas na sede da TUP. Já tínhamos fechado entre Gaviões, Mancha, TUP, Jovem da Ponte, Cearamor, Jovem Fla, Raça, Fúria e cada qual mencionando as torcidas de suas demais relações de dialogo.

Mas para minha surpresa foi puxado um bate papo alternativo na sede dos Gaviões. Mas sem maiores avanços pelo que entendi.

Minha proposta como evento alternativo era uma coisa preparada coletivamente, várias torcidas envolvidas e teríamos aproveitado o momento.

Tínhamos uma pauta elaborada que seria :

a) Apresentarmos um manifesto a Lei no senado Federal que queremos alteração de dois paragrafos que diz quanto a generalização e de responsabilidade civil das Torcidas nos atos individuais de seus associados, seja nos trajetos ou imediações dos estádios.

A proposta seria apresentar o manifesto, convidar a todas entidades a participar, que cada torcida organizada de cada estado encaminhasse aos senadores de seus respectivos estados e tiraríamos uma comissão para uma audiência com o presidente do senado.

b) Apresentarmos um manifesto referente aos valores dos ingressos e qualidade dos serviços nso estádios brasileiros

Encaminharíamos este manifesto aos Procon de todos os estados, demais órgãos do consumidores, as Federações dos estados brasileiros, e órgãos de inspeções dos estádios brasileiros.

c) Apresentarmos um Manifesto contra a truculência policial nos estádios brasileiros e pedido de criação de uma policia especializada nos estádios de futebol.

Um manifesto contra truculência policial nos estádios brasileiros, hoje em evidência devido alguns fatos lamentaveis, como a morte do torcedor em Goiania com um tiro na cabeça, como a torceora do São Paulo sendo pisada no pescoço no clássico no morumbi, como no mesmo clássico, a barbaridade feita pela policia militar, dentro e fora dos estádios depois do jogo. Recentemente vimos um torcedor do cruzeiro apanhar de costas e parado no parque antartica. Acreditamos na possibilidade da criação de uma policia especializada para os estádios brasileiros, com outros valores e respeitabilidade junto aos torcedores.

d) Apresentação da Federação das Torcidas do Rio de Janeiro

e)Apresentação do Plano de Prevenção e Segurança para o Futebol Brasileiro
Tínhamos a intenção de entregar esta proposta ao Ministro para posterior avaliação.



A proposta parte do acompanhamento das Torcidas Organizadas para suas viagens em jogos em outros estados.

Hoje, quando uma Torcida se organiza para acompanhar seu time em outros estados passa-se por alguns desafios. Saber se terá um esquema de segurança no estádio para a torcida visitante, dúvida de trajeto para respectiva chegada, venda de ingressos, trato policial e o cumprimento dos direitos básicos de local para alimentação e banheiro com condições de uso.

Além dos desafios mencionados, tem as questões da adversidade ou não com a torcida do time adversário. Hoje este aspecto, ainda não bem compreendida pelas autoriaddes ainda pode ser pontos de risco em jogos do campeonato brasileiro e Copa do Brasil.

Estes problemas inter-regionais estão crescendo e em muitos estados sem a ciência das autoridades locais, sem a leitura da adversidade e os potenciais de risco entre torcidas de estados diferentes.

Nossa proposta seria em evitar estes riscos e sanar os desafios mencionados.

Hoje as Torcidas quando viajam o unico procedimento de segurança que podem acionar é entrar em contato com o policiamento responsável pelo jogo. Imaginem as dificuldades existentes.

Nossa proposta é que o Ministério dos Esportes institua uma secretária para centralizar informações, mapear e classificar os potenciais de risco a nível nacional de cada torcida organizada, acompanhar e contribuir entre os contatos entre torcida e polícia militar nos diferentes estados, que seja um ponto de referência e extensão dos planejamentos de segurança para jogos e campeonatos de nível nacional.

Esta secretária seria composta por dois membros indicados pelo Ministério dos Esportes, uma vaga do Ministério da Justiça, duas vagas indicados pelas Torcidas Organizadas, representante dos Direitos Humanos, pesquisadores e especialistas na prevenção a violência no futebol.

E como última proposta, um Plano de Prevenção a violência para o Estado de São Paulo.

Tínhamos propostas e poderíamos sim ter contribuido com o momento. Pior é o preconceito. Como construir o caminho da paz tendo erros grosseiros de descriminação ?

Se estamos tendo restrições junto as demais torcidas, até dentro da nossa própria torcida, procurarei encaminhar nossas propostas por outras vias, expressar através de debates diversos e em nossos veículos de comunicação. Temos propostas e serão ouvidas e chegarão onde devem chegar. Nâo me importa em que nome estará sendo assinada, o que me importa são ve-las sendo trabalhadas pelo bem estar do povo aglotinado no Movimento de Torcida Organizada de todo Brasil.

Pulguinha
liderança, ex-Vice Presidente,
ex - membro do extinto Conselho Deliberativo
Gaviões da Fiel Torcida

Torcidas organizadas não devem ser criminalizadas, diz Orlando Silva

5 de Julho de 2009 - 16h41 - Última modificação em 5 de Julho de 2009 - 16h40

Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/07/05/materia.2009-07-05.7783073254/view


São Paulo - A criminalização das torcidas organizadas não vai acabar com a violência nos estádios de futebol, disse o ministro dos Esportes, Orlando Silva, durante o 1º Seminário Nacional de Torcidas Organizadas, em São Paulo. “Acredito no diálogo para encontrar soluções. O que eu vejo é que muito jovens que não têm outra alternativa de lazer encontram nessas torcidas um canal de expressão. Isso deve ser respeitado e valorizado.”
Segundo o ministro, não é fácil reunir as torcidas, mas o ministério optou por ouvir as opiniões dos torcedores porque considera que o governo tem uma dívida com as torcidas. “O governo conversa muito com os dirigentes dos clubes e menos com as torcidas, que são a expressão da paixão dos clubes pelo futebol. Esta reunião é um meio de criar um canal de diálogo com torcedores e construir ambiente de paz nos estádios”.
Durante o evento, que começou ontem (4) e terminou hoje (5), Orlando Silva enfatizou que é preciso responsabilizar as torcidas e pensar nelas não como o problema, mas como a solução. Para ele, é preciso uma boa articulação com as torcidas para fazer com que o futebol brasileiro cresça. “O futebol se sustenta com recursos de emissoras de televisão, venda de produtos licenciados, transferência de atletas, mas a fonte chave é a bilheteria. Estádios confortáveis e seguros podem ajudar a aumentar a frequência dos torcedores.”
O ministro interino da Justiça, Luiz Barreto, afirmou que foi informado sobre a infiltração de grupos criminosos organizados nas torcidas. Caso isso esteja mesmo ocorrendo, garantiu ele, o ministério agirá com rigor. “Vamos agir de forma dura contra qualquer organização criminosa que tenta pegar um movimento popular legítimo, seja o carnaval ou o futebol, para fazer uma via para praticar suas atividades”.
Barreto defendeu a formação de um grupo de trabalho no Ministério da Justiça e de um comitê nacional com a participação das torcidas organizadas, clubes, governo, órgãos estaduais de segurança pública e Ministério Público. “Juntos vamos poder criar um ambiente não só para melhorar nossos estádios, como também para deixar o Brasil preparado para o mundial, em 2014, para o qual temos que ter muito mais do que novas construções de estádios. Temos que ter uma nova mentalidade que promova a paz.”
O seminário reuniu as principais torcidas dos times das séries A e B do Campeonato Brasileiro para avaliar e discutir temas relacionados à segurança e ao conforto dos torcedores nos estádios de futebol.

1° Seminário das Torcidas Organizadas

01/07/2009 às 14:00h - Ministério do Esporte promove primeiro Encontro Nacional de Torcidas Organizadas


http://portal.esporte.gov.br/ascom/noticia_detalhe.jsp?idnoticia=5615

O Ministério do Esporte reúne as maiores torcidas dos times das séries A e B do Campeonato Brasileiro no I Seminário Nacional de Torcidas Organizadas, nos dias 04 e 05 de julho, no Hotel Braston, em São Paulo. O Seminário vai avaliar e discutir temas relacionados à segurança e ao conforto dos torcedores nos estádios de futebol.

A cerimônia de abertura será realizada amanhã (04/07), às 14h, com as presenças dos ministros do Esporte, Orlando Silva, e da Justiça, Tarso Genro, além do promotor do Ministério Público de São Paulo, Paulo Castilho, e representantes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), da Federação Paulista de Futebol (FPF) e do Conselho Nacional de Procuradores Gerais.


Serviço
Evento: I Seminário Nacional de Torcidas Organizadas.
Local: Hotel Braston, Rua Martins Fontes, 330, Consolação, São Paulo.
Data: 04 e 05 de julho.

Mais informações:
Júlia Garcia - (61) 8471-9503


Ascom-Ministério do Esporte


1° Seminário das Torcidas Organizadas

http://www.bf2brasil.com/forum/showthread.php?t=62120
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Como poucos aqui devem saber pois não foi noticiado nem nada, por que para a imprensa manipuladora e alienadora que temos hoje o que importa quando o assunto é "torcida organizada" é briga. Bom ao assunto, aconteceu em São Paulo nos dias 4 e 5 de julho, o primeiro seminário nacional das torcidas organizadas pela paz no futebol, onde os líderes das principais torcidas do Brasil se reuniram para mostrar que a ideologia é diferente do que a mídia mostra, por que quem frequenta torcida sabe que não é apenas briga, há muitas ações sociais que NUNCA sairam em jornal, nem em jornal de bairro! porém como frequentador de torcida, venho dizer que não são todos que tem as más intenções de brigar, por que o objetivo da torcida é apoiar o time dentro de campo e promover a festa nas arquibandas.
aí segue um vídeo feito num encontro na sede da gaviões da fiel, com os líderes das torcidas presentes, a discussão era sobre a violência e todas as torcidas firmaram um pacto de paz! agora essas coisas que acontecem a mídia nem sequer mostra interesse.

Fotos:

http://www.ultras1992.com/joomla/index.php?option=com_joomgallery&func=viewcategory&catid=53&Itemid=37


http://www.coxanautas.com.br/blogs//manchaverde/?id=692

Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro lançam Federação das Torcidas

SEGUNDA-FEIRA, 6 DE JULHO DE 2009


http://blogpulguinha.blogspot.com/2009_07_05_archive.html#4380288990837452387



As maiores Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro se organizaram e fundaram a Federação das Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro.

A Federação tem o objetivo de representar as Torcidas Organizadas filiadas emFl representações jurídicas, articulações com torcidas dos demais estados, dentre outras atividades.

Atualmente as torcidas participantes são Torcida Jovem do Flamengo, Fúria Jovem do Botafogo, Yong Flu, Ira Jovem, Flamanguaça, tendo demais torcidas em processo de aderência.

Umas das grandes propostas da Federação Carioca é debater uma comissão de Torcidas de todo Brasil e debater os assuntos de relevância e fazer representação quando necessário. Estimular os demais estados a organizar Federações para debater seus assuntos dentro do seus estados e participar dos debates regionais e nacional.

As Torcidas do Estado de São Paulo ensairam algumas conversas sobre uma possível volta do M. T. O - Movimento das Torcidas Organizadas de SP mas sem maiores avanços.

Aplausos para a iniciativa dos companheiros do Rio de Janeiro.

1o. Seminário Nacional de Torcidas Organizadas

O ministro em campanha

http://blogdojuca.blog.uol.com.br/arch2009-06-28_2009-07-04.html

Por mais que negue, o ministro do Esporte será candidato a deputado federal pelo PCdoB-SP nas próximas eleições.
E já está em campanha.
Neste momento, por exemplo, convida para o, pasme, 1o. Seminário Nacional de Torcidas Organizadas, evento de seu ministério.
E não será na Capital Federal, longe de sua pretendida base eleitoral, mas em São Paulo mesmo, num hotel na região central da cidade, no dia 4 de julho.
Para que os "organizados" paulistas possam comparecer em peso e, quem sabe, se transformem em seus cabos eleitorais.
O ministério do Esporte da vez e voz aos principais, não os únicos, responsáveis pela violência nos estádios.
Está de parabéns.

[Eduardo Passos] [www.twitter.com/eduardopassos] [Auckland, Nova Zelandia]
Sinto que que esta figura nefasta nao morreu queimada na entrega de trofeu do paulistao. O que este tal de Orlando "Tapioca" Silva fez para o esporte nacional? Esta estrategia de se eleger com torcida organizada, ate promotor de justica ja teve... Se eles (os "organizados") mostram ignorancia nos estadios, nas urnas a coisa nao poderia ser diferente. Uma vergonha...

02/07/2009 07:55



Comentários:

[incas] [Ribeirão Preto -SP]
Juca, A idéia do seminário partiu das torcidas, mais precisamente dos Gaviões da Fiel, e deveria ser louvada. Sim, apesar dos problemas é uma tentativa de minimizá-los. E juntar esforços para "brigas" produtivas. Você exagerou no preconceito. Dessa maneira qualquer atitude sensata que um político tomar é porque vai que ganhar votos. Falhou feio nessa. Tem mais coisa acontencendo esse final de semana, inclusive uma reunião na TUP entre as torcidas, mais uma vez iniciativa das mesmas. Resolver os problemas implica trabalhar com os atores envolvidos.... Thomas

01/07/2009 09:20
RESPOSTA:
Ótimo, acredito. Que tal, então, fazer o seminário em campo neutro, no Distrito Federal, por exemplo, para evitar óbvias explorações eleitorais do PCdoB que não tem feito outra coisa com o Esporte?





[Carlos Melo] [Pernambuco]
Juca Kfouri, um exemplo do Jornalismo Canalha praticado no Brasil!!!! (tal qual Veja, Folha de SP, Globo...)

01/07/2009 07:13




[antifantauva] [http://arcanjocriouasas.blogspot.com/] [SALVADOR, BAHIA ]
Perdão Juca, mas o comentário é realmente necessário: - tem gente que não se manca mesmo!Sem falar que "o pau pode comer" nessa reunião. Já pensou? Corintianos, sãopaulinos e Palmeirenses reunidos educadamente (os organizados)para discutir...torcidas organizadas?ou seria para repartir as áreas de Sampa e delegar missões, tipo: boca-de-urna?

01/07/2009 00:36




[oliverscarcelli] [Bragança Paulista]
Juca, Todo torcedor organizado é bandido? E todo favelado é traficante? Todo jornalista seria safado? Então calma lá. Ou você faz coro com aqueles que temem qualquer organização popular? Sim, sabemos que há problemas com as organizadas, mas a própria sociologia nos ajuda a entendê-la. Ou não? Tiago Ripa

30/06/2009 23:48




[pmak22] [Hamamatsu, Japão]
"O ministério do Esporte da vez e voz aos principais, não os únicos, responsáveis pela violência nos estádios." Juca, vc então acha que as TOs não merecem sequer direito a voz? A terem uma chance de se expressar, de mostrar que existem pessoas decentes que podem provar que, com políticas para o esporte sérias, as TOs podem se tornar um ótimo instrumento na valorização do esporte nacional? Vc já acompanhou o trabalho de uma grande TO de parte? Quero convidá-lo a refletir sobre a possibilidade de que existem TOs sérias, onde um trabalho bonito e pacífico é desenvolvido para ser executado NOS ESTÁDIOS. Ao invés de simplesmente oprimir e criminalizar torcedores, pela 1a vez vemos um ministro que chamas as TOs para conversar. SRN

30/06/2009 23:13




[Kadu] [sao paulo]
Nossa se for verdade! A capacidade dos nossos políticos me comove, q lixo! na verdade sao inteligentes..... eles pensam sempre em si primeiro!

30/06/2009 22:46




[manxa22] [BH]
Seu comentário foi típico de quem acompanha um jogo no máximo em uma cabine no estádio. Qualquer um que frequente uma arquibancada sabe que as torcidas organizadas não se resumem a essas que vão no jogo pra causar confusão. Na verdade essas são minoria. Faça um exercício qualquer dia desses e, por exemplo, conte o número de faixas de torcidas no estádio. Depois repare em quantas dessas você vê confusão.

30/06/2009 22:26






[Pedro Márcio] [SP]
E esse lixo se elegerá. Alguém duvida?

30/06/2009 21:06




[adriano] [são paulo, sp, brasil]
Juca, você teria defendido tese sobre a possibilidade da mobilização em torno do futebol gerar efitos positivos, ao invés de alienação? Tenho interesse em conhecer o conteúdo. Será que dia 04 não poderia ser um momento auspicioso para isso? Estou tentado a ir lá para tentar expor esse sonho (ou ilusão), se a palavra for aberta, claro.

30/06/2009 20:49




[casa_torta] [Guarulhos, SP]
Normal, estão entre pares. Devem se comunicar muito bem... ehehehe

30/06/2009 19:54




[jmarocha] [Rolândia/PR]
Dessa vez o ministro se superou...

30/06/2009 18:56




[edsleite] [São Paulo]
Vai ser uma pancadaria só ! Aí ele vai abrir a pauta dizendo que não pode ter torcida uniformizada em SP ? É ridiculo, digno de dó !

30/06/2009 18:55




[Vlad] [Salvador, BA]
... Inacreditável. Será que vão fazer a leitura conjunta do Estatuto do Torcedor? Será que vão permitir fotógrafos no local?

30/06/2009 18:23






[Diego] [Juiz de Fora/MG]
Será que vai ter briga entre as "organizadas"? Fernando Capez estará lá?

30/06/2009 17:39






[rvsantos2009] [Rio de Janeiro]
Caro Juca: No domingo no FlaxFlu, 41 mil pagaram prá ver o jogo. A torcida verdadeiramente tricolor esteve no estádio pagando ingressos. A baderneria não foi, já que inteligentemente (acho que poucas vezes) a direção do meu clube tomou vergonha na cara e não distribuiu ingresso gratuito para baderneiro. Se quiserem assistir aos jogos que paguem pra tanto. Será que meu Clube, que há anos vem sendo um péssimo exemplo de administração, contariando, inclusive o louvou de ostentar a Taça Olímpica de 1949, como exemplo de boa administração do desporto, vai nos honrar com esta limpeza ou vai fraquejar mais uma vez? torço para que firmem o propósito de cartigar essa gente baderneira.

30/06/2009 17:19




[oxtol] [São Paulo]
e o meu dinheiro é usado pra bancar bandidos? quero ir pro Paraguai, pelo menos lá não se ouve falar do Ministro de Esportes e nem dos Senadores; lá só há um pequeno aumento da população em decorrência dos religiosos políticos; mas, lá não ROUBAM o meu dinheiro ganho com tanto sacrifício

30/06/2009 17:15

sábado, 13 de junho de 2009

Violência Mancha o Futebol

11/06/2009 - 12h00

Especialistas propõem novas leis, câmeras melhores e até reforma de estádio para coibir violência

UOL, Denise Mirás, Em São Paulo

http://esporte.uol.com.br/futebol/violencia-no-futebol/2009/06/11/ult7499u3.jhtm

Na semana passada, Clayton Ferreira de Souza, 27, morreu após ser espancado durante confronto entre torcedores do Corinthians e do Vasco em São Paulo, na noite do duelo entre as equipes na Copa do Brasil, ampliando a lista de episódios trágicos de violência vinculada ao futebol no país.



Para colaborar com o debate público sobre o tema, o UOL Esporte estreia nesta quinta-feira uma série de reportagens que buscarão apresentar o problema sob diferentes pontos de vista, mostrando sua evolução ao longo dos anos, as ações e planos das autoridades, como outros países agiram e agem para minimizá-lo, entre outros aspectos. Neste primeiro texto, especialistas de diversas áreas apontam soluções e medidas que poderiam frear a violência.



1. Criminalizar ações violentas das torcidas


"Precisamos de ferramentas a mais na Justiça, para que possamos até fechar entidades constituídas, com CNPJ, estatuto, diretoria, se for o caso – para diminuir a sensação de impunidade", diz o coronel Marcos Marinho, hoje chefe de arbitragem da Federação Paulista de Futebol, que comandou o 2º Batalhão de Choque e esteve à frente do trabalho com torcidas entre 1988 e 2005.



Já aprovada pela Câmara, proposta do governo que está no Senado estipula que as ações violentas de torcidas, mesmo que não sejam constituídas legalmente, como pessoa jurídica, passarão a ser criminalizadas. Caso a lei entre em vigor, elas serão responsabilizadas pela ação de associados. Assim, haverá punição da própria torcida, além dos torcedores, individualmente. Passará a ser crime entrar em estádio entoando cantos que incitem violência, participar de tumultos, portar instrumentos para uso de violência no entorno dos estádios e também no caminho de ida e de volta. Além de reclusão, o primário pode ser afastado por três anos dos estádios, mesma penalização para a própria torcida.

2. Câmeras melhores nos estádios


A delegada Margarette Barreto está desde 2004 à frente da Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância), que começou a monitorar as torcidas organizadas que já tinham histórico de violência, com a identificação de presidente e diretores, partindo para os inquéritos policiais por formação de quadrilhas e bandos. Ela cita medidas adotadas na Espanha para pedir que haja investimento para a compra e instalação de câmeras mais potentes nos estádios.



"Na Espanha, as câmeras dão uma visão panorâmica e podem aproximar, com zoom, o rosto de uma única pessoa, com extrema nitidez, de forma que haja facilidade de identificação, que se possa utilizar como prova, sem possibilidade de se contestar. Isso ainda não temos aqui. Lá, as câmeras ficam em uma sala em local que o público as vê, expostas, de forma que se iniba os indivíduos que pensem em alguma ação violenta. Aqui, há gente se drogando, cantando provocações, mas muitos se perdem na multidão."

3. Cadastro de torcedores (com ou sem carteirinha)
O sistema inglês, que cadastrou hooligans e obriga os mais violentos a se apresentar para serem detidos na delegacia durante os jogos ou por 24 horas, além de se impedir que viajem, não poderia ser aplicado aqui, de acordo com a delegada Margarette, por ser anticonstitucional. "Mas estamos fazendo, sim, um cadastro de pessoas com esse perfil – já temos um início, com todos aqueles que se envolveram em ocorrências policiais registradas, que já deram algum problema. Para aprimorar esse cadastro, aguardamos verba do Senasp (a Secretaria Nacional de Segurança Pública)."



Já o promotor Paulo Castilho lamenta que tenha sido retirado do projeto do governo que tramita agora no Senado o cadastramento nacional dos torcedores. "Seria muito benéfico, porque também haveria um cartão para funcionar como um cartão de crédito na compra de ingressos, que passariam a ser virtuais, com identificação na entrada do torcedor, de forma visual – ou mesmo digital. Acabaria com a falsificação e também com os cambistas, evitaria a possibilidade de evasão de rendas. Mas, acima de tudo, haveria controle efetivo, online, dos torcedores. E os bandidos não iriam aos jogos – porque bandido não se cadastra. Não teria como adquirir o ingresso."

4. Identificar os líderes do bando violento


Muita gente, e há muito tempo, estuda comportamento das multidões, relacionado também às torcidas de futebol, como observa o psiquiatra forense Guido Palomba. A psicologia das massas vem ainda do século 19. "Lembramos do indivíduo bom, que é incapaz de cometer barbaridades, mas de repente se deixa levar pelos outros, por exemplo em casos de linchamento. Mas também é preciso ressaltar que se falamos em ‘massa’, existem líderes – que podem já existir ou nascer ali na hora, na situação."



No caso das torcidas violentas do futebol, segue o professor, é fundamental identificar o líder. "É o insuflador, aquele a quem os outros seguem como um estouro de boiada, de maneira não totalmente consciente. É reconhecer esse líder e prender, como criminoso. Porque é um criminoso – agressivo, destrutivo, às vezes beirando o homicida –, do ponto de vista psicológico. Aliás, muitas vezes ele incita e sai, como forma de burlar a lei. Não se expõe, para escapar. É um malandro e um covarde, porque não está à frente."

5. Mudar estádios para isolar torcidas organizadas
Para Eduardo de Castro Mello, arquiteto especialista em construções esportivas desde 1970 e que será o responsável pela construção do estádio de Brasília para a Copa de 2014, é preciso preparar os estádios fisicamente para a separação dos torcedores organizados dos demais.



"Aqueles que participam de torcidas violentas não estão preocupados em assistir aos jogos. Eles querem ser o espetáculo, aparecer. Ficam de pé, não se sentam em cadeiras numeradas, puxam bandeiras por cima dos outros – o que impede a visão de quem está lá para ver o jogo. Não dá certo misturar esses dois tipos de torcedores."



Assim, o arquiteto pensa que seja o caso de se reservar as áreas atrás dos gols, já com assentos retirados, para os torcedores "que querem ser o espetáculo, com bandeiras e coreografias", deixando espaços com visão melhor para torcedores interessados no jogo. "Facilitaria a entrada e saída das torcidas uniformizadas rivais, sob controle da polícia."



Com relação ao entorno dos estádios, onde muitas vezes surgem conflitos, Eduardo de Castro Mello lembra de absurdos como as duas rampas do Morumbi com 15 metros de largura que desembocam em uma calçada de 3. "Como sair de 15 para 3? O Maracanã tem o mesmo problema. A multidão vira um bolo, que se empurra para a rua, ainda mais propensa a brigas. É preciso espaços livres maiores, 12 a 15 metros de largura, para escoamento, para circulação".

6. Multas como punição
A partir da identificação de vândalos, a Espanha agora adota penas pecuniárias, conta a delegada Margarette Barreto, do Decradi. "As torcidas com os mais fanáticos, de camisetas, bandeiras, fica como confinada em uma determinada baia. Se flagrada uma ação violenta de um indivíduo em um jogo, uma bomba por exemplo, o indivíduo leva multa de 3 mil euros (que será tirada de seu salário assim que tiver um registro profissional), assim como a torcida e também o clube. Esse montante é revertido para um fundo de segurança."



7. Mobilização do governo e da sociedade


O promotor Paulo Castilho acredita que a formação de uma Comissão Nacional Anti-Violência, e de comissões estaduais nos mesmos moldes, com representantes das polícias, de juristas e dirigentes. "É preciso que todo mundo se mexa, que o Brasil todo se mexa. Precisamos mudar, inovar, pensar na possibilidade de leis estaduais, por exemplo, pensar na especialização da polícia, em aumentar o raio de ação dos tribunais do Gecrim, hoje limitados apenas ao entorno do estádio e com punições que no geral ficam na prestação de serviços, por causa da legislação falha e das penas brandas."



De toda forma, a delegada lembra que seria preciso uma cobrança de várias frentes. "A sociedade não lembra. Mas além da ação penal, é preciso acionar esses torcedores violentos na área civil. Se o delito é penal, cadeia; se é civil, quebrou, pagou. E ainda é preciso dizer que o nível de exclusão dessas pessoas é alto. E há muitos garotos de classe média, que também extravasam frustrações com a violência.

8. Estado mais presente
Alexandre Luccas, especialista em psicologia social e autor do livro “Futebol e Torcidas: um Estudo Psicanalítico sobre o Vínculo Social”, lembra que muitos dos torcedores violentos são marginalizados pela sociedade, estão na periferia do Estado. “O ‘trecho’ que sobra para participarem muitas vezes é nas torcidas. E também não resolve acabar com elas. Se a Gaviões reúne em sua quadra 4 a 5 mil jovens no fim de semana, e a maioria está lá para se divertir, não para partir para a violência. O que esses jovens irão fazer se não puderem ter esse espaço também? O Estado precisa estar presente nas periferias, com eventos esportivos, com atividades nas praças públicas, na educação... Precisa estar presente em todos esses aspectos, que estão abandonados, com jovens à margem do mundo. Fora a sensação de impunidade, que está no Brasil como um todo.”



Autor dos livros “Torcidas Organizadas do Futebol: Violência e Auto-Afirmação” e “Sociologia da Juventude: Futebol, Paixão, Sonho, Frustração, Violência, o sociólogo Carlos Alberto Máximo Pimenta lembra que “a violência é maior que as torcidas – é uma característica da sociedade contemporânea”. E não há só a violência contra o outro, mas também a de identificação, para o indivíduo se sentir valorizado, como continua o professor.



“O mundo, hoje, mostra uma cultura de força, de se colocar medo no outro. Somos nós e os outros: é para bater nele, se não fizer parte da turma. A sociedade contribui para isso, de todo modo. Por isso, adianta fazer jogo de uma torcida só? Claro que não! Porque as coisas não acontecem só dentro do estádio, mas ao redor dele. É mais uma questão de educação, de oportunidade de trabalho, de valorização da juventude”, continua Carlos Pimenta.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Mortes no futebol dobram, diz estudo

São Paulo, domingo, 07 de junho de 2009

De 1999 a 2008, 42 foram mortos em conflitos dentro e fora de estádios, e violência se acentuou nos últimos dois anos

Para sociólogo, ligações das torcidas com o crime organizado e a expansão da internet colaboraram para aumento de conflitos

SÉRGIO RANGEL
DA SUCURSAL DO RIO

As mortes de torcedores de futebol envolvidos em conflitos a cada ano dobraram no Brasil em 2007 e 2008 em relação aos oito anos anteriores.
O resultado está em uma pesquisa coordenada pelo sociólogo Mauricio Murad, da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e da Universo (Universidade Salgado de Oliveira), um dos pioneiros no estudo da sociologia no futebol.
Para ele, elos com o crime organizado e a internet contribuíram para o recrudescimento da selvageria entre as torcidas.
O trabalho revela que, entre 1999 e 2008, a média foi de 4,2 mortes por ano, em um total de 42. Considerado o período entre 1999 e 2006, foram 28 mortos, média de 3,5 em cada ano.
Quando o intervalo analisado se restringe a 2007 e 2008, o índice salta para 7. Ou seja, nos últimos dois anos, o número médio de mortes foi o dobro dos oito anos anteriores.
O estudo levou em consideração mortes nos estádios, nos arredores das praças esportivas e em confrontos provocados por integrantes de organizadas, mesmo longe dos gramados.
""A pesquisa mostra que a violência entre os torcedores é crescente, preocupante e tem que ser contida", diz Murad.
A pesquisa foi realizada com base em notícias dos principais jornais de cada região do país.
Como o universo analisado foi até 2008, a última morte contabilizada é a do são-paulino Nilton César de Jesus, 26.
Ele foi baleado na nuca por um policial em 7 de dezembro, antes da partida decisiva do Brasileiro entre Goiás e São Paulo, em Brasília. Morreu quatro dias depois no Hospital de Base. O torcedor partiu de São Paulo numa caravana da organizada Dragões da Real.
Portanto a morte do torcedor corintiano na noite da última quarta, em confronto com seguidores do Vasco, não entrou no trabalho acadêmico. Em 2009, em pouco mais de seis meses, já houve três casos de óbitos relacionados ao futebol.
Murad acredita que o aumento das mortes nos estádios tem ligação com o envolvimentos de integrantes de organizadas com o crime organizado e a expansão da internet. No Maracanã, por exemplo, são comuns brigas entre torcedores do mesmo clube por causa da ligação de membros de organizadas com facções criminosas.
Nos últimos anos, dezenas de brigas ainda foram agendadas por sites de relacionamentos.
Numa delas, Germano Soares da Silva, 44, morreu cinco dias depois de ser espancado por integrantes de uniformizadas do Botafogo e Vasco no centro do Rio, após um jogo de basquete, em novembro de 2007. Silva era um dos fundadores da Jovem Fla, uma das organizadas mais violentas da cidade.
""Foi um horror e mostrou a brutalidade das torcidas de futebol, que aproveitaram uma partida de basquete para arrumar briga sem tanta repressão. O conflito foi marcado pela internet, e a polícia não fez nada para conter", afirma Murad.
As cenas de violência assustaram os cariocas, mas ninguém foi preso. Na época, 31 jovens, quase todos de classe média, foram indiciados por formação de quadrilha, homicídios e corrupção de menores.
""A grande questão é conter esses vândalos, que são minorias dentro das organizadas. Para isso, basta ter vontade política e usar com inteligência os órgãos de repressão, prevenção e reeducação", sugere Murad, que acredita que a Copa do Mundo no Brasil em 2014 ajudará no combate à violência.

Túmulo do futebol

XICO SÁ

São Paulo, sexta-feira, 05 de junho de 2009

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De tanto proibir, São Paulo proibiu o torcedor de ir ao estádio, que se tornou uma praça dos vândalos
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AMIGO TORCEDOR , amigo secador, é triste, mas São Paulo, terra de muito samba, choro e rock'n'roll, está virando o túmulo do futebol. Foi a primeira a proibir cerveja, depois proibiu batucada, bandeiras... E, de tanto proibir, fez dos clássicos os incríveis jogos de uma só torcida. Palmas!
O pior: tantas proibições só proibiram a alegria, a prova dos noves do velho Oswald, o maior colunista de esportes da história paulistana (vide o jornal "O Homem do Povo"), e nada de proibir a dita cuja, a violência, essa dama bruta que toca o terror e sempre aparece travestida de velha da foice.
Proibir, aliás, é a única moral dos mandatários dos nossos tempos.
Quem não faz vai lá e proíbe, é bem mais fácil, sempre em nome das melhores das intenções e da cartilha do politicamente correto. Sim, a violência nos estádios e nos arredores não é monopólio de São Paulo, mas aqui o pânico tem sido frequente, como a emboscada, o pavor e a morte na noite gelada de anteontem.
De tanto proibir, proibiram o torcedor de ir a campo. Eles conseguiram. A praça é dos vândalos como o céu é do monóxido de carbono. Resta esperar o fim da novela mais chata do planeta, sentar a bunda no sofazão e ver o jogo pelos olhos das câmeras da TV, que manda nessa joça. Pelo menos uma boa lição disso tudo aprendemos: proibir não é o caminho, não adianta, talvez o segredo esteja no seu contrário. Em liberar geral, como na mais sensata, e ainda utópica, política antidrogas.
Vigiar e punir, essa obsessão barata, nunca foi o truque, só provocou mais desgraças mundo afora.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Discussão sobre organizadas

Discussão sobre organizadas

Martin Curi

Estive também no clássico vovô de ontem, com dois amigos alemães, e parece que tivemos sorte, porque passamos um pouco antes da briga pela rampa da UERJ. Ou seja, não vi os acontecimentos e por isso vou me referir exclusivamente às descrições do Cappelli.

Primeiramente temos que dizer que os acontecimentos são chocantes e tristes. Não quero defender nenhum dos envolvidos. Ao mesmo tempo, acho que precisamos analisar friamente para poder chegar a propostas para a organização do futebol brasileiro como esporte para espectadores. Continuo achando que as propostas que elaborei no artigo na Folha são as melhores e vou usar as descrições do Cappelli para exemplificar isto.

Me parece que a exigência principal do Cappelli é a extinção das torcidas organizadas em favor de um ‘novo’ modelo de torcer representado pela Legião Tricolor no caso do Fluminense, que se diz ‘não organizada’. Existem vários argumentos contra esta extinção das torcidas organizadas:

1. ‘Acabar com algo’ parece coisa de ditadura. A China e a Rússia fazem isso, mas um estado democrático não pode fazer. Por quê? Porque os cidadãos têm que ter o direito de se organizar e associar. Caso contrário, precisamos proibir qualquer clube, associação e coisas equivalentes. Ou seja, significa proibir a associação dos advogados, os partidos políticos, os sindicatos etc. Os sindicatos são talvez o maior exemplo que mostra como é necessário o direito de se organizar. As lutas deles também nem sempre foram tão pacíficas.

2. A proibição de uma organização só se justifica no caso da EVIDÊNCIA de ela ter na sua constituição um elemento criminoso. Isto não é o caso das torcidas organizadas. Todas as torcidas organizadas têm na sua convenção o apoio incondicional e apaixonado ao seu clube e não mencionam a violência. Os envolvidos na situação descrita pelo Cappelli podem ter tido camisas de torcidas organizadas, mas isto não significa que eles estavam representando as torcidas organizadas, nem que eles são membros de uma torcida organizada (a venda destas camisas é livre). Ou seja, eu posso decidir que quero prejudicar a torcida do Flamengo. Vou comprar uma camisa da Raça e vou ao estádio e começo uma briga. Em conseqüência a Raça vai ser extinta? O absurdo é óbvio. Infelizmente a estrutura de torcidas organizadas é muito complexa.

3. Neste momento entra o fator, que eu chamei no meu artigo da Folha de ‘pulverização’. Nos anos 1980 se começou na Alemanha a aumentar a repressão contra as torcidas organizadas (ou fã-clube, que é o termo local). Qual foi a reação? Os membros violentos saíram das torcidas organizadas e começaram a ir sem camisa da torcida ou do clube em grupos menores ou individualmente aos estádios. Isto sim foi o inferno para a polícia, que não sabia mais quem é quem. É interessante de ver, que a Legião Tricolor representa na verdade este fenômeno, porque eles não se percebem como grupo homogêneo. Não existe camisa deles. Eles vão numa forma ‘pulverizada’ ao estádio. Imaginem que acabem com as torcidas organizadas e os indivíduos violentos começem a entrar na Legião Tricolor, que não tem nenhum mecanismo para selecionar seus membros. Vai fazer o que? Proibir a Legião Tricolor, que nem existe, porque não é uma torcida organizada? Este caminho é um beco sem saída. Inclusive existe um grupo parecido com a Legião Tricolor em Porto Alegre chamado A Geral do Grêmio, que foi percebido como alternativa às torcidas organizada e hoje em dia e percebida como o novo grupo violento. Ou seja, precisamos de outras soluções.

4. Finalmente, não considero a Legião Tricolor (e outros como a Urubuzada, Loucos pelo Botafogo, Guerreiros do Almirante, Geral do Grêmio) como não organizada. O que define organização? O registro de sócios? Mas a elaboração de canções, as colocações de faixas, trapos, barras e bandeirinhas não precisam de organização? A Legião Tricolor tem um site muito bem elaborado: http://www.legiaotricolor.com.br/. Organizado é o que então? Claro que estas ações precisam de um mínimo de organização. Não é o termo ‘organizada’ que provoca a violência. Fã-clube, ultras, movimento popular ou associação de amigos do clube XYZ, todos eles podem se tornar violentos. Não estou acusando a Legião Tricolor de nada. Ao contrário: adoro eles. Só quero chamar a atenção para o perigo de ações como ‘acabar’ com algum grupo.

A conclusão é que não podemos perceber estas organizações como algo perigoso, violento, inútil, mas precisamos criar condições de incluir todos no espetáculo futebol, garantir o diálogo e atender as necessidades dos torcedores. Esta é a minha principal exigência: Não excluir (é isso o que significa a exigência de “acabar com eles”), mas finalmente incluir. Este me parece o único caminho. Por isso fiz a proposta no meu artigo de “uma entidade nacional, com pontos de atendimento locais, dotados de assistentes sociais profissionais, que crie um elo entre torcedores e instituições como governo, polícia, federações de esporte e clubes”.

A outra exigência no meu artigo são medidas arquitetônicas no estádio. Não posso relatar todos, mas posso listar algumas, que considero no caso específico do Maracanã importante:

1. Quando se construiu os camarotes VIP no Maracanã se fechou duas rampas. Isso diminuiu muito o escoamento das arquibancadas. O Maracanã não atende bem o fluxo das multidões que se movem dentro dele. Seria fundamental de abrir novamente estas rampas e, além disso, construir novas rampas em cima das rampas do anel inferior para garantir a evacuação rápida em casos de emergência.

2. O Cappelli relata que houve a tentativa da torcida do Fluminense de invadir o espaço da torcida do Botafogo. Bem, é triste, mas inevitável: precisamos de uma maior setorização. É possível construir barreiras arquitetônicas para impedir estas invasões. Além disso a arquibancada precisa de setores menores, dos quais se sabe a capacidade. Por exemplo: digamos no setor A cabem 1.000 pessoas. Então só pode vender mil ingressos para este setor e na entrada do setor precisa ficar alguém que controla, que só os portadores com ingressos escrito ‘setor A’ entrem. A partir daí podemos criar diferentes espaços: alguns para ficar em pé (para atender as necessidades das torcidas organizadas) e outros para ficar sentado (para atender as necessidades dos outros). Entre os setores tem de existir barreiras arquitetônicas. Se não, não funciona.

Outras medidas já estão sendo tomados no Rio: Uma maior segurança na hora da compra do ingresso e na entrada através de grades protetoras e renovação dos banheiros na época do Pan 2007.

A terceira medida que sugiro na Folha é um corpo especializado de agentes de segurança, que não são da polícia, mas em um uniforme leve. Pesquisas mostram, que pessoas reagem numa forma agressiva à estímulos agressivos como uniformes e armas. (O que não significa acabar com a polícia. Ela precisa estar presente, mas um pouco mais escondida). Além disso, é muito melhor ser atendido por pessoas que mostram o caminho e o lugar do que sendo mal tratado por repressores. Aliás, a setorização vai tornar estes ‘Stewards’, como são chamados na Inglaterra, necessários, porque as pessoas vão ter que procurar os seus lugares.

Tenho certeza que com estas medidas poderia se melhorar bastante a segurança nos estádios. Aliás: dentro do Maracanã já não acontece quase nada (ao contrário dos últimos confrontos que aconteceram em São Paulo, onde ainda não houve uma renovação). Os acontecimentos do clássico vovô foram fora do estádio.

Este é um outro problema. Na verdade é um problema que não está ligado nem as torcidas, nem ao futebol e não vai acabar nem com a extinção das torcidas nem do próprio futebol. É um problema brasileiro. Temos os bailes do corredor, onde luta lado A contra B, temos os comandos, temos os pitboys etc e se acabamos com todos eles é possível que os amigos do bairro A lutem contra os amigos do bairro B. A fala do ‘troglodita’ no texto do Cappelli é reveladora, porque mostra que ele sente que tem se defender. Esta é a verdade: o brasileiro não se sente protegido pelo seu estado por sua polícia e acha que precisa se autodefender. Este é um sentimento no Maracanã, em Ipanema e Bangu. Na verdade é necessária uma reforma da sociedade.

As ruas ao redor dos estádios são espaço livre e muito difícil de ser controlados. A extinção das torcidas não vai resolver este problema. Nem um Estatuto do Torcedor, que considera em dias de jogo toda a área de 5 km ao redor dos estádios área em qual a lei está em vigor. Ou seja, por exemplo: O Carlos Silva passa no dia do jogo com a mulher a Rua Francisco Xavier. Esta confessa ter traído ele. Ele enfia a porrada nela. A punição dele vai ser um ano de banimento dos estádios? Não pode ser.

Minha sugestão é que dentro do estádio sejam aplicadas as medidas sugeridas por mim. Fora do estádio temos uma tarefa maior: mudar a sociedade. Sendo que acredito que uma entidade que atende e inclui os torcedores já seria um bom passo para melhorar esta situação.


Esta postagem se refere aos seguintes artigos:
http://torcedoresbrasil.blogspot.com/2009/03/cadastro-de-torcedores-nao-e-solucao.html,

http://saladopano.blogspot.com/2009/03/focinheira-do-parreira-e-guerra-na-uerj.html,

http://www.fimdejogo.com.br/blog/2009/03/28/fluminense-e-botafogo-confusao-lamentavel/,

quarta-feira, 25 de março de 2009

Cadastro de torcedores não é solução

Folha de São Paulo, 25.03.09, p.3

TENDÊNCIAS/DEBATES

MARTIN CURI
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O cadastro de torcedores tende a criminalizar os espectadores e transmite mensagem estigmatizante: esses sujeitos são perigosos
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O GOVERNO brasileiro anunciou recentemente, por meio do ministro do Esporte, Orlando Silva, a alteração do Estatuto do Torcedor. Os pontos centrais são três novas medidas: 1) a exigência de certos laudos de segurança para liberar o uso dos estádios; 2) uma tipificação legal de crimes esportivos; e 3) um cadastro nacional de torcedores. Essas alterações visam garantir um maior nível de segurança nos estádios do Brasil.
A maioria dessas medidas coloca o torcedor como um perigo potencial, que deve ser dominado, em vez de entender um evento de massa como uma ocasião de insegurança, na qual esse espectador deve ser protegido. O cadastro nacional de torcedores tende a criminalizar os espectadores, da mesma maneira como os Jecrims nos estádios (Juizado Especial Criminal), as grades, a vigilância e os circuitos de vídeo. Essas medidas transmitem uma mensagem estigmatizante: esses sujeitos que vão aos estádios são perigosos. Além disso, o cadastro de torcedores invade a privacidade dos indivíduos. Por causa de alguns poucos violentos, todos os espectadores devem sofrer tal exposição?
Enquanto isso, o problema, penso, é outro. Eventos de massa -não só eventos esportivos, mas também de música e religiosos, entre outros- são situações de insegurança latente e requerem medidas especiais. A primeira e mais importante refere-se à arquitetura do local, que deve ser segura, limpa e capaz de acomodar o fluxo das multidões que se formam. Como os incidentes da Fonte Nova (Bahia) e outros mais recentes em São Paulo demonstraram, isso ainda não é assegurado no Brasil.
A segunda medida necessária é um corpo de agentes de segurança qualificados e treinados para a configuração que os grandes eventos apresentam. Com o Gepe (Grupo Especial de Policiamento em Estádios), no Rio de Janeiro, já se tem boas experiências. Mas seria ainda melhor ter agentes civis, em vez de policiais, para diminuir os sinais agressivos ao público. Finalmente, é necessária uma entidade nacional, com pontos de atendimento locais, dotados de assistentes sociais profissionais, que crie um elo entre torcedores e instituições como governo, polícia, federações de esporte e clubes.
Essa entidade deveria atender as necessidades de torcedores, divulgar o conteúdo do Estatuto do Torcedor, que é plenamente desconhecido, e garantir um melhor fluxo de informações aos presentes. A ausência dessa entidade é, a meu ver, a grande lacuna do Estatuto do Torcedor.
Como já disse o major Marcelo Pessoa, ex-comandante do Gepe, é necessário tratar os torcedores com dignidade, pois são cidadãos, também consumidores, e não criminosos que devem ser fichados). Experiências na Europa mostram que o cadastro leva a uma pulverização das torcidas e as torna ainda menos controláveis. Melhor é um atendimento que reconheça as suas necessidades. Por isso a maioria dos países europeus não faz uso de um cadastro nacional e nem este é uma exigência da Fifa, como declarado pelo Ministério do Esporte. É apenas, em vista da experiência europeia, uma medida perdulária e inútil.
Além disso, é preciso ter cuidado para não destruir a rica cultura dos torcedores brasileiros, que transformam os jogos, com suas canções e bandeiras, naqueles espetáculos coloridos e emocionantes aos quais fomos acostumados. Na Inglaterra, onde não há mais torcidas organizadas e todos são obrigados a assistir aos jogos sentados, o relato mais comum é de que não há mais a bela "atmosfera" do futebol, apenas um espetáculo mercantilizado e pasteurizado do ponto de vista dos ditos "torcedores".
Esse não me parece um bom exemplo a ser seguido. Corremos, assim, o risco de produzir os mesmos "estádios-caixões" ingleses, a prosseguir a atual escalada de regularizações, proibições e sistemas de vigilância, em detrimento da democratização do espetáculo esportivo e da oferta das informações fundamentais para que os eventos evoluam de forma segura.

MARTIN CURI é mestre em sociologia pela Universidade de Hagen (Alemanha) e pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre Esporte e Sociedade da UFF (Universidade Federal Fluminense), em Niterói, RJ.

terça-feira, 24 de março de 2009

Uma mini torcida visitante e nova briga: é óbvio que a solução não passa por aí

http://espnbrasil.terra.com.br/maurocezarpereira/post/40506_UMA+MINI+TORCIDA+VISITANTE+E+NOVA+BRIGA+E+OBVIO+QUE+A+SOLUCAO+NAO+PASSA+POR+AI

Depois de São Paulo 1 x 1 Corinthians, no Morumbi, uma grande confusão se formou entre torcedores alvinegros e policiais miliares. Foi o assunto da semana e os palpites infundados voltaram a pipocas, inclusive por parte de "autoridades" que deveriam conhecer melhor o problema e apresentar soluções.

Uma das fórmulas mágicas é acabar com a torcida visitante, medida inócua testada e reprovada na Argentina. Dos que têm a missão de reduzir a violência de alguma forma relacionada com o futebol veio a proposta mirabolante: reduzir ainda mais os torcedores do time que não tem mando de campo.

Os 2,6 mil ingressos destinados aos santistas no clássico do Pacaembu contra o Corinthians e a briga (mais uma) dos visitantes com a PM mostra, escancara, evidencia que não é assim que se resolve o problema. Novas ideias geniais deverão ser apresentadas nos próximos dias.

Longe dos estádios, perto da cidadania

Torcedores envolvidos na confusão após clássico entre Sport e Santa no 1° turno estão participando de atividades educativas em dias de jogos do clube rubro-negro


http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/03/23/esportes9_0.asp

Eles estavam no meio de um grupo de torcedores acusados de se envolver em confusões após o clássico Santa Cruz x Sport, em 8 de fevereiro, pelo Campeonato Pernambucano. Detidos pela Polícia Militar, provavelmente não imaginavam, naquele momento, que a pena aplicada contra eles seria uma atividade educativa, pioneira no estado. Desde a última quarta-feira, 18 de março, 60 pessoas daquele grupo, todos membros da Torcida Jovem do Sport, vão à sede da Secretaria de Defesa Social, em Santo Amaro, para assistir a palestras e exibição de filmes.

Eles vão ao local todas as quartas-feiras à noite e domingos à tarde. Não por acaso, horários em que geralmente há jogos pelo Pernambucano. Durante 90 dias, não poderão ver partidas do time de coração. Estarão ocupados, participando das atividades. Preferiram essa opção a serem denunciados pelo Ministério Público e responderem processo, como vai acontecer com outras 42 pessoas também acusadas de se envolver nos distúrbios, que não compareceram à prestação da pena alternativa.

Nas duas primeiras vezes em que estiveram na sede da SDS, o grupo viu palestras, com a empresa Treinandos, especialista em treinamentos em segurança do trabalho, e com o pesquisador Felipe Moura, que falou sobre a lei 10.671/2003, conhecida como Estatuto do Torcedor. Ontem, assistiram a um filme, À Procura da Felicidade. Uma ficção norte-americana, mas com um conteúdo de paz e motivação em busca da realização de sonhos e objetivos pessoais.

"Vamos ainda realizar atividades bastante diversificadas, com oficinas de expressão corporal, debates abordando problemas sociais como o tabagismo. Eles têm participado bastante, questionando, comentando", conta Sandra França, coordenadora do programa Torcendo pela Paz, responsável pelo projeto com os torcedores, parceria entre a Secretaria Especial de Esportes, do Governo do Estado, e o Juizado do Torcedor.

Os frequentadores do projeto ouvidos pela reportagem concordaram que as atividades estão sendo bem proveitosas. Mas não deixam de questionar a razão de estarem ali."A gente não brigou, estava só passando pela rua. O pessoal do bar é que jogou garrafa na gente e a gente reagiu. Agora que já estamos aqui, vamos ver se aprendemos alguma coisa", disse um deles, que preferiu não se identificar.

Levantamento - Depois de comparecer aos trabalhos educativos durante três meses, o grupo estará liberado. Caso se envolvam em atos ilícitos nos próximos cinco anos, porém, não receberão mais benefício, sendo processados e fichados. "Nosso trabalho é voltado para a conscientização, a não-violência. O objetivo maior é educar", disse Diolinda Brandão, assistente-social do Juizado do Torcedor, que realizou um levantamento sobre o perfil dos torcedores punidos (ver quadro acima).

Saiba mais

Perfil dos torcedores que cumprem pena alternativa na SDS

Idade

18 a 21 anos 39 pessoas 66,1%
22 a 24 anos 16 pessoas 27,1%
Mais de 25 anos 4 pessoas 6,8%

Renda familiar

Até 1 salário 30 pessoas 50,8%
De 1 a 3 salários 6 pessoas 22%
De 2 a 3 pessoas 13 pessoas 10,2%
Acima de 3 salários 10 pessoas 17%

Ocupação

Desempregado 27 pessoas 45,8%
Empregado 15 pessoas 25,4%
Biscateiro 9 pessoas 15,2%
Não informou 8 pessoas 13,6%

Escolaridade

Analfabeto 1 pessoa 1,6%
Ensino fundamental 5 pessoas 8,5%
Ensino médio 23 pessoas 39%
2º grau completo 25 pessoas 42,4%
3º grau 5 pessoas 8,5%