04/03/2010 - 09h01
http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2010/03/04/lei-vai-proibir-palavroes-atos-violentos-e-gestos-obscenos-em-estadios-da-pb.jhtm
Luiz Carlos Lima
Da Folhapress
Em João Pessoa (PB)
Protestos e músicas com palavras de baixo calão são os principais alvos da "Lei Pimenta na Boca"
Xingar o juiz, os bandeirinhas ou o perna-de-pau de um time de futebol está proibido nos estádios da Paraíba. Entrou em vigor nesta quarta-feira a "Lei Pimenta na Boca". Representantes de torcidas organizadas e o promotor Valberto Lira assinaram em João Pessoa um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) que cria essa limitação.
O regulamento proíbe palavrões, atos violentos e gestos obscenos. Não há punição prevista, por enquanto, aos infratores, mas dependendo da gravidade das ofensas o caso poderá parar numa delegacia.
A medida, que tenta pôr fim à violência nos estádios paraibanos, vale para o Estadual e para o Brasileiro da Série C, que tem o Campinense como representante do Estado.
O promotor disse que a medida começará como uma forma de conscientização dos torcedores. "Acreditamos que xingamentos e músicas com palavras de baixo calão incitam a violência", afirmou Lira. "O juiz agora está respaldado pelo TAC para prestar queixa em uma delegacia, por exemplo, caso se sinta ofendido pela torcida", disse Lira.
Policiais militares vão fiscalizar os estádios nos dias de jogo. As músicas com palavras de baixo calão serão as mais visadas nas blitze. Segundo o promotor, denúncias feitas por torcedores ou outras pessoas também serão apuradas.
"O ato obsceno por si só já é crime. Tudo o que ocorrer dentro dos estádios será investigado pelo Ministério Público e, dependendo da gravidade do caso, o infrator poderá até ser punido pelo crime de difamação", afirmou Lira.
Líderes das torcidas locais estão desconfiados. "Não tem como ficar nervoso e não falar um palavrão", disse o diretor da torcida jovem do Botafogo, Marcos Natanael Silva.
Para o presidente da torcida Botapaz, Denay Júnior, a medida não será rigorosa. "Já pensou pegar uma reclusão porque xingou a mãe do juiz?"
Após a assinatura do TAC, as torcidas terão três meses para cadastrar eletronicamente todos os seus membros e encaminhar o cadastro ao clube a que pertencem, à FPF, à Polícia Militar e ao Ministério Público.
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quinta-feira, 4 de março de 2010
Torcedor + trouxa = Trouxedor
16/02/2010
http://blogdotorero.blog.uol.com.br/arch2010-02-01_2010-02-28.html
(hoje, excepcionalmente, publico aqui o texto da Folha de S.Paulo)
“Torcedor”, segundo o dicionário Houaiss, significa “Aquele que torce nas competições esportivas”. Já “trouxa” quer dizer “Aquele que é facilmente iludido; tolo”.
Pois bem, creio que precisamos de uma nova palavra: “trouxedor”. Uma mistura de trouxa com torcedor. É isso que nós, aqueles que gostamos de ver uma partida de futebol ao vivo, somos.
Para começar, a ida ao estádio é um suplício. Se você vai de ônibus, fica com inveja das sardinhas. Se vai de carro, tem que deixar algum dinheiro com o flanelinha, o primeiro de vários malandros que você encontrará em seu caminho até o campo. Este personagem não passa de um chantagista. O dinheiro que você lhe paga não é para que ele cuide do seu carro, mas para que não o risque.
Neste domingo fui comprar ingresso no estádio do Pacaembu várias horas antes do jogo, e eles já estavam lá. Para quem não sabe, o Pacaembu tem zona azul, mas mesmo assim havia muitos deles.
Pois bem, depois de você deixar um cartão de zona azul no seu carro e de também pagar o flanelinha, você vai para a fila. Uma grande fila. Os responsáveis sabem que o número de compradores será enorme, mas nem se pensa em colocar mais gente trabalhando, o que pode não ser apenas incompetência, mas conivência com um esquema de corrupção que explicarei logo abaixo.
Depois de esperar quarenta minutos na fila, vi um torcedor sair do guichê dizendo em voz alta: "Cuidado aí, pessoal, eles estão vendendo ingresso de estudante a preço de inteira!"
Logo depois, um fiscal se aproxima da fila e esclarece: "Para o tobogã só há meia entrada. Mas tudo bem, todos poderão comprá-la e só pagarão metade do preço."
Porém, quando chego ao guichê, o bilheteiro, um sujeito usando uma camisa do Santos, diz que a entrada custaria trinta reais. Eu protesto e repito o que o fiscal havia dito. O bilheteiro resmunga e, milagrosamente, a entrada volta a custar R$ 15,00.
É claro que, se você preferir não enfrentar a fila, pode recorrer aos cambistas. Pagará uma “tarifa de conforto” e depois basta torcer para que o bilhete não seja falso. Em resumo, na hora da compra do seu ingresso, você pode escolher o pilantra para o qual vai deixar seu dinheiro.
E é um bom dinheiro, caro trouxedor. O ingresso mais barato custava R$ 30. Se você quiser um lugar melhor, o preço vai para R$ 50 ou R$ 60, mais que o ingresso de cinema mais caro da cidade, o do shopping Cidade Jardim (R$ 46).
Então, depois de pegar uma longa fila para entrar no estádio, você sentará sob o sol, no cimento, e será vítima de outro malandro: o ambulante. Neste caso, nem sei qual é pior, se o clandestino ou o oficial. Este vende seus produtos a preços inacreditáveis (um picolé custa R$ 4,00). Os do clandestino são mais baratos, mas não venha reclamar da qualidade.
Não, você não tem saída, trouxedor. Pois, se não quiser mais ir ao estádio, vai acabar no pay-per-view, que tem preços absurdos.
Ou, pensando melhor, há uma saída. É jamais comprar de cambistas, é fotografar bilheteiros pilantras e colocá-los na internet, é levar seu próprio alimento, é reclamar e dedurar os pilantras.
O torcedor desorganizado tem que se organizar de alguma forma. Senão será para sempre um trouxedor.
Por Torero às 10h36
http://blogdotorero.blog.uol.com.br/arch2010-02-01_2010-02-28.html
(hoje, excepcionalmente, publico aqui o texto da Folha de S.Paulo)
“Torcedor”, segundo o dicionário Houaiss, significa “Aquele que torce nas competições esportivas”. Já “trouxa” quer dizer “Aquele que é facilmente iludido; tolo”.
Pois bem, creio que precisamos de uma nova palavra: “trouxedor”. Uma mistura de trouxa com torcedor. É isso que nós, aqueles que gostamos de ver uma partida de futebol ao vivo, somos.
Para começar, a ida ao estádio é um suplício. Se você vai de ônibus, fica com inveja das sardinhas. Se vai de carro, tem que deixar algum dinheiro com o flanelinha, o primeiro de vários malandros que você encontrará em seu caminho até o campo. Este personagem não passa de um chantagista. O dinheiro que você lhe paga não é para que ele cuide do seu carro, mas para que não o risque.
Neste domingo fui comprar ingresso no estádio do Pacaembu várias horas antes do jogo, e eles já estavam lá. Para quem não sabe, o Pacaembu tem zona azul, mas mesmo assim havia muitos deles.
Pois bem, depois de você deixar um cartão de zona azul no seu carro e de também pagar o flanelinha, você vai para a fila. Uma grande fila. Os responsáveis sabem que o número de compradores será enorme, mas nem se pensa em colocar mais gente trabalhando, o que pode não ser apenas incompetência, mas conivência com um esquema de corrupção que explicarei logo abaixo.
Depois de esperar quarenta minutos na fila, vi um torcedor sair do guichê dizendo em voz alta: "Cuidado aí, pessoal, eles estão vendendo ingresso de estudante a preço de inteira!"
Logo depois, um fiscal se aproxima da fila e esclarece: "Para o tobogã só há meia entrada. Mas tudo bem, todos poderão comprá-la e só pagarão metade do preço."
Porém, quando chego ao guichê, o bilheteiro, um sujeito usando uma camisa do Santos, diz que a entrada custaria trinta reais. Eu protesto e repito o que o fiscal havia dito. O bilheteiro resmunga e, milagrosamente, a entrada volta a custar R$ 15,00.
É claro que, se você preferir não enfrentar a fila, pode recorrer aos cambistas. Pagará uma “tarifa de conforto” e depois basta torcer para que o bilhete não seja falso. Em resumo, na hora da compra do seu ingresso, você pode escolher o pilantra para o qual vai deixar seu dinheiro.
E é um bom dinheiro, caro trouxedor. O ingresso mais barato custava R$ 30. Se você quiser um lugar melhor, o preço vai para R$ 50 ou R$ 60, mais que o ingresso de cinema mais caro da cidade, o do shopping Cidade Jardim (R$ 46).
Então, depois de pegar uma longa fila para entrar no estádio, você sentará sob o sol, no cimento, e será vítima de outro malandro: o ambulante. Neste caso, nem sei qual é pior, se o clandestino ou o oficial. Este vende seus produtos a preços inacreditáveis (um picolé custa R$ 4,00). Os do clandestino são mais baratos, mas não venha reclamar da qualidade.
Não, você não tem saída, trouxedor. Pois, se não quiser mais ir ao estádio, vai acabar no pay-per-view, que tem preços absurdos.
Ou, pensando melhor, há uma saída. É jamais comprar de cambistas, é fotografar bilheteiros pilantras e colocá-los na internet, é levar seu próprio alimento, é reclamar e dedurar os pilantras.
O torcedor desorganizado tem que se organizar de alguma forma. Senão será para sempre um trouxedor.
Por Torero às 10h36
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terça-feira, 2 de março de 2010
Torcidas-empresas
Folha de São Paulo, domingo, 28 de fevereiro de 2010
Organizadas se converteram em lugares de negócios, valendo-se do marketing e do merchandising para competir com o material dos clubes
BERNARDO BUARQUE DE HOLLANDA
ESPECIAL PARA A FOLHA
Em caravana de apoio ao clube que contagiou o país no final dos anos 1970, o Corinthians Paulista, no seu drama de perseguição por um título depois de quase duas décadas de jejum, os Gaviões da Fiel distribuíam um folheto aos viajantes. O lembrete aos corintianos prescrevia: "Não corra, não mate e não morra".
O prospecto foi na época guardado pelo sociólogo Sérgio Miceli e consta da abertura de um dos primeiros artigos acadêmicos sobre o fenômeno das torcidas organizadas no Brasil. Em 1978, o texto foi publicado pela "Revista de Administração de Empresas", da Fundação Getúlio Vargas (RJ). Passadas mais de três décadas de sua publicação, o lembrete ainda ecoa como advertência, mas muito pouco de sua prudente recomendação parece ser hoje aplicável a determinados setores de torcidas organizadas.
Correr, matar e morrer tornaram-se verbos até certo ponto corriqueiros, atrativas palavras de ordem entre alguns adeptos dessas associações, como se pode observar nos incidentes fatais do último fim de semana, envolvendo torcedores de Palmeiras e São Paulo. As rodovias, as ferrovias ou quaisquer outros meios de acesso aos estádios são agora os locais privilegiados para o enfrentamento desses grupos.
Houve, de fato, uma mudança na dinâmica espacial dos confrontos entre torcidas organizadas. Se, até o final dos anos 80, as torcidas se confrontavam com mais frequência dentro dos estádios, a partir do decênio seguinte, a crescente vigilância em seu interior levou à sistematização das brigas para fora das arenas.
Desde então, a cada ano, o raio de ação da polícia nas imediações do estádio tem se alargado, criando uma espécie de segundo território de conflito. Este se afigura muito mais amplo e menos controlável em relação ao primeiro, o que coloca as forças da ordem diante de uma nova série de desafios a enfrentar.
Agonia
Conforme muitos estudiosos já assinalaram, a violência -bem como a busca por sua sublimação- é um componente agonístico liminar, constitutivo da sociedade e da atividade esportiva. Como tal, essa tensão, quer latente quer manifesta, está presente em um esporte popular como o futebol. No que diz respeito às torcidas organizadas, a especificidade de seus embates físicos é que ela assiste a ciclos violentos, verdadeiras "espirais" que fazem e desfazem vendetas ao sabor das gerações e das lideranças à frente dos grupos, com o efeito alarmante de difundir aquilo que na Europa se chamou de "pânico moral".
A cada nova tragédia, a sociedade é instada a se mobilizar e a expiar os seus "bodes". Quase sempre, a pedra de toque para a solução do problema recai na interdição das torcidas, por meio da simples extinção jurídica ou da proscrição dos "baderneiros".
Como se isso fosse apenas uma questão de norma -e não, principalmente, de costume-, os decretos vêm redundando em sucessivos fracassos.
Por que a situação é tão difícil de ser solucionada? Em parte, porque a aparente barbárie que evoca o comportamento violento das torcidas constitui apenas sua franja superficial.
Quando se discute o problema, pouco se atenta para o fato de que as torcidas organizadas não estão apenas na contramão dos princípios desportivos ou nos antípodas do futebol mercantilizado moderno. De forma homóloga à lógica dos clubes-empresas, as agremiações de torcedores se tornaram elas próprias torcidas-empresas. Orbitam em torno dos clubes -razão de existirem-, mas são também autônomas, com sedes, símbolos, legendas, cânticos e logotipos que traduzem uma identidade à parte.
Seguindo o etos comercial, as torcidas organizadas converteram-se em lugares de negócios, passando a se valer do marketing, do merchandising e da oferta de uma série de produtos ligados a suas grifes. Elas competem, assim, com o material dos clubes e atendem à demanda de seu público consumidor, adolescentes e jovens seduzidos pelo pertencimento a uma coletividade.
A expansão em âmbito nacional das torcidas acarreta ainda o recrutamento de mais simpatizantes, o que leva ao seu alargamento simbólico-territorial, à semiprofissionalização de seus quadros e à formação de uma complexa rede de relações sociais.
Nos primórdios do futebol, dizia-se que a prática esportiva era uma atividade intrinsecamente amadora, razão pela qual o jogador não podia ganhar dinheiro com o jogo.
No Brasil, foi preciso esperar até os anos 1930 para que tal formulação fosse refeita, com a adoção do profissionalismo no futebol e com a transformação do jogador em atleta profissional, capaz de auferir astronômicos salários. Talvez hoje nós estejamos, em meio à globalização do futebol, onde tudo se comercializa e se rentabiliza, assistindo a um debate moral não muito distinto.
Se o torcedor representa a quintessência da paixão futebolística, último bastião de um idealizado "amadorismo", até que ponto estaríamos dispostos a aceitar o fato de que o torcedor organizado pode fazer de sua atividade uma profissão legítima e legalizada?
BERNARDO BUARQUE DE HOLLANDA é pesquisador do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas (RJ).
Organizadas se converteram em lugares de negócios, valendo-se do marketing e do merchandising para competir com o material dos clubes
BERNARDO BUARQUE DE HOLLANDA
ESPECIAL PARA A FOLHA
Em caravana de apoio ao clube que contagiou o país no final dos anos 1970, o Corinthians Paulista, no seu drama de perseguição por um título depois de quase duas décadas de jejum, os Gaviões da Fiel distribuíam um folheto aos viajantes. O lembrete aos corintianos prescrevia: "Não corra, não mate e não morra".
O prospecto foi na época guardado pelo sociólogo Sérgio Miceli e consta da abertura de um dos primeiros artigos acadêmicos sobre o fenômeno das torcidas organizadas no Brasil. Em 1978, o texto foi publicado pela "Revista de Administração de Empresas", da Fundação Getúlio Vargas (RJ). Passadas mais de três décadas de sua publicação, o lembrete ainda ecoa como advertência, mas muito pouco de sua prudente recomendação parece ser hoje aplicável a determinados setores de torcidas organizadas.
Correr, matar e morrer tornaram-se verbos até certo ponto corriqueiros, atrativas palavras de ordem entre alguns adeptos dessas associações, como se pode observar nos incidentes fatais do último fim de semana, envolvendo torcedores de Palmeiras e São Paulo. As rodovias, as ferrovias ou quaisquer outros meios de acesso aos estádios são agora os locais privilegiados para o enfrentamento desses grupos.
Houve, de fato, uma mudança na dinâmica espacial dos confrontos entre torcidas organizadas. Se, até o final dos anos 80, as torcidas se confrontavam com mais frequência dentro dos estádios, a partir do decênio seguinte, a crescente vigilância em seu interior levou à sistematização das brigas para fora das arenas.
Desde então, a cada ano, o raio de ação da polícia nas imediações do estádio tem se alargado, criando uma espécie de segundo território de conflito. Este se afigura muito mais amplo e menos controlável em relação ao primeiro, o que coloca as forças da ordem diante de uma nova série de desafios a enfrentar.
Agonia
Conforme muitos estudiosos já assinalaram, a violência -bem como a busca por sua sublimação- é um componente agonístico liminar, constitutivo da sociedade e da atividade esportiva. Como tal, essa tensão, quer latente quer manifesta, está presente em um esporte popular como o futebol. No que diz respeito às torcidas organizadas, a especificidade de seus embates físicos é que ela assiste a ciclos violentos, verdadeiras "espirais" que fazem e desfazem vendetas ao sabor das gerações e das lideranças à frente dos grupos, com o efeito alarmante de difundir aquilo que na Europa se chamou de "pânico moral".
A cada nova tragédia, a sociedade é instada a se mobilizar e a expiar os seus "bodes". Quase sempre, a pedra de toque para a solução do problema recai na interdição das torcidas, por meio da simples extinção jurídica ou da proscrição dos "baderneiros".
Como se isso fosse apenas uma questão de norma -e não, principalmente, de costume-, os decretos vêm redundando em sucessivos fracassos.
Por que a situação é tão difícil de ser solucionada? Em parte, porque a aparente barbárie que evoca o comportamento violento das torcidas constitui apenas sua franja superficial.
Quando se discute o problema, pouco se atenta para o fato de que as torcidas organizadas não estão apenas na contramão dos princípios desportivos ou nos antípodas do futebol mercantilizado moderno. De forma homóloga à lógica dos clubes-empresas, as agremiações de torcedores se tornaram elas próprias torcidas-empresas. Orbitam em torno dos clubes -razão de existirem-, mas são também autônomas, com sedes, símbolos, legendas, cânticos e logotipos que traduzem uma identidade à parte.
Seguindo o etos comercial, as torcidas organizadas converteram-se em lugares de negócios, passando a se valer do marketing, do merchandising e da oferta de uma série de produtos ligados a suas grifes. Elas competem, assim, com o material dos clubes e atendem à demanda de seu público consumidor, adolescentes e jovens seduzidos pelo pertencimento a uma coletividade.
A expansão em âmbito nacional das torcidas acarreta ainda o recrutamento de mais simpatizantes, o que leva ao seu alargamento simbólico-territorial, à semiprofissionalização de seus quadros e à formação de uma complexa rede de relações sociais.
Nos primórdios do futebol, dizia-se que a prática esportiva era uma atividade intrinsecamente amadora, razão pela qual o jogador não podia ganhar dinheiro com o jogo.
No Brasil, foi preciso esperar até os anos 1930 para que tal formulação fosse refeita, com a adoção do profissionalismo no futebol e com a transformação do jogador em atleta profissional, capaz de auferir astronômicos salários. Talvez hoje nós estejamos, em meio à globalização do futebol, onde tudo se comercializa e se rentabiliza, assistindo a um debate moral não muito distinto.
Se o torcedor representa a quintessência da paixão futebolística, último bastião de um idealizado "amadorismo", até que ponto estaríamos dispostos a aceitar o fato de que o torcedor organizado pode fazer de sua atividade uma profissão legítima e legalizada?
BERNARDO BUARQUE DE HOLLANDA é pesquisador do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas (RJ).
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Os sem-política
Folha de São Paulo, domingo, 28 de fevereiro de 2010
Transformado em peça na máquina de consumo compulsivo, torcedor é vítima maior da despolitização que atinge a sociedade
LUIZ HENRIQUE DE TOLEDO
ESPECIAL PARA A FOLHA
Assistência" foi um termo muito comum propagado pela imprensa esportiva até os anos 1930, condenando à passividade os torcedores mais populares. Estes se diferenciavam dos sócios, indivíduos notabilizados por laços mais estreitos, inclusive de parentesco, com os integrantes dos clubes.
A inauguração do estádio do Pacaembu, em São Paulo, e a transformação do futebol em evento de massa nos anos 40 redimensionaria os espetáculos futebolísticos e a importância dos torcedores.
Eles passaram a ser motivo de preocupação mais detida de parte dos poderes públicos, da imprensa e daqueles que organizavam os eventos, em virtude da intolerância e das rinhas que, diga-se de passagem, já existiam desde a época do amadorismo anterior aos anos 30. Os jornais não se cansavam de censurar as "desinteligências" frequentes promovidas pelo mau comportamento generalizado.
Faixas e cartazes
Foi nesse momento, então, que surgiram as primeiras organizações uniformizadas, indivíduos que acompanhavam as partidas em bloco, cantando, exibindo faixas e cartazes homenageando jogadores, cronistas esportivos e o próprio poder público.
Reciprocamente, a imprensa esportiva e os dirigentes dos clubes prestigiavam esses uniformizados por acreditarem que formavam um corpo elitizado (entenda-se "civilizado") no meio da massa.
Essa situação foi alterada com o aparecimento das torcidas organizadas, já no final dos anos 60.
Tratava-se de agrupamentos com nítida inspiração popular que se autonomizaram em relação aos interesses mais imediatos dos dirigentes e estabeleceram outros padrões para o ato de torcer.
Os ciclos de violência intensificados nos anos 90 e a ingerência cada vez maior da TV e dos canais pagos repercutiram na necessidade imposta por uma nova conduta torcedora.
Foi nessa conjuntura de políticas de repressão às organizadas que se inventaram os sócios-torcedores -analogia opaca que alude a uma espécie de acionista minoritário do clube- e o torcedor de poltrona, que paga para ver seu time pelo sistema pay-per-view, serviço oferecido pelos canais fechados (elitistas, não?).
Portanto, formas físicas ou simbólicas de violência não constituem um corpo necessariamente estranho dentro desse universo. Dirigentes que motivam os seus publicamente, ainda que de modo figurado, na lógica da contenda tendem cada vez mais a levar o espetáculo sacrificial para dentro da casa de cada torcedor plugado na web.
Há que saber administrar as formas da belicosidade que, de resto, é constitutiva do futebol. Assim como as organizadas não reproduzem toda a extensão do torcer, elas também não contêm todas as variáveis que explicam a violência tomada como linguagem de todos.
Ambientadas e nutridas nas dinâmicas de poder, as organizadas reproduzem os sucessos e fracassos das organizações sociais que conformam o que visualizamos por sociedade.
Nenhum destes aspectos lhes faltam: burocracia, hierarquias, lógicas de distinção, comprometimentos políticos com projetos coletivos próprios ou negociados com outros atores, discurso da parlamentarização das relações e, obviamente, violência instrumental nutrida por masculinidades hegemônicas, homofóbicas, e intolerâncias já esparramadas por toda a sociedade.
Vingança inconclusa
O problema não são as organizações em si. No geral, o comportamento belicoso e intolerante se manifesta de modo mais desgarrado, individualizante e descompromissado com qualquer projeto coletivo, descentralizando práticas e comportamentos que fogem em muito ao controle das elites torcedoras.
Como uma espécie de vingança inconclusa, as mortes se sucedem há décadas em nome de honras difusas em torno da adesão aos clubes. Elas certamente estão relacionadas ao desmonte da dimensão lúdica do jogo e ao esgarçamento da sociabilidade em uma sociedade armada.
Embora as imagens dos últimos acontecimentos mostrem hordas de torcedores se digladiando, não há guerra ali, não há cadeia mecânica de mando e obediência.
Essa é justamente a linguagem desgastada do poder que tem no fantasma da desordem unida a sua face oculta, mas companheira de todas as horas. Das instâncias policiais e judiciais espera-se apuração e indiciamento daqueles indivíduos que estiveram diretamente envolvidos nos confrontos generalizados.
Mas o que esperar daqueles que administram o futebol: os dirigentes de clubes, os políticos e as elites torcedoras? O cerne da questão parece residir na baixa qualidade das relações políticas travadas entre esses agentes. Não bastam reuniões administrativas para resolver a conduta torcedora neste ou naquele jogo em específico. A despolitização de longo prazo que se impinge aos torcedores só faz minar os investimentos coletivos em nome de outras violências instrumentais parciais, inclusive legais.
O desinvestimento orquestrado que se faz na cultura do torcer -transformada em mera coadjuvante da maquinaria do consumo compulsivo- também não colabora para o processo de cidadania esportiva, sobretudo às portas dos megaeventos que se avizinham por aí.
LUIZ HENRIQUE DE TOLEDO é antropólogo e professor na Universidade Federal de São Carlos (SP). É organizador de "Visão de Jogo - Antropologia das Práticas Esportivas" (Terceiro Nome).
Transformado em peça na máquina de consumo compulsivo, torcedor é vítima maior da despolitização que atinge a sociedade
LUIZ HENRIQUE DE TOLEDO
ESPECIAL PARA A FOLHA
Assistência" foi um termo muito comum propagado pela imprensa esportiva até os anos 1930, condenando à passividade os torcedores mais populares. Estes se diferenciavam dos sócios, indivíduos notabilizados por laços mais estreitos, inclusive de parentesco, com os integrantes dos clubes.
A inauguração do estádio do Pacaembu, em São Paulo, e a transformação do futebol em evento de massa nos anos 40 redimensionaria os espetáculos futebolísticos e a importância dos torcedores.
Eles passaram a ser motivo de preocupação mais detida de parte dos poderes públicos, da imprensa e daqueles que organizavam os eventos, em virtude da intolerância e das rinhas que, diga-se de passagem, já existiam desde a época do amadorismo anterior aos anos 30. Os jornais não se cansavam de censurar as "desinteligências" frequentes promovidas pelo mau comportamento generalizado.
Faixas e cartazes
Foi nesse momento, então, que surgiram as primeiras organizações uniformizadas, indivíduos que acompanhavam as partidas em bloco, cantando, exibindo faixas e cartazes homenageando jogadores, cronistas esportivos e o próprio poder público.
Reciprocamente, a imprensa esportiva e os dirigentes dos clubes prestigiavam esses uniformizados por acreditarem que formavam um corpo elitizado (entenda-se "civilizado") no meio da massa.
Essa situação foi alterada com o aparecimento das torcidas organizadas, já no final dos anos 60.
Tratava-se de agrupamentos com nítida inspiração popular que se autonomizaram em relação aos interesses mais imediatos dos dirigentes e estabeleceram outros padrões para o ato de torcer.
Os ciclos de violência intensificados nos anos 90 e a ingerência cada vez maior da TV e dos canais pagos repercutiram na necessidade imposta por uma nova conduta torcedora.
Foi nessa conjuntura de políticas de repressão às organizadas que se inventaram os sócios-torcedores -analogia opaca que alude a uma espécie de acionista minoritário do clube- e o torcedor de poltrona, que paga para ver seu time pelo sistema pay-per-view, serviço oferecido pelos canais fechados (elitistas, não?).
Portanto, formas físicas ou simbólicas de violência não constituem um corpo necessariamente estranho dentro desse universo. Dirigentes que motivam os seus publicamente, ainda que de modo figurado, na lógica da contenda tendem cada vez mais a levar o espetáculo sacrificial para dentro da casa de cada torcedor plugado na web.
Há que saber administrar as formas da belicosidade que, de resto, é constitutiva do futebol. Assim como as organizadas não reproduzem toda a extensão do torcer, elas também não contêm todas as variáveis que explicam a violência tomada como linguagem de todos.
Ambientadas e nutridas nas dinâmicas de poder, as organizadas reproduzem os sucessos e fracassos das organizações sociais que conformam o que visualizamos por sociedade.
Nenhum destes aspectos lhes faltam: burocracia, hierarquias, lógicas de distinção, comprometimentos políticos com projetos coletivos próprios ou negociados com outros atores, discurso da parlamentarização das relações e, obviamente, violência instrumental nutrida por masculinidades hegemônicas, homofóbicas, e intolerâncias já esparramadas por toda a sociedade.
Vingança inconclusa
O problema não são as organizações em si. No geral, o comportamento belicoso e intolerante se manifesta de modo mais desgarrado, individualizante e descompromissado com qualquer projeto coletivo, descentralizando práticas e comportamentos que fogem em muito ao controle das elites torcedoras.
Como uma espécie de vingança inconclusa, as mortes se sucedem há décadas em nome de honras difusas em torno da adesão aos clubes. Elas certamente estão relacionadas ao desmonte da dimensão lúdica do jogo e ao esgarçamento da sociabilidade em uma sociedade armada.
Embora as imagens dos últimos acontecimentos mostrem hordas de torcedores se digladiando, não há guerra ali, não há cadeia mecânica de mando e obediência.
Essa é justamente a linguagem desgastada do poder que tem no fantasma da desordem unida a sua face oculta, mas companheira de todas as horas. Das instâncias policiais e judiciais espera-se apuração e indiciamento daqueles indivíduos que estiveram diretamente envolvidos nos confrontos generalizados.
Mas o que esperar daqueles que administram o futebol: os dirigentes de clubes, os políticos e as elites torcedoras? O cerne da questão parece residir na baixa qualidade das relações políticas travadas entre esses agentes. Não bastam reuniões administrativas para resolver a conduta torcedora neste ou naquele jogo em específico. A despolitização de longo prazo que se impinge aos torcedores só faz minar os investimentos coletivos em nome de outras violências instrumentais parciais, inclusive legais.
O desinvestimento orquestrado que se faz na cultura do torcer -transformada em mera coadjuvante da maquinaria do consumo compulsivo- também não colabora para o processo de cidadania esportiva, sobretudo às portas dos megaeventos que se avizinham por aí.
LUIZ HENRIQUE DE TOLEDO é antropólogo e professor na Universidade Federal de São Carlos (SP). É organizador de "Visão de Jogo - Antropologia das Práticas Esportivas" (Terceiro Nome).
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A comunidade moral
Folha de São Paulo, domingo, 28 de fevereiro de 2010
Década de 60 marcou a ascensão das torcidas organizadas, que passaram de coadjuvantes a protagonistas do espetáculo ao adotarem a "metáfora da guerra"
Ricardo Nogueira - 28.jan.10/Folha Imagem
Torcedores são-paulinos durante partida em Barueri (SP)
JOSÉ PAULO FLORENZANO
ESPECIAL PARA A FOLHA
As torcidas organizadas, no Brasil, assim como os agrupamentos ultras, na Itália, começaram a ocupar as arquibancadas e a modificar o clima e a paisagem dos estádios a partir dos últimos anos da década de 1960. Lá, como cá, abandonaram a condição de simples espectadores da partida de futebol para desempenhar o papel de protagonistas do espetáculo que elas próprias criavam e desenvolviam, inspiradas pela "metáfora da guerra", como mostra a perspectiva antropológica de Alessandro Dal Lago.
A violência, no entanto, não se restringia aos limites de uma batalha simbólica, mas se deslocava no espaço, driblava as medidas de repressão e adquiria, ao longo do tempo, forma e intensidade, alcance e significados muito diversos. De fato, como mostram os estudos feitos na Itália, os jovens torcedores logo enveredaram pela estrada do antagonismo violento, militarizaram-se, adotaram a "lógica da guerra".
Isso os levava a planificar com antecedência a escolha do lugar da luta, a calcular o momento certo da ação, a delinear previamente a tática a ser empregada no combate travado cada vez mais fora das praças esportivas.
Ao mesmo tempo, procuraram alcançar um consenso em torno das "regras do jogo" no qual se achavam imersos -isto é, definir as armas, os atores e as circunstâncias do confronto. Uma circular redigida por integrantes do movimento buscava estabelecer os ditames do comportamento ultra: "Não se toca nas mulheres e nos velhos e não se enfrenta quem não tem nada a ver e não tem a possibilidade de se defender".
Visto por esse prisma, o estereótipo da "horda de bárbaros embriagados" transfigurava-se, segundo o sociólogo Antonio Roversi, em uma "comunidade moral". Esta era edificada com base em um repertório próprio de regras, dotado de mecanismos simbólicos de integração dos jovens reunidos na cultura da curva, na qual a violência desfrutava de um lugar privilegiado, mas não se revestia de uma forma caótica nem se desenvolvia de modo aleatório.
Ao contrário, ela se desenrolava no quadro das rivalidades e das alianças tecidas entre os diversos agrupamentos e de acordo com o código de comportamento aceito e partilhado pelos torcedores. A via brasileira apresentava pontos em comum com o percurso italiano, mas também se distinguia pela elaboração de características próprias e traços originais.
Nesse sentido, enquanto o caminho dos ultras atravessava o campo minado do extremismo político (alguns grupos se autodenominavam "brigadas", em alusão ao partido armado identificado pela estrela de cinco pontas), o das organizadas desembocava na República do Futebol, paisagem histórica definida por inúmeras experiências de autonomia -como, por exemplo, o Trem da Alegria, idealizado por Afonsinho, e a Democracia Corintiana, liderada por Sócrates.
Aspectos contraditórios
Essa paisagem histórica, delimitada pelos anos de 1978 a 1984, contemplava ainda a iniciativa do jogador Wladimir de estender às gerais e arquibancadas o processo de mudança deslanchado no Corinthians: "As discussões são abertas aos diretores, aos jogadores, aos sócios e até à torcida". Mas a participação desta última nos anos revolucionários do futebol brasileiro comportava aspectos contraditórios.
De um lado, ela promovia o salto de qualidade no exercício da violência, refletido tanto no conflito entre as organizadas do Santos e da Portuguesa -em 1979, na Taça São Paulo, com um saldo de 15 pessoas feridas- quanto nas brigas ocorridas antes, durante e após o clássico entre Santos e Corinthians, em 1983, com tiros disparados ao redor do estádio e focos de incêndio dentro do Morumbi.
De outro lado, ela reivindicava o direito de participação e o concretizava por meio de várias iniciativas. Entre elas, pode-se destacar, em 1977, o debate sobre a criação de uma Associação das Torcidas Organizadas; em 1978, a greve promovida pela Torcida Uniformizada do Palmeiras contra o desgoverno implantado no clube; em 1981, a crítica da Torcida Jovem do Santos à fórmula esdrúxula do Paulista; e, em 1984, a presença da Gaviões da Fiel nos comícios das Diretas-Já.
Violência e participação se constituem, portanto, nos fatores decisivos do universo das organizadas. Isso significa que, além do combate imprescindível e sem tréguas à impunidade dos atos brutais, o enfrentamento do problema atual pode incluir a criação de novos canais de participação e espaços de debate. De fato, como diz o sociólogo Antonio Roversi, juízos acusatórios e categoriais morais impedem a compreensão do quadro dinâmico das torcidas.
Eles não permitem, assim, elucidar as linhas de continuidade, identificar os pontos de ruptura, apontar as reviravoltas que ora as colocam no exercício de uma violência desregrada, ora as aproximam da prática democrática elaborada em conjunto por aqueles que desejam reinventar a República do Futebol e manter, tanto quanto possível, a rivalidade dos jovens torcedores nos limites de um duelo simbólico.
JOSÉ PAULO FLORENZANO é professor de antropologia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, bolsista da Fapesp e autor de "A Democracia Corinthiana" (Educ).
Década de 60 marcou a ascensão das torcidas organizadas, que passaram de coadjuvantes a protagonistas do espetáculo ao adotarem a "metáfora da guerra"
Ricardo Nogueira - 28.jan.10/Folha Imagem
Torcedores são-paulinos durante partida em Barueri (SP)
JOSÉ PAULO FLORENZANO
ESPECIAL PARA A FOLHA
As torcidas organizadas, no Brasil, assim como os agrupamentos ultras, na Itália, começaram a ocupar as arquibancadas e a modificar o clima e a paisagem dos estádios a partir dos últimos anos da década de 1960. Lá, como cá, abandonaram a condição de simples espectadores da partida de futebol para desempenhar o papel de protagonistas do espetáculo que elas próprias criavam e desenvolviam, inspiradas pela "metáfora da guerra", como mostra a perspectiva antropológica de Alessandro Dal Lago.
A violência, no entanto, não se restringia aos limites de uma batalha simbólica, mas se deslocava no espaço, driblava as medidas de repressão e adquiria, ao longo do tempo, forma e intensidade, alcance e significados muito diversos. De fato, como mostram os estudos feitos na Itália, os jovens torcedores logo enveredaram pela estrada do antagonismo violento, militarizaram-se, adotaram a "lógica da guerra".
Isso os levava a planificar com antecedência a escolha do lugar da luta, a calcular o momento certo da ação, a delinear previamente a tática a ser empregada no combate travado cada vez mais fora das praças esportivas.
Ao mesmo tempo, procuraram alcançar um consenso em torno das "regras do jogo" no qual se achavam imersos -isto é, definir as armas, os atores e as circunstâncias do confronto. Uma circular redigida por integrantes do movimento buscava estabelecer os ditames do comportamento ultra: "Não se toca nas mulheres e nos velhos e não se enfrenta quem não tem nada a ver e não tem a possibilidade de se defender".
Visto por esse prisma, o estereótipo da "horda de bárbaros embriagados" transfigurava-se, segundo o sociólogo Antonio Roversi, em uma "comunidade moral". Esta era edificada com base em um repertório próprio de regras, dotado de mecanismos simbólicos de integração dos jovens reunidos na cultura da curva, na qual a violência desfrutava de um lugar privilegiado, mas não se revestia de uma forma caótica nem se desenvolvia de modo aleatório.
Ao contrário, ela se desenrolava no quadro das rivalidades e das alianças tecidas entre os diversos agrupamentos e de acordo com o código de comportamento aceito e partilhado pelos torcedores. A via brasileira apresentava pontos em comum com o percurso italiano, mas também se distinguia pela elaboração de características próprias e traços originais.
Nesse sentido, enquanto o caminho dos ultras atravessava o campo minado do extremismo político (alguns grupos se autodenominavam "brigadas", em alusão ao partido armado identificado pela estrela de cinco pontas), o das organizadas desembocava na República do Futebol, paisagem histórica definida por inúmeras experiências de autonomia -como, por exemplo, o Trem da Alegria, idealizado por Afonsinho, e a Democracia Corintiana, liderada por Sócrates.
Aspectos contraditórios
Essa paisagem histórica, delimitada pelos anos de 1978 a 1984, contemplava ainda a iniciativa do jogador Wladimir de estender às gerais e arquibancadas o processo de mudança deslanchado no Corinthians: "As discussões são abertas aos diretores, aos jogadores, aos sócios e até à torcida". Mas a participação desta última nos anos revolucionários do futebol brasileiro comportava aspectos contraditórios.
De um lado, ela promovia o salto de qualidade no exercício da violência, refletido tanto no conflito entre as organizadas do Santos e da Portuguesa -em 1979, na Taça São Paulo, com um saldo de 15 pessoas feridas- quanto nas brigas ocorridas antes, durante e após o clássico entre Santos e Corinthians, em 1983, com tiros disparados ao redor do estádio e focos de incêndio dentro do Morumbi.
De outro lado, ela reivindicava o direito de participação e o concretizava por meio de várias iniciativas. Entre elas, pode-se destacar, em 1977, o debate sobre a criação de uma Associação das Torcidas Organizadas; em 1978, a greve promovida pela Torcida Uniformizada do Palmeiras contra o desgoverno implantado no clube; em 1981, a crítica da Torcida Jovem do Santos à fórmula esdrúxula do Paulista; e, em 1984, a presença da Gaviões da Fiel nos comícios das Diretas-Já.
Violência e participação se constituem, portanto, nos fatores decisivos do universo das organizadas. Isso significa que, além do combate imprescindível e sem tréguas à impunidade dos atos brutais, o enfrentamento do problema atual pode incluir a criação de novos canais de participação e espaços de debate. De fato, como diz o sociólogo Antonio Roversi, juízos acusatórios e categoriais morais impedem a compreensão do quadro dinâmico das torcidas.
Eles não permitem, assim, elucidar as linhas de continuidade, identificar os pontos de ruptura, apontar as reviravoltas que ora as colocam no exercício de uma violência desregrada, ora as aproximam da prática democrática elaborada em conjunto por aqueles que desejam reinventar a República do Futebol e manter, tanto quanto possível, a rivalidade dos jovens torcedores nos limites de um duelo simbólico.
JOSÉ PAULO FLORENZANO é professor de antropologia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, bolsista da Fapesp e autor de "A Democracia Corinthiana" (Educ).
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sexta-feira, 6 de novembro de 2009
"VAZIÃO": PLANO VISA ATRAIR MAIS TORCEDORES
Folha de São Paulo, quinta-feira, 05 de novembro de 2009
Para viabilizar o projeto de transformar o Engenhão em um "programa de família" será necessário substituir outro apelido: "Vazião". A dificuldade de acesso e e sensação de insegurança em jogos noturnos têm contribuído para a ausência de público. Para superar este desafio, o grupo pretende investir em divulgação e fazer promoções, como clube de fidelidade, TV via internet e licenciamento de produtos.
Para viabilizar o projeto de transformar o Engenhão em um "programa de família" será necessário substituir outro apelido: "Vazião". A dificuldade de acesso e e sensação de insegurança em jogos noturnos têm contribuído para a ausência de público. Para superar este desafio, o grupo pretende investir em divulgação e fazer promoções, como clube de fidelidade, TV via internet e licenciamento de produtos.
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Lucro irá ditar novo nome do Engenhão
Folha de São Paulo, quinta-feira, 05 de novembro de 2009
RAPHAEL GOMIDE, DA SUCURSAL DO RIO
Um novo projeto de exploração comercial e publicitária do Engenhão, na zona norte do Rio, pretende lucrar com o estádio abolindo o apelido consagrado popularmente.
Empresários, contratados há quatro meses pelo Botafogo, pretendem tornar viável e lucrativo o Engenhão. Luiz Calainho e Cristiano Pinto de Almeida preveem investimentos de R$ 20 milhões e exploração de receitas comerciais e publicitárias por dez anos.
O esquecimento do termo Engenhão é a meta e a condição fundamental da empreitada, cuja essência é a venda do nome do estádio a um patrocinador, que acrescenta sua marca ao logotipo "Stadium Rio".
O nome oficial, Estádio Olímpico Municipal João Havelange, será mantido, mas os autores da ideia torcem para que em pouco tempo os cariocas esqueçam o apelido.
O momento, com Copa do Mundo -o projeto prevê um centro de treinamento-, Copa das Confederações e Olimpíada nos próximos anos, é propício. O Maracanã, principal estádio do Rio, entra em obras por três anos, a partir de dezembro.
Os empresários estimam que o Engenhão, sob novo nome, venha a receber de 102 a 136 partidas de futebol em 2010, além de eventos de entretenimento, shows e festas, com público de 3 milhões anuais.
A empreitada espera obter um patrocinador principal em no máximo quatro meses, antes do início do Estadual. Essa empresa terá direito a outdoors -o principal de 45 m por 10 m- nas entradas e investimentos em propaganda. Há mais quatro cotas de publicidade.
No Estadual, só as lanchonetes de fast food estarão prontas. Serão oito empresas, no total de 24 lojas, além de ambulantes. Depois, o plano é ter três restaurantes panorâmicos, com vista para o campo, lojas, um centro médico, um CT, uma universidade e um drive-thru ao redor do estádio.
RAPHAEL GOMIDE, DA SUCURSAL DO RIO
Um novo projeto de exploração comercial e publicitária do Engenhão, na zona norte do Rio, pretende lucrar com o estádio abolindo o apelido consagrado popularmente.
Empresários, contratados há quatro meses pelo Botafogo, pretendem tornar viável e lucrativo o Engenhão. Luiz Calainho e Cristiano Pinto de Almeida preveem investimentos de R$ 20 milhões e exploração de receitas comerciais e publicitárias por dez anos.
O esquecimento do termo Engenhão é a meta e a condição fundamental da empreitada, cuja essência é a venda do nome do estádio a um patrocinador, que acrescenta sua marca ao logotipo "Stadium Rio".
O nome oficial, Estádio Olímpico Municipal João Havelange, será mantido, mas os autores da ideia torcem para que em pouco tempo os cariocas esqueçam o apelido.
O momento, com Copa do Mundo -o projeto prevê um centro de treinamento-, Copa das Confederações e Olimpíada nos próximos anos, é propício. O Maracanã, principal estádio do Rio, entra em obras por três anos, a partir de dezembro.
Os empresários estimam que o Engenhão, sob novo nome, venha a receber de 102 a 136 partidas de futebol em 2010, além de eventos de entretenimento, shows e festas, com público de 3 milhões anuais.
A empreitada espera obter um patrocinador principal em no máximo quatro meses, antes do início do Estadual. Essa empresa terá direito a outdoors -o principal de 45 m por 10 m- nas entradas e investimentos em propaganda. Há mais quatro cotas de publicidade.
No Estadual, só as lanchonetes de fast food estarão prontas. Serão oito empresas, no total de 24 lojas, além de ambulantes. Depois, o plano é ter três restaurantes panorâmicos, com vista para o campo, lojas, um centro médico, um CT, uma universidade e um drive-thru ao redor do estádio.
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sábado, 19 de setembro de 2009
Juiz de Goiás libera álcool no Serra Dourada
Folha de SP, 18.09.2009
SÉRGIO RANGEL
DA SUCURSAL DO RIO
O juiz da 2ª Vara de Fazenda Pública de Goiás, Ari Ferreira de Queiroz, concedeu ontem liminar que libera a venda e o consumo de bebidas alcoólicas no estádio Serra Dourada.
O pedido foi feito pelo vereador Henrique Arantes (PTB), que alegou inconstitucionalidade na proibição, determinada pela CBF em 2008.
"Essa decisão estava cerceando o direito constitucional do torcedor. Era a CBF que decidia se ele podia beber. Isso não pode acontecer", declarou Arantes, que, desde o início do ano, montou uma barraquinha no portão do estádio para colher assinaturas dos torcedores contra a proibição.
O documento, que foi apresentado à Justiça, contou com cerca de 14 mil assinaturas.
Em abril de 2008, a CBF vetou bebidas alcoólicas nos torneios que organiza e em jogos da seleção brasileira no país.
A entidade justificou que a decisão era uma tentativa de reduzir a violência nos estádios. "A alegação é falsa. Vou sempre ao Serra Dourada, e os brigões continuam lá", afirmou o juiz Henrique Arantes.
No despacho, apenas o governo de Goiás e a federação local são apontados por Arantes como entidades que podem recorrer da decisão. O estádio é administrado pelo governo.
A CBF desconhece o teor da liminar e só vai se pronunciar após receber o documento.
Apesar da decisão da CBF, a publicidade desses produtos em estádios permanece inalterada. A entidade tem um contrato de patrocínio com a AmBev, que produz as cervejas Brahma, Antarctica e Skol.
A decisão de suspender a venda de bebidas integra um protocolo de intenções assinado com o CNPG (Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União).
Mesmo com a proibição nos jogos promovidos pela CBF, o COL (Comitê Organizador Local) da Copa-2014 já avisou às cidades-sedes que terão de fazer leis para liberar a venda de álcool nos estádios do Mundial.
A mudança de atitude é explicada por um contrato da cervejaria Budweiser com a Fifa que se estende até 2014.
SÉRGIO RANGEL
DA SUCURSAL DO RIO
O juiz da 2ª Vara de Fazenda Pública de Goiás, Ari Ferreira de Queiroz, concedeu ontem liminar que libera a venda e o consumo de bebidas alcoólicas no estádio Serra Dourada.
O pedido foi feito pelo vereador Henrique Arantes (PTB), que alegou inconstitucionalidade na proibição, determinada pela CBF em 2008.
"Essa decisão estava cerceando o direito constitucional do torcedor. Era a CBF que decidia se ele podia beber. Isso não pode acontecer", declarou Arantes, que, desde o início do ano, montou uma barraquinha no portão do estádio para colher assinaturas dos torcedores contra a proibição.
O documento, que foi apresentado à Justiça, contou com cerca de 14 mil assinaturas.
Em abril de 2008, a CBF vetou bebidas alcoólicas nos torneios que organiza e em jogos da seleção brasileira no país.
A entidade justificou que a decisão era uma tentativa de reduzir a violência nos estádios. "A alegação é falsa. Vou sempre ao Serra Dourada, e os brigões continuam lá", afirmou o juiz Henrique Arantes.
No despacho, apenas o governo de Goiás e a federação local são apontados por Arantes como entidades que podem recorrer da decisão. O estádio é administrado pelo governo.
A CBF desconhece o teor da liminar e só vai se pronunciar após receber o documento.
Apesar da decisão da CBF, a publicidade desses produtos em estádios permanece inalterada. A entidade tem um contrato de patrocínio com a AmBev, que produz as cervejas Brahma, Antarctica e Skol.
A decisão de suspender a venda de bebidas integra um protocolo de intenções assinado com o CNPG (Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União).
Mesmo com a proibição nos jogos promovidos pela CBF, o COL (Comitê Organizador Local) da Copa-2014 já avisou às cidades-sedes que terão de fazer leis para liberar a venda de álcool nos estádios do Mundial.
A mudança de atitude é explicada por um contrato da cervejaria Budweiser com a Fifa que se estende até 2014.
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sexta-feira, 7 de agosto de 2009
No Anonimato da Multidão - Pesquisa Derruba Mitos Sobre os Componentes de Torcidas Organizadas
Por: Phydia de Athayde
Carta Capital - n.555 - 2009
http://cev.org.br/biblioteca/no-anonimato-multidao-pesquisa-derruba-mitos-sobre-os-componentes-torcidas-organizadas
Marginais. É assim que muita gente enxerga quem participa de torcidas organizadas de futebol, especialmente se no jogo houve alguma briga, tumulto ou morte. É mais fácil imaginar que sejam vândalos, bárbaros, do que se confrontar com uma realidade que pode surpreender: talvez sejam gente comum. É o que constata em trabalho inédito a pesquisadora da Faculdade de Educação Física da Unicamp Heloisa Reis. "Os resultados põem por terra a generalização de que torcedores organizados são vadios."
Para chegar a essa conclusão, a coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas de Futebol fez um perfil minucioso do torcedor organizado. O trabalho, a que CartaCapital teve acesso, será concluído em setembro e pesquisou 813 filiados da maior torcida organizada de cada um dos três principais times da capital paulista (Corinthians, São Paulo e Palmeiras). Além de informar as características sociais, eles opinaram sobre as causas da violência dentro e fora dos estádios. Interessada nesse tema, Heloisa pesquisou apenas o gênero e a faixa etária dos principais algozes e vítimas de atos violentos - homens entre 15 e 25 anos.
Em vez de pobres marginalizados, encontrou rapazes instruídos, de famílias estruturadas. "Os torcedores organizados têm bom nível educacional, moram com os pais e, além disso, têm noção da própria responsabilidade nos acontecimentos violentos", expõe Heloisa. O próximo passo será pesquisar todo o País. Conhecer a fundo o torcedor é, segundo a pesquisadora, indispensável para enfrentar a violência de forma eficaz. "Na Europa, as mudanças partiram desse diagnóstico."
Para o ministro do Esporte, Orlando Silva, os resultados reforçam a convicção de que não faz sentido marginalizar o torcedor organizado. "São grupos legítimos com quem o Estado precisa dialogar cada vez mais", disse à CartaCapital. O ministério financiou o estudo.
Apesar de cores e hinos diferentes, a condição social e as opiniões de palmeirenses, são-paulinos e corintianos são muito parecidas. "As informações se repetem independentemente do time", diz Heloisa. E morre outro clichê: o de que existem torcidas da elite e outras mais carentes.
Aos dados.O torcedor organizado é solteiro (94%) e católico (62%). Vai ao estádio sempre (40%) ou muito frequentemente (45%) - mesmo que a partida seja televisionada. Neste caso, o faz pela emoção do estádio (52%), por amor ao time (30%) e para torcer em grupo (12%). A maioria trabalha (61%) ou estuda (27%), onde 9% não informou a ocupação e 3% está desempregada, menor que a taxa brasileira, de 8,1%. (Clique na tabela acima para ampliá-la)
No entender desse torcedor, há dois principais motivos para a violência. Em primeiro, fatores ligados ao adversário (rivalidade, fanatismo e provocações), com 31,5% das respostas. Em seguida, com 30%, fatores ligados à própria torcida (falta de educação, vir para brigar, estupidez).
Outros 19,5% dos entrevistados creditam a violência a fatores externos (polícia violenta, mídia, desempenho do time, diretoria dos clubes, falta de estrutura e impunidade). Apenas 6% consideram que o consumo de drogas e álcool leva à violência, enquanto 5% a consideram um reflexo da sociedade, dissociado do futebol.
Heloisa vasculhou em detalhes a contribuição dos jornais, rádios e televisão para o problema. Para 47% dos entrevistados, a mídia estimula a violência ao explorá-la (incentivam a rivalidade, provocam torcedores,- buscam ibope). Para 17%, a mídia contribui ao estigmatizar as torcidas (mostra só o lado ruim, chama de vândalos). Uma proporção parecida, 18%, discorda: considera que a mídia incentiva a paz e mostra a realidade. E 14% criticam a manipulação da informação pela imprensa.
Recentemente, o Brasil foi apontado como líder do ranking de mortes ligadas ao futebol pelo sociólogo Mauricio Murad, da Uerj e da Universidade Salgado Oliveira. Ele contabilizou 42 óbitos de torcedores em conflitos dentro ou próximo a estádios de futebol nos últimos dez anos. Em pesquisa semelhante, Heloisa Reis (em parceria com a Universidade de Amsterdã) contabilizou 35 vítimas de homicídio no mesmo período.
Os números não batem por diferenças na metodologia e na data exata da contagem. Mas, ao contrário do colega, Heloisa discorda que o Brasil lidere um ranking. "Afirmar isso é temerário e perigoso. Não há levantamentos mundiais confiáveis e, além disso, uma divulgação desse porte pode maximizar um problema já grave e atrair jovens violentos para o futebol", alerta. Ela diz que a mídia inglesa, ao difundir o vandalismo nos estádios nos anos 1980, só fez aumentar a violência. A tese faz sentido. Tanto que, hoje, na Europa, nem mesmo invasões de campo são mostradas na tevê. Sem repercussão, tendem a diminuir.
Para Murad, mais importante do que constatar a violência é como a sociedade reagirá a ela. E considera exemplar o caso da Argentina. "Basicamente, nos últimos três anos, eles apertaram a legislação, punindo não apenas torcedores como dirigentes (de clube e de torcidas) que incitassem a violência, fizeram campanhas educativas na mídia e controlaram o consumo de álcool."
Essas medidas são inspiradas no que funcionou na Europa (Itália e Inglaterra) para diminuir o problema. A elas deveriam se somar, segundo Heloisa, a melhora na venda de ingressos, ampla divulgação do Estatuto do Torcedor, a atuação do Procon e do MP, um código de ética para a mídia divulgar violência, a mudança do horário das partidas para no máximo 19h30, a criação de comissões estaduais e a retomada da Comissão Nacional de Prevenção da Violência (criada em 2004 e estagnada), além de uma polícia especializada em eventos esportivos. "Isso deveria ser feito antes de 2014, mas não acho que ocorrerá", hesita a professora.
O ministro Orlando Silva se diz ciente da "gravíssima" situação da violência no futebol. Menciona a padronização das normas técnicas dos estádios como um avanço (deve vigorar no Campeonato Brasileiro de 2010) e diz que o Ministério da Justiça começou a treinar policiais militares especialmente para lidar com torcedores. É pouco, tardio, mas um começo.
Endereço: http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=6&i=4627
Carta Capital - n.555 - 2009
http://cev.org.br/biblioteca/no-anonimato-multidao-pesquisa-derruba-mitos-sobre-os-componentes-torcidas-organizadas
Marginais. É assim que muita gente enxerga quem participa de torcidas organizadas de futebol, especialmente se no jogo houve alguma briga, tumulto ou morte. É mais fácil imaginar que sejam vândalos, bárbaros, do que se confrontar com uma realidade que pode surpreender: talvez sejam gente comum. É o que constata em trabalho inédito a pesquisadora da Faculdade de Educação Física da Unicamp Heloisa Reis. "Os resultados põem por terra a generalização de que torcedores organizados são vadios."
Para chegar a essa conclusão, a coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas de Futebol fez um perfil minucioso do torcedor organizado. O trabalho, a que CartaCapital teve acesso, será concluído em setembro e pesquisou 813 filiados da maior torcida organizada de cada um dos três principais times da capital paulista (Corinthians, São Paulo e Palmeiras). Além de informar as características sociais, eles opinaram sobre as causas da violência dentro e fora dos estádios. Interessada nesse tema, Heloisa pesquisou apenas o gênero e a faixa etária dos principais algozes e vítimas de atos violentos - homens entre 15 e 25 anos.
Em vez de pobres marginalizados, encontrou rapazes instruídos, de famílias estruturadas. "Os torcedores organizados têm bom nível educacional, moram com os pais e, além disso, têm noção da própria responsabilidade nos acontecimentos violentos", expõe Heloisa. O próximo passo será pesquisar todo o País. Conhecer a fundo o torcedor é, segundo a pesquisadora, indispensável para enfrentar a violência de forma eficaz. "Na Europa, as mudanças partiram desse diagnóstico."
Para o ministro do Esporte, Orlando Silva, os resultados reforçam a convicção de que não faz sentido marginalizar o torcedor organizado. "São grupos legítimos com quem o Estado precisa dialogar cada vez mais", disse à CartaCapital. O ministério financiou o estudo.
Apesar de cores e hinos diferentes, a condição social e as opiniões de palmeirenses, são-paulinos e corintianos são muito parecidas. "As informações se repetem independentemente do time", diz Heloisa. E morre outro clichê: o de que existem torcidas da elite e outras mais carentes.
Aos dados.O torcedor organizado é solteiro (94%) e católico (62%). Vai ao estádio sempre (40%) ou muito frequentemente (45%) - mesmo que a partida seja televisionada. Neste caso, o faz pela emoção do estádio (52%), por amor ao time (30%) e para torcer em grupo (12%). A maioria trabalha (61%) ou estuda (27%), onde 9% não informou a ocupação e 3% está desempregada, menor que a taxa brasileira, de 8,1%. (Clique na tabela acima para ampliá-la)
No entender desse torcedor, há dois principais motivos para a violência. Em primeiro, fatores ligados ao adversário (rivalidade, fanatismo e provocações), com 31,5% das respostas. Em seguida, com 30%, fatores ligados à própria torcida (falta de educação, vir para brigar, estupidez).
Outros 19,5% dos entrevistados creditam a violência a fatores externos (polícia violenta, mídia, desempenho do time, diretoria dos clubes, falta de estrutura e impunidade). Apenas 6% consideram que o consumo de drogas e álcool leva à violência, enquanto 5% a consideram um reflexo da sociedade, dissociado do futebol.
Heloisa vasculhou em detalhes a contribuição dos jornais, rádios e televisão para o problema. Para 47% dos entrevistados, a mídia estimula a violência ao explorá-la (incentivam a rivalidade, provocam torcedores,- buscam ibope). Para 17%, a mídia contribui ao estigmatizar as torcidas (mostra só o lado ruim, chama de vândalos). Uma proporção parecida, 18%, discorda: considera que a mídia incentiva a paz e mostra a realidade. E 14% criticam a manipulação da informação pela imprensa.
Recentemente, o Brasil foi apontado como líder do ranking de mortes ligadas ao futebol pelo sociólogo Mauricio Murad, da Uerj e da Universidade Salgado Oliveira. Ele contabilizou 42 óbitos de torcedores em conflitos dentro ou próximo a estádios de futebol nos últimos dez anos. Em pesquisa semelhante, Heloisa Reis (em parceria com a Universidade de Amsterdã) contabilizou 35 vítimas de homicídio no mesmo período.
Os números não batem por diferenças na metodologia e na data exata da contagem. Mas, ao contrário do colega, Heloisa discorda que o Brasil lidere um ranking. "Afirmar isso é temerário e perigoso. Não há levantamentos mundiais confiáveis e, além disso, uma divulgação desse porte pode maximizar um problema já grave e atrair jovens violentos para o futebol", alerta. Ela diz que a mídia inglesa, ao difundir o vandalismo nos estádios nos anos 1980, só fez aumentar a violência. A tese faz sentido. Tanto que, hoje, na Europa, nem mesmo invasões de campo são mostradas na tevê. Sem repercussão, tendem a diminuir.
Para Murad, mais importante do que constatar a violência é como a sociedade reagirá a ela. E considera exemplar o caso da Argentina. "Basicamente, nos últimos três anos, eles apertaram a legislação, punindo não apenas torcedores como dirigentes (de clube e de torcidas) que incitassem a violência, fizeram campanhas educativas na mídia e controlaram o consumo de álcool."
Essas medidas são inspiradas no que funcionou na Europa (Itália e Inglaterra) para diminuir o problema. A elas deveriam se somar, segundo Heloisa, a melhora na venda de ingressos, ampla divulgação do Estatuto do Torcedor, a atuação do Procon e do MP, um código de ética para a mídia divulgar violência, a mudança do horário das partidas para no máximo 19h30, a criação de comissões estaduais e a retomada da Comissão Nacional de Prevenção da Violência (criada em 2004 e estagnada), além de uma polícia especializada em eventos esportivos. "Isso deveria ser feito antes de 2014, mas não acho que ocorrerá", hesita a professora.
O ministro Orlando Silva se diz ciente da "gravíssima" situação da violência no futebol. Menciona a padronização das normas técnicas dos estádios como um avanço (deve vigorar no Campeonato Brasileiro de 2010) e diz que o Ministério da Justiça começou a treinar policiais militares especialmente para lidar com torcedores. É pouco, tardio, mas um começo.
Endereço: http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=6&i=4627
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terça-feira, 21 de julho de 2009
A HIGIENIZAÇÃO DOS ESTÁDIOS
28/04/2008
http://hisbrasil.blogspot.com/2008/04/higienizao-dos-estdios.html
Ativistas políticos estão sugerindo um boicote aos jogos olímpicos de Pequim. A causa é politicamente correta. Eu vou boicotar o campeonato brasileiro de futebol de 2008. A causa é, graças aos deuses, tremendamente incorreta: a CBF anunciou a proibição da venda de bebidas alcoólicas nos estádios. Não vou aos jogos sem cerveja em nenhuma hipótese. Essa idéia, de um puritanismo primário, é apenas a ponta de um iceberg de sinistras proporções; a morte do futebol-cultura e o advento do futebol-produto.
O futebol começou a ser praticado no Brasil, no início do século XX, como um esporte elitista. Houve, porém, uma popularização magnífica do jogo. Em seu prefácio ao fundamental "O Negro no Futebol brasileiro ", a obra-prima de Mário Filho, Gilberto Freyre diz o seguinte:
"...vá alguém estudar a fundo o jogo de Domingos da Guia ou a literatura de Machado de Assis que encontrará decerto nas raízes de cada um, dando-lhes autenticidade brasileira, um pouco de samba, um pouco de molecagem baiana e até um pouco da capoeiragem pernambucana ou malandragem carioca. Com esses resíduos é que o futebol brasileiro afastou-se do bem ordenado original britânico para tornar-se a dança cheia de surpresas irracionais e de variações dionisíacas que é."
Independentemente de se gostar ou não do jogo, não há como negar que o futebol transformou-se numa instituição nacional de brancos, negros, mulatos e cafuzos, símbolo de um país de mestiços. Ir ao futebol no Brasil é um ato vital inserido num contexto mais amplo, transcendente ao próprio jogo. O encontro no botequim próximo ao estádio e a cerveja nas arquibancadas fazem parte desse ato.
A ida aos estádios está seriamente ameaçada por dois fatores aparentemente distintos, mas que se enredam perversamente. De um lado temos, e não há como negar, a violência das torcidas organizadas. Do outro, a transformação do futebol em um grande negócio. Sob o pretexto, porém, de se combater a violência - tarefa legítima e necessária - o que se busca é elitizar a frequência aos campos. O torcedor só interessa ao negócio da bola como um consumidor potencial.
Ingressos caros, público com bom poder aquisitivo, garantia de ordem e conforto aos frequentadores, afastamento das camadas populares dos campos (em um processo perverso que vincula pobreza e violência) , redução da capacidade dos estádios e acordos milionários com grandes redes de comunicação. Estão criadas assim as condições para o futebol-business, atividade que envolve impressionante circulação de capitais. Esse futebol empresarial, para prosperar, depende da morte do outro, o futebol como traço distintivo de uma cultura popular e mestiça.
Há que se combater a violência nos campos? É evidente que sim. Não nos enganemos, porém. O discurso do combate a violência busca moldar o novo perfil do frequentador dos jogos. Sai o torcedor e entra o consumidor. A ideia é reservar os estádios para as chamadas famílias de bem, entendidas como aquelas que podem pagar 40 mangos pelo ingresso mais barato e 200 reais numa camisa oficial do clube. Algo similar ocorreu com os desfiles das escolas de samba, hoje marcados pelas arquibancadas de turistas e camarotes de celebridades.
Os canais de televisão colaboram com isso. Não é inocente a sistemática campanha pelo futebol-família, termo exaustivamente usado por Galvão Bueno, ou a utilização de orquestras sinfônicas para acompanhar gritos de guerra das torcidas. Insisto que o combate aos vândalos dos campos está sendo instrumentalizado para atingir outro objetivo, o de higienizar os estádios - e uso o termo aqui com o mesmo sentido dado pelos homens do poder no início do século XX, quando combater epidemias passava também pela repressão às manifestações culturais das camadas populares urbanas e o afastamento dos pobres da região central da cidade.
Esse processo vai, evidentemente, culminar com a realização da Copa de 2014 no país. Não duvidem. A clientela - o termo é esse - dos estádios de futebol será formada por turistas e brasileiros de médio e alto poder aquisitivo sem relações emocionais mais profundas com o futebol. O verdadeiro torcedor - aquele que acompanha o cotidiano do seu time e faz do ato de assistir ao jogo uma reinvenção da vida - estará do outro lado da telinha, ou ao pé do rádio, tomando uma gelada, que ninguém é de ferro.
Abraços.
Postado por Luiz Antonio Simas às 2:23 PM
http://hisbrasil.blogspot.com/2008/04/higienizao-dos-estdios.html
Ativistas políticos estão sugerindo um boicote aos jogos olímpicos de Pequim. A causa é politicamente correta. Eu vou boicotar o campeonato brasileiro de futebol de 2008. A causa é, graças aos deuses, tremendamente incorreta: a CBF anunciou a proibição da venda de bebidas alcoólicas nos estádios. Não vou aos jogos sem cerveja em nenhuma hipótese. Essa idéia, de um puritanismo primário, é apenas a ponta de um iceberg de sinistras proporções; a morte do futebol-cultura e o advento do futebol-produto.
O futebol começou a ser praticado no Brasil, no início do século XX, como um esporte elitista. Houve, porém, uma popularização magnífica do jogo. Em seu prefácio ao fundamental "O Negro no Futebol brasileiro ", a obra-prima de Mário Filho, Gilberto Freyre diz o seguinte:
"...vá alguém estudar a fundo o jogo de Domingos da Guia ou a literatura de Machado de Assis que encontrará decerto nas raízes de cada um, dando-lhes autenticidade brasileira, um pouco de samba, um pouco de molecagem baiana e até um pouco da capoeiragem pernambucana ou malandragem carioca. Com esses resíduos é que o futebol brasileiro afastou-se do bem ordenado original britânico para tornar-se a dança cheia de surpresas irracionais e de variações dionisíacas que é."
Independentemente de se gostar ou não do jogo, não há como negar que o futebol transformou-se numa instituição nacional de brancos, negros, mulatos e cafuzos, símbolo de um país de mestiços. Ir ao futebol no Brasil é um ato vital inserido num contexto mais amplo, transcendente ao próprio jogo. O encontro no botequim próximo ao estádio e a cerveja nas arquibancadas fazem parte desse ato.
A ida aos estádios está seriamente ameaçada por dois fatores aparentemente distintos, mas que se enredam perversamente. De um lado temos, e não há como negar, a violência das torcidas organizadas. Do outro, a transformação do futebol em um grande negócio. Sob o pretexto, porém, de se combater a violência - tarefa legítima e necessária - o que se busca é elitizar a frequência aos campos. O torcedor só interessa ao negócio da bola como um consumidor potencial.
Ingressos caros, público com bom poder aquisitivo, garantia de ordem e conforto aos frequentadores, afastamento das camadas populares dos campos (em um processo perverso que vincula pobreza e violência) , redução da capacidade dos estádios e acordos milionários com grandes redes de comunicação. Estão criadas assim as condições para o futebol-business, atividade que envolve impressionante circulação de capitais. Esse futebol empresarial, para prosperar, depende da morte do outro, o futebol como traço distintivo de uma cultura popular e mestiça.
Há que se combater a violência nos campos? É evidente que sim. Não nos enganemos, porém. O discurso do combate a violência busca moldar o novo perfil do frequentador dos jogos. Sai o torcedor e entra o consumidor. A ideia é reservar os estádios para as chamadas famílias de bem, entendidas como aquelas que podem pagar 40 mangos pelo ingresso mais barato e 200 reais numa camisa oficial do clube. Algo similar ocorreu com os desfiles das escolas de samba, hoje marcados pelas arquibancadas de turistas e camarotes de celebridades.
Os canais de televisão colaboram com isso. Não é inocente a sistemática campanha pelo futebol-família, termo exaustivamente usado por Galvão Bueno, ou a utilização de orquestras sinfônicas para acompanhar gritos de guerra das torcidas. Insisto que o combate aos vândalos dos campos está sendo instrumentalizado para atingir outro objetivo, o de higienizar os estádios - e uso o termo aqui com o mesmo sentido dado pelos homens do poder no início do século XX, quando combater epidemias passava também pela repressão às manifestações culturais das camadas populares urbanas e o afastamento dos pobres da região central da cidade.
Esse processo vai, evidentemente, culminar com a realização da Copa de 2014 no país. Não duvidem. A clientela - o termo é esse - dos estádios de futebol será formada por turistas e brasileiros de médio e alto poder aquisitivo sem relações emocionais mais profundas com o futebol. O verdadeiro torcedor - aquele que acompanha o cotidiano do seu time e faz do ato de assistir ao jogo uma reinvenção da vida - estará do outro lado da telinha, ou ao pé do rádio, tomando uma gelada, que ninguém é de ferro.
Abraços.
Postado por Luiz Antonio Simas às 2:23 PM
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segunda-feira, 8 de junho de 2009
Túmulo do futebol
XICO SÁ
São Paulo, sexta-feira, 05 de junho de 2009
--------------------------------------------------------------------------------
De tanto proibir, São Paulo proibiu o torcedor de ir ao estádio, que se tornou uma praça dos vândalos
--------------------------------------------------------------------------------
AMIGO TORCEDOR , amigo secador, é triste, mas São Paulo, terra de muito samba, choro e rock'n'roll, está virando o túmulo do futebol. Foi a primeira a proibir cerveja, depois proibiu batucada, bandeiras... E, de tanto proibir, fez dos clássicos os incríveis jogos de uma só torcida. Palmas!
O pior: tantas proibições só proibiram a alegria, a prova dos noves do velho Oswald, o maior colunista de esportes da história paulistana (vide o jornal "O Homem do Povo"), e nada de proibir a dita cuja, a violência, essa dama bruta que toca o terror e sempre aparece travestida de velha da foice.
Proibir, aliás, é a única moral dos mandatários dos nossos tempos.
Quem não faz vai lá e proíbe, é bem mais fácil, sempre em nome das melhores das intenções e da cartilha do politicamente correto. Sim, a violência nos estádios e nos arredores não é monopólio de São Paulo, mas aqui o pânico tem sido frequente, como a emboscada, o pavor e a morte na noite gelada de anteontem.
De tanto proibir, proibiram o torcedor de ir a campo. Eles conseguiram. A praça é dos vândalos como o céu é do monóxido de carbono. Resta esperar o fim da novela mais chata do planeta, sentar a bunda no sofazão e ver o jogo pelos olhos das câmeras da TV, que manda nessa joça. Pelo menos uma boa lição disso tudo aprendemos: proibir não é o caminho, não adianta, talvez o segredo esteja no seu contrário. Em liberar geral, como na mais sensata, e ainda utópica, política antidrogas.
Vigiar e punir, essa obsessão barata, nunca foi o truque, só provocou mais desgraças mundo afora.
São Paulo, sexta-feira, 05 de junho de 2009
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De tanto proibir, São Paulo proibiu o torcedor de ir ao estádio, que se tornou uma praça dos vândalos
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AMIGO TORCEDOR , amigo secador, é triste, mas São Paulo, terra de muito samba, choro e rock'n'roll, está virando o túmulo do futebol. Foi a primeira a proibir cerveja, depois proibiu batucada, bandeiras... E, de tanto proibir, fez dos clássicos os incríveis jogos de uma só torcida. Palmas!
O pior: tantas proibições só proibiram a alegria, a prova dos noves do velho Oswald, o maior colunista de esportes da história paulistana (vide o jornal "O Homem do Povo"), e nada de proibir a dita cuja, a violência, essa dama bruta que toca o terror e sempre aparece travestida de velha da foice.
Proibir, aliás, é a única moral dos mandatários dos nossos tempos.
Quem não faz vai lá e proíbe, é bem mais fácil, sempre em nome das melhores das intenções e da cartilha do politicamente correto. Sim, a violência nos estádios e nos arredores não é monopólio de São Paulo, mas aqui o pânico tem sido frequente, como a emboscada, o pavor e a morte na noite gelada de anteontem.
De tanto proibir, proibiram o torcedor de ir a campo. Eles conseguiram. A praça é dos vândalos como o céu é do monóxido de carbono. Resta esperar o fim da novela mais chata do planeta, sentar a bunda no sofazão e ver o jogo pelos olhos das câmeras da TV, que manda nessa joça. Pelo menos uma boa lição disso tudo aprendemos: proibir não é o caminho, não adianta, talvez o segredo esteja no seu contrário. Em liberar geral, como na mais sensata, e ainda utópica, política antidrogas.
Vigiar e punir, essa obsessão barata, nunca foi o truque, só provocou mais desgraças mundo afora.
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quarta-feira, 13 de maio de 2009
O presidente acima da lei
http://blogdojuca.blog.uol.com.br/arch2009-05-03_2009-05-09.html
Do Estatuto do Torcedor, em vigor desde 15 de maio de 2003:
Art. 22.
São direitos do torcedor partícipe:
I - que todos os ingressos emitidos sejam numerados; e
II - ocupar o lugar correspondente ao número constante do ingresso.
Está bem claro, não?
Faz quase seis anos que o torcedor brasileiro tem direito a sentar na cadeira correspondente ao número do ingresso que ele comprou.
Ocorre que hoje, o todo poderoso presidente da CBF, Ricardo Teixeira disse, numa clara demonstração de que está acima do bem e do mal e da lei, na frente do ministro do Esporte, que neste Campeonato Brasileiro a entidade exigirá que alguns estádios assegurem que o torcedor sente no lugar que lhe cabe.
Para treinar para a Copa do Mundo de 2014, segundo ele.
Ou seja, ele decidiu que alguns têm que cumprir a lei, outros não.
Viva ele!
Comentário para o Jornal da CBN desta quinta-feira, dia 7 de maio, de 2009.
http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm
Comentários:
[aylton-affonso] [Santo André - SP - Brasil]
Casuísmos não se justificam, como bem disse alguém por aqui, mas que essa história de "lugar numerado" é algo totalmente incompatível com nosso jeito de torcer, isso é. Digo e repito, futebol não é ópera, nem aqui nem na Europa! Quando era frequentador contumaz dos estádios, lembro-me que, comprado o ingresso, e se não era jogo de estádio lotado, esperava o arranjo dos times em campo, para ver prá que lado o Timão atacaria no 1º tempo. E corria prá lá, para pegar um lugar. Quando o juiz apitava o final do 1º tempo, corria para o outro lado. Pô, isso é legal, isso tem a ver com o futebol, e não ser obrigado a ficar sentado num lugar que sequer você tem direito a escolher! Está em curso um processo de "puritanização" e de tentativa de elitização do futebol, que, a pretexto de combater a violência e a bagunça generalizada (na venda de ingressos, por ex.), apela para um moralismo canhestro, para um politicamente correto irritante. Nem bandeiras mais são permitidas, que coisa chata !
08/05/2009 18:24
[meuemeieu] [Vinhedo - Sao Paulo]
Juca, será que para não respeitarmos o lugar marcado no ingresso, não deveríamos ter o direito de escolher o lugar onde vamos sentar quado compramos o ingresso????? Não vejo como alguém possa aceitar essa idéia sabendo que ela não tem critério nenehum! Não entra na minha cabeça que eu possa ser o primeiro da fila a comprar o ingresso e ficar num lugar pior que aquela pessoa que comprou seu ingresso minutos antes do jogo, na mão de um cambista! Se querem lugar marcado, que se de direito ao cidadão de escolher o seu lugar.
08/05/2009 14:07
[rmessi] [são paulo-sp Brasil]
acho esta lei fora da realidade, se vão me obrigar a sentar no lugar demarcado no ingresso, quero o direito de, ao comprar o ingresso, escolher o local que vou sentar.
08/05/2009 12:34
[andrelago] [Brasil]
No Bezerrão, no Gama, quando estou sozinho gosto de ficar na bagunça, na arquibancada leste. Quando vou com minha filha e esposa, prefiro ficar na Oeste. Quando tem sombra, gosto de ficar no meio, mas quando o sol bate, prefiro ficar no canto. TA VENDO? Igual a mim tem muitos, esse negocios de cadeira numerada não agrada ao torcedor brasileiro.
07/05/2009 22:52
[fs.1915] [SG RJ BR]
Esqueceram de colocar no estatuto que o torcedor deverá ser educado para respeitar o lugar a ele destinado. Isso acontece?
07/05/2009 22:44
[joaoalencarandrade] [BlumenauSC-TaubatéSP]
Juca, porque os presidentes de clubes, inclusive o Luiz Beluzzo tão elogiado por você, permitem essa promiscuidade que é a venda de ingressos? Todos são coniventes com isto. Ricardo Teixeira é o modelo seguido. O que esperar desse cidadão? É disso aí prá baixo. Triste é saber que esse cidadão têm trânsito livre com a presidência da república. Não sou favorável a violência, mas R. Teixeira cruzando meu caminho,soltaria alguns palavrões em sua direção. É o mínimo que merece.
07/05/2009 21:35
[manxa22] [BH]
Esse negócio de lugar marcado no estádio não dá certo no Brasil. De forma geral, no exterior, só se tem expectadores, aqui temos torcedores, que gostam de ficar em pé pular e não simplesmente colar a bunda na cadeira. até porque se quiser fazer isso a poltrona de casa é bem mais confortável.
07/05/2009 20:32
[ronaldo_sp] [Brasil]
Acho que enquanto "jornalistas organizados" fizerem um trabalho dúbio, de criticar e torcer, nada vai repercutir. Que fique tudo como está para torcedores profissionais não se acharem com poder demais nas maos.
07/05/2009 19:30
[murilix] [SP]
Está coberto de razão, pois ele sabe que é impossível implementar isso do dia pra noite em todos os estádios do Brasileirão. Antes começar o processo e expnadi-lo do que emperrá-lo até que todos os estádios tenham condições. Inclusive porque é melhor ter ALGUNS estádios cumprindo a lei do que NENHUM. Mas pra você tudo é motivo pra xingar o Ricardo Teixeira, né?
07/05/2009 18:36
[arquiduque61] [São Paulo, SP]
Soube que o ORLANDO SILVA, o Ministro das Multidões, mudou seu domicílio eleitoral para São Paulo !!! A figura virou arroz de festa, está em tudo quanto é evento !!! Se tiver final de bocha ou de pelota basca, podem ter certeza, lá estará ele, ORLANDO SILVA, entregando o troféu aos campeões !!! É incrível como o PMDB, com toda a sua competência fisiológica, deixou a pasta dos esportes para o PC do B !!! O esporte dá uma mídia gratuita que nenhum outro ministério consegue dar, nem o da Fazenda !!!
07/05/2009 18:03
[fernandomiguel] [são paulo]
Não adianta fazer lei num país que tem lei que "pega" e tem outras que não "pegam". O estatuto do torcedor não é muito diferente de outros estatutos que não conseguimos implementar, como o est. do idoso, o da criança e do adolescente, que são leis que garantem direitos no papel, mas na realidade esses direitos não se concretizam.
07/05/2009 17:21
[J Luis] [http://sampafotos.blogspot.com] [São Paulo - SP]
Juca, nas últimas duas vezes que fui ao Morumbi (contra Sto. André e América de Cali), fiquei no setor especial, onde o ingresso é numerado, comprado e escolhido via internet. Não tem comparação. Nada de aperto, nem confusão. Duvido que algum torcedor comum seria contra isto. Só mesmo quem acha que é dono de lotes da arquibancada para reclamar.
07/05/2009 15:21
[Natália] [SP]
[devilla101] [SP], se ele não o faz, deveria fazer. É exatamente por pensamentos como esse seu que Brasil é o Brasil!
07/05/2009 14:02
[devilla101] [SP]
O Juca é daqueles chatos que chega na estádio com o ingresso na mão e faz 18 pessoas trocarem de lugar...
07/05/2009 12:39
[digomiero] [Curitiba]
Não que eu goste do Ricardo Teixeira, muito pelo contrário... mas tem que levar em consideração que a lei, goste você ou não, não está sendo cumprida de forma alguma... só alguns setores de alguns estádios te garantem sentar no exato local que teu ingresso indica... então não vejo essa declaração como uma decisão de que alguns podem deixar de cumprir a lei, vejo como uma NECESSIDADE URGENTE de que alguns PASSEM a cumpri-la... ele como presidente da CBF não escreveu a lei, não é responsável pela execução da lei nos estádios... Bom, tendo dito o que eu penso de verdade, e deixando meu ódio por ele agir: SÉRIO QUE ELE DISSE ISSO???? MEU DEUS, QUE HORROR... CADEIA NELE!!!
07/05/2009 12:39
[olerud] [São Paulo]
Caro Juca, me desculpe a agressividade mas eu estou com essa pessoa no limite da minha civilidade. Só mesmo em um país como o Brasil para um salafrário como esse continuar andando pelas ruas depois de duas CPIs que acabaram em mais uma grande e gorda pizza. Um recado para esse senhor: Não cruze meu caminho, não tolero injustiças, ladrões e muito menos monopólios administrativos (muito mal administrados por sinal) com o dinheiro alheio. Qualquer macaco faria um trabalho melhor que você. Faça um favor para a humanidade e dê um tiro na sua própria cabeça e nos poupe da sua presença. O pior é ver que existem pessoas que ainda conseguem ter a audácia de PREMIÁ-LO no maior evento de comunicação do Brasil. Simplesmente inacreditável....
07/05/2009 11:02
[sconeg] [Balneario Camboriu]
Juca! ainda sobre ingressos? Até quando vamos ter que aturar está palhaçada de ingressos esgotados estarem nas mãos de cambistas? Para depois anunciarem publicos inferiores a venda total, dando indicio de devolução de ingressos pelos cambistas? Esta claro que existe a conveniência da federação de dos próprios clubes... Este é um caso de policia!!!!
07/05/2009 10:56
[bitnas] [Feira de Santana - Bahia]
Isso acontece, porque os clubes são falidos, e tem que aceitar todas as decisões da cbf e da rede globo, quero ver isso acontecer com o seu conrinthians que deu um baile na administração do são paulo que todo ano a metade de sua arrecadação era de jogos do timão no morumbi, por isso enquanto os times brasileiros não procurarem outras maneiras de renda ficarão presos a cbf e a rede golobo com jogos no meio da semana as 21:30 isso é um absurdo.
07/05/2009 10:20
[rafael.slmb] [Brasilia,DF]
Ô Juca, vim visitar seu blog a fim de alguma novidade e vc me dá uma noticia de (mais) uma pataquada do nosso excelentissimo Sr. presidente da CBF. São esses os nossos representantes, Teixeiras, Nuzmans, Orlandos (tapioquinha), são essas as pessoas que querem organizar uma Copa do Mundo e uma Olimpiada.
07/05/2009 09:29
[De Vaneyo] [santos/sp]
Quais seriam os estadios"com privilégio" no Brasileirão,de estarem liberados da exigência legal? Alguem poderia informar?Quanto ao sr.Ricardo Teixeira, só mesmo processando-o por ser o responsavel da entidade organizadora do Campeonato e pregando a desobediência civil.
07/05/2009 09:15
[marangbh] [SP]
Ah tá, agora você se preocupou com a questão ingressos. Falou em CBF e Ricardo Teixeira, você vira o maoir defensor dos direitos do torcedor. Por que se calou sobre os INGRESSOS FALSOS na final do paulista, vendidos oficialmente pelo CURINTIA?
07/05/2009 08:20
[wildesentose] [Salvador-Bahia]
Qual é Juca, tanta coisa importante pra pensar e você insiste nessa frescura de assistir jogo sentadinho, isso é coisa de fresco, quem quer ficar sentadinho assistindo jogo fica em casa torcendo pela TV a cabo, torcedor brasileiro tem sangue latino nas artérias não come esse regue não.Convença ao torcedor brasileiro a assistir o jogo sentadinho no seu lugarzinho quietinho, bonitinho, fofinho...ahhhh isso é coisa de...de...de...deixa pra lá.
07/05/2009 07:44
[fabiopardo] [São Paulo]
E ainda queremos sediar uma Copa do Mundo... brincadeira. Estive na Alemanha na Copa do Mundo de 2006 e sinceramente não vejo como, em apenas cinco anos, mudarmos a mentalidade do nosso povo e principalmente de dirigentes e políticos brasileiros arrogantes e egocêntricos, que com certeza devem estar pensando em muita$ coisa$, menos no Futebol! Seja o que Deus quiser.
07/05/2009 01:36
[edualt] [Sp]
Mais uma lei fora da realidade e estupida. Em nenhum lugar do mundo todos os lugares sao numerados, mesmo na europa isso ocorre só nos jogos da UEFA. É claro que isso não dá razão pro casuismo.
07/05/2009 01:28
Do Estatuto do Torcedor, em vigor desde 15 de maio de 2003:
Art. 22.
São direitos do torcedor partícipe:
I - que todos os ingressos emitidos sejam numerados; e
II - ocupar o lugar correspondente ao número constante do ingresso.
Está bem claro, não?
Faz quase seis anos que o torcedor brasileiro tem direito a sentar na cadeira correspondente ao número do ingresso que ele comprou.
Ocorre que hoje, o todo poderoso presidente da CBF, Ricardo Teixeira disse, numa clara demonstração de que está acima do bem e do mal e da lei, na frente do ministro do Esporte, que neste Campeonato Brasileiro a entidade exigirá que alguns estádios assegurem que o torcedor sente no lugar que lhe cabe.
Para treinar para a Copa do Mundo de 2014, segundo ele.
Ou seja, ele decidiu que alguns têm que cumprir a lei, outros não.
Viva ele!
Comentário para o Jornal da CBN desta quinta-feira, dia 7 de maio, de 2009.
http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm
Comentários:
[aylton-affonso] [Santo André - SP - Brasil]
Casuísmos não se justificam, como bem disse alguém por aqui, mas que essa história de "lugar numerado" é algo totalmente incompatível com nosso jeito de torcer, isso é. Digo e repito, futebol não é ópera, nem aqui nem na Europa! Quando era frequentador contumaz dos estádios, lembro-me que, comprado o ingresso, e se não era jogo de estádio lotado, esperava o arranjo dos times em campo, para ver prá que lado o Timão atacaria no 1º tempo. E corria prá lá, para pegar um lugar. Quando o juiz apitava o final do 1º tempo, corria para o outro lado. Pô, isso é legal, isso tem a ver com o futebol, e não ser obrigado a ficar sentado num lugar que sequer você tem direito a escolher! Está em curso um processo de "puritanização" e de tentativa de elitização do futebol, que, a pretexto de combater a violência e a bagunça generalizada (na venda de ingressos, por ex.), apela para um moralismo canhestro, para um politicamente correto irritante. Nem bandeiras mais são permitidas, que coisa chata !
08/05/2009 18:24
[meuemeieu] [Vinhedo - Sao Paulo]
Juca, será que para não respeitarmos o lugar marcado no ingresso, não deveríamos ter o direito de escolher o lugar onde vamos sentar quado compramos o ingresso????? Não vejo como alguém possa aceitar essa idéia sabendo que ela não tem critério nenehum! Não entra na minha cabeça que eu possa ser o primeiro da fila a comprar o ingresso e ficar num lugar pior que aquela pessoa que comprou seu ingresso minutos antes do jogo, na mão de um cambista! Se querem lugar marcado, que se de direito ao cidadão de escolher o seu lugar.
08/05/2009 14:07
[rmessi] [são paulo-sp Brasil]
acho esta lei fora da realidade, se vão me obrigar a sentar no lugar demarcado no ingresso, quero o direito de, ao comprar o ingresso, escolher o local que vou sentar.
08/05/2009 12:34
[andrelago] [Brasil]
No Bezerrão, no Gama, quando estou sozinho gosto de ficar na bagunça, na arquibancada leste. Quando vou com minha filha e esposa, prefiro ficar na Oeste. Quando tem sombra, gosto de ficar no meio, mas quando o sol bate, prefiro ficar no canto. TA VENDO? Igual a mim tem muitos, esse negocios de cadeira numerada não agrada ao torcedor brasileiro.
07/05/2009 22:52
[fs.1915] [SG RJ BR]
Esqueceram de colocar no estatuto que o torcedor deverá ser educado para respeitar o lugar a ele destinado. Isso acontece?
07/05/2009 22:44
[joaoalencarandrade] [BlumenauSC-TaubatéSP]
Juca, porque os presidentes de clubes, inclusive o Luiz Beluzzo tão elogiado por você, permitem essa promiscuidade que é a venda de ingressos? Todos são coniventes com isto. Ricardo Teixeira é o modelo seguido. O que esperar desse cidadão? É disso aí prá baixo. Triste é saber que esse cidadão têm trânsito livre com a presidência da república. Não sou favorável a violência, mas R. Teixeira cruzando meu caminho,soltaria alguns palavrões em sua direção. É o mínimo que merece.
07/05/2009 21:35
[manxa22] [BH]
Esse negócio de lugar marcado no estádio não dá certo no Brasil. De forma geral, no exterior, só se tem expectadores, aqui temos torcedores, que gostam de ficar em pé pular e não simplesmente colar a bunda na cadeira. até porque se quiser fazer isso a poltrona de casa é bem mais confortável.
07/05/2009 20:32
[ronaldo_sp] [Brasil]
Acho que enquanto "jornalistas organizados" fizerem um trabalho dúbio, de criticar e torcer, nada vai repercutir. Que fique tudo como está para torcedores profissionais não se acharem com poder demais nas maos.
07/05/2009 19:30
[murilix] [SP]
Está coberto de razão, pois ele sabe que é impossível implementar isso do dia pra noite em todos os estádios do Brasileirão. Antes começar o processo e expnadi-lo do que emperrá-lo até que todos os estádios tenham condições. Inclusive porque é melhor ter ALGUNS estádios cumprindo a lei do que NENHUM. Mas pra você tudo é motivo pra xingar o Ricardo Teixeira, né?
07/05/2009 18:36
[arquiduque61] [São Paulo, SP]
Soube que o ORLANDO SILVA, o Ministro das Multidões, mudou seu domicílio eleitoral para São Paulo !!! A figura virou arroz de festa, está em tudo quanto é evento !!! Se tiver final de bocha ou de pelota basca, podem ter certeza, lá estará ele, ORLANDO SILVA, entregando o troféu aos campeões !!! É incrível como o PMDB, com toda a sua competência fisiológica, deixou a pasta dos esportes para o PC do B !!! O esporte dá uma mídia gratuita que nenhum outro ministério consegue dar, nem o da Fazenda !!!
07/05/2009 18:03
[fernandomiguel] [são paulo]
Não adianta fazer lei num país que tem lei que "pega" e tem outras que não "pegam". O estatuto do torcedor não é muito diferente de outros estatutos que não conseguimos implementar, como o est. do idoso, o da criança e do adolescente, que são leis que garantem direitos no papel, mas na realidade esses direitos não se concretizam.
07/05/2009 17:21
[J Luis] [http://sampafotos.blogspot.com] [São Paulo - SP]
Juca, nas últimas duas vezes que fui ao Morumbi (contra Sto. André e América de Cali), fiquei no setor especial, onde o ingresso é numerado, comprado e escolhido via internet. Não tem comparação. Nada de aperto, nem confusão. Duvido que algum torcedor comum seria contra isto. Só mesmo quem acha que é dono de lotes da arquibancada para reclamar.
07/05/2009 15:21
[Natália] [SP]
[devilla101] [SP], se ele não o faz, deveria fazer. É exatamente por pensamentos como esse seu que Brasil é o Brasil!
07/05/2009 14:02
[devilla101] [SP]
O Juca é daqueles chatos que chega na estádio com o ingresso na mão e faz 18 pessoas trocarem de lugar...
07/05/2009 12:39
[digomiero] [Curitiba]
Não que eu goste do Ricardo Teixeira, muito pelo contrário... mas tem que levar em consideração que a lei, goste você ou não, não está sendo cumprida de forma alguma... só alguns setores de alguns estádios te garantem sentar no exato local que teu ingresso indica... então não vejo essa declaração como uma decisão de que alguns podem deixar de cumprir a lei, vejo como uma NECESSIDADE URGENTE de que alguns PASSEM a cumpri-la... ele como presidente da CBF não escreveu a lei, não é responsável pela execução da lei nos estádios... Bom, tendo dito o que eu penso de verdade, e deixando meu ódio por ele agir: SÉRIO QUE ELE DISSE ISSO???? MEU DEUS, QUE HORROR... CADEIA NELE!!!
07/05/2009 12:39
[olerud] [São Paulo]
Caro Juca, me desculpe a agressividade mas eu estou com essa pessoa no limite da minha civilidade. Só mesmo em um país como o Brasil para um salafrário como esse continuar andando pelas ruas depois de duas CPIs que acabaram em mais uma grande e gorda pizza. Um recado para esse senhor: Não cruze meu caminho, não tolero injustiças, ladrões e muito menos monopólios administrativos (muito mal administrados por sinal) com o dinheiro alheio. Qualquer macaco faria um trabalho melhor que você. Faça um favor para a humanidade e dê um tiro na sua própria cabeça e nos poupe da sua presença. O pior é ver que existem pessoas que ainda conseguem ter a audácia de PREMIÁ-LO no maior evento de comunicação do Brasil. Simplesmente inacreditável....
07/05/2009 11:02
[sconeg] [Balneario Camboriu]
Juca! ainda sobre ingressos? Até quando vamos ter que aturar está palhaçada de ingressos esgotados estarem nas mãos de cambistas? Para depois anunciarem publicos inferiores a venda total, dando indicio de devolução de ingressos pelos cambistas? Esta claro que existe a conveniência da federação de dos próprios clubes... Este é um caso de policia!!!!
07/05/2009 10:56
[bitnas] [Feira de Santana - Bahia]
Isso acontece, porque os clubes são falidos, e tem que aceitar todas as decisões da cbf e da rede globo, quero ver isso acontecer com o seu conrinthians que deu um baile na administração do são paulo que todo ano a metade de sua arrecadação era de jogos do timão no morumbi, por isso enquanto os times brasileiros não procurarem outras maneiras de renda ficarão presos a cbf e a rede golobo com jogos no meio da semana as 21:30 isso é um absurdo.
07/05/2009 10:20
[rafael.slmb] [Brasilia,DF]
Ô Juca, vim visitar seu blog a fim de alguma novidade e vc me dá uma noticia de (mais) uma pataquada do nosso excelentissimo Sr. presidente da CBF. São esses os nossos representantes, Teixeiras, Nuzmans, Orlandos (tapioquinha), são essas as pessoas que querem organizar uma Copa do Mundo e uma Olimpiada.
07/05/2009 09:29
[De Vaneyo] [santos/sp]
Quais seriam os estadios"com privilégio" no Brasileirão,de estarem liberados da exigência legal? Alguem poderia informar?Quanto ao sr.Ricardo Teixeira, só mesmo processando-o por ser o responsavel da entidade organizadora do Campeonato e pregando a desobediência civil.
07/05/2009 09:15
[marangbh] [SP]
Ah tá, agora você se preocupou com a questão ingressos. Falou em CBF e Ricardo Teixeira, você vira o maoir defensor dos direitos do torcedor. Por que se calou sobre os INGRESSOS FALSOS na final do paulista, vendidos oficialmente pelo CURINTIA?
07/05/2009 08:20
[wildesentose] [Salvador-Bahia]
Qual é Juca, tanta coisa importante pra pensar e você insiste nessa frescura de assistir jogo sentadinho, isso é coisa de fresco, quem quer ficar sentadinho assistindo jogo fica em casa torcendo pela TV a cabo, torcedor brasileiro tem sangue latino nas artérias não come esse regue não.Convença ao torcedor brasileiro a assistir o jogo sentadinho no seu lugarzinho quietinho, bonitinho, fofinho...ahhhh isso é coisa de...de...de...deixa pra lá.
07/05/2009 07:44
[fabiopardo] [São Paulo]
E ainda queremos sediar uma Copa do Mundo... brincadeira. Estive na Alemanha na Copa do Mundo de 2006 e sinceramente não vejo como, em apenas cinco anos, mudarmos a mentalidade do nosso povo e principalmente de dirigentes e políticos brasileiros arrogantes e egocêntricos, que com certeza devem estar pensando em muita$ coisa$, menos no Futebol! Seja o que Deus quiser.
07/05/2009 01:36
[edualt] [Sp]
Mais uma lei fora da realidade e estupida. Em nenhum lugar do mundo todos os lugares sao numerados, mesmo na europa isso ocorre só nos jogos da UEFA. É claro que isso não dá razão pro casuismo.
07/05/2009 01:28
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segunda-feira, 30 de março de 2009
BEM GELADA !! Maioria dos torcedores quer venda de cerveja
http://www.diariodanoticia.com.br/not1.php?act=10&id=5486
Data: 30/03 | 01:28
Fonte: FUTEBOL PRESS.
Alguém já viu “defunto” enjeitar cova? Ou criança enjeitar sorvete? Nem pensar! Pois é, proibição da venda de cerveja nos estádios, uma iniciativa da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e Ministério Público para estancar a violência nos estádios não é aceita pelos torcedores de Mato Grosso. Em alguns estados, como Maranhão, Ceará, Santa Catarina e Pernambuco, as federações e Ministério Público assinaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) e a venda foi mantida sob monitoramento mais específico.Em Mato Grosso, não um caso sequer de violência, exceto poucos casos isolados onde algum torcedor foi detido por agressão. As torcidas Boa Suja, a maior organizada de Mato Grosso, do Mixto, e Independente, do Operário, tem extrapolado algumas vezes, mas não há ligação comprobatória de que isso tenha sido pela ingestão de bebida.A enquête que o site manteve no ar por 20 dias, perguntando ao internauta sobre sua opinião a respeito, a maioria esmagadora se manifestou pela manutenção da venda. Uma menor parte, 18% são a favor da proibição e menos de 12% acham que tanta faz. Mas 70,5% querem que os vendedores de cerveja retornem ao estádio.
Se houver boa-vontade da Federação em atender a vontade do torcedor, basta apenas procura o Ministério Público para administra a venda.
Os torcedores de Cuiabá e Rondonópolis, onde há rivalidade entre as equipes locais (Mixto x Operário e União x Vila Aurora) as torcidas não chegam ao ponto de cometer violência nas proporções de São Paulo e Rio de Janeiro – onde se justifica a norma proibitiva.
Em alguns estádio de Mato Grosso, como o GIgante do Norte, Passo da Ema eDutrinha, a cerveja é vendida normalamente. Na enquete que mostrou preferência apela cervejinha durante os jogos, foram 316 votos no total.
Data: 30/03 | 01:28
Fonte: FUTEBOL PRESS.
Alguém já viu “defunto” enjeitar cova? Ou criança enjeitar sorvete? Nem pensar! Pois é, proibição da venda de cerveja nos estádios, uma iniciativa da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e Ministério Público para estancar a violência nos estádios não é aceita pelos torcedores de Mato Grosso. Em alguns estados, como Maranhão, Ceará, Santa Catarina e Pernambuco, as federações e Ministério Público assinaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) e a venda foi mantida sob monitoramento mais específico.Em Mato Grosso, não um caso sequer de violência, exceto poucos casos isolados onde algum torcedor foi detido por agressão. As torcidas Boa Suja, a maior organizada de Mato Grosso, do Mixto, e Independente, do Operário, tem extrapolado algumas vezes, mas não há ligação comprobatória de que isso tenha sido pela ingestão de bebida.A enquête que o site manteve no ar por 20 dias, perguntando ao internauta sobre sua opinião a respeito, a maioria esmagadora se manifestou pela manutenção da venda. Uma menor parte, 18% são a favor da proibição e menos de 12% acham que tanta faz. Mas 70,5% querem que os vendedores de cerveja retornem ao estádio.
Se houver boa-vontade da Federação em atender a vontade do torcedor, basta apenas procura o Ministério Público para administra a venda.
Os torcedores de Cuiabá e Rondonópolis, onde há rivalidade entre as equipes locais (Mixto x Operário e União x Vila Aurora) as torcidas não chegam ao ponto de cometer violência nas proporções de São Paulo e Rio de Janeiro – onde se justifica a norma proibitiva.
Em alguns estádio de Mato Grosso, como o GIgante do Norte, Passo da Ema eDutrinha, a cerveja é vendida normalamente. Na enquete que mostrou preferência apela cervejinha durante os jogos, foram 316 votos no total.
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Discussão sobre organizadas
Discussão sobre organizadas
Martin Curi
Estive também no clássico vovô de ontem, com dois amigos alemães, e parece que tivemos sorte, porque passamos um pouco antes da briga pela rampa da UERJ. Ou seja, não vi os acontecimentos e por isso vou me referir exclusivamente às descrições do Cappelli.
Primeiramente temos que dizer que os acontecimentos são chocantes e tristes. Não quero defender nenhum dos envolvidos. Ao mesmo tempo, acho que precisamos analisar friamente para poder chegar a propostas para a organização do futebol brasileiro como esporte para espectadores. Continuo achando que as propostas que elaborei no artigo na Folha são as melhores e vou usar as descrições do Cappelli para exemplificar isto.
Me parece que a exigência principal do Cappelli é a extinção das torcidas organizadas em favor de um ‘novo’ modelo de torcer representado pela Legião Tricolor no caso do Fluminense, que se diz ‘não organizada’. Existem vários argumentos contra esta extinção das torcidas organizadas:
1. ‘Acabar com algo’ parece coisa de ditadura. A China e a Rússia fazem isso, mas um estado democrático não pode fazer. Por quê? Porque os cidadãos têm que ter o direito de se organizar e associar. Caso contrário, precisamos proibir qualquer clube, associação e coisas equivalentes. Ou seja, significa proibir a associação dos advogados, os partidos políticos, os sindicatos etc. Os sindicatos são talvez o maior exemplo que mostra como é necessário o direito de se organizar. As lutas deles também nem sempre foram tão pacíficas.
2. A proibição de uma organização só se justifica no caso da EVIDÊNCIA de ela ter na sua constituição um elemento criminoso. Isto não é o caso das torcidas organizadas. Todas as torcidas organizadas têm na sua convenção o apoio incondicional e apaixonado ao seu clube e não mencionam a violência. Os envolvidos na situação descrita pelo Cappelli podem ter tido camisas de torcidas organizadas, mas isto não significa que eles estavam representando as torcidas organizadas, nem que eles são membros de uma torcida organizada (a venda destas camisas é livre). Ou seja, eu posso decidir que quero prejudicar a torcida do Flamengo. Vou comprar uma camisa da Raça e vou ao estádio e começo uma briga. Em conseqüência a Raça vai ser extinta? O absurdo é óbvio. Infelizmente a estrutura de torcidas organizadas é muito complexa.
3. Neste momento entra o fator, que eu chamei no meu artigo da Folha de ‘pulverização’. Nos anos 1980 se começou na Alemanha a aumentar a repressão contra as torcidas organizadas (ou fã-clube, que é o termo local). Qual foi a reação? Os membros violentos saíram das torcidas organizadas e começaram a ir sem camisa da torcida ou do clube em grupos menores ou individualmente aos estádios. Isto sim foi o inferno para a polícia, que não sabia mais quem é quem. É interessante de ver, que a Legião Tricolor representa na verdade este fenômeno, porque eles não se percebem como grupo homogêneo. Não existe camisa deles. Eles vão numa forma ‘pulverizada’ ao estádio. Imaginem que acabem com as torcidas organizadas e os indivíduos violentos começem a entrar na Legião Tricolor, que não tem nenhum mecanismo para selecionar seus membros. Vai fazer o que? Proibir a Legião Tricolor, que nem existe, porque não é uma torcida organizada? Este caminho é um beco sem saída. Inclusive existe um grupo parecido com a Legião Tricolor em Porto Alegre chamado A Geral do Grêmio, que foi percebido como alternativa às torcidas organizada e hoje em dia e percebida como o novo grupo violento. Ou seja, precisamos de outras soluções.
4. Finalmente, não considero a Legião Tricolor (e outros como a Urubuzada, Loucos pelo Botafogo, Guerreiros do Almirante, Geral do Grêmio) como não organizada. O que define organização? O registro de sócios? Mas a elaboração de canções, as colocações de faixas, trapos, barras e bandeirinhas não precisam de organização? A Legião Tricolor tem um site muito bem elaborado: http://www.legiaotricolor.com.br/. Organizado é o que então? Claro que estas ações precisam de um mínimo de organização. Não é o termo ‘organizada’ que provoca a violência. Fã-clube, ultras, movimento popular ou associação de amigos do clube XYZ, todos eles podem se tornar violentos. Não estou acusando a Legião Tricolor de nada. Ao contrário: adoro eles. Só quero chamar a atenção para o perigo de ações como ‘acabar’ com algum grupo.
A conclusão é que não podemos perceber estas organizações como algo perigoso, violento, inútil, mas precisamos criar condições de incluir todos no espetáculo futebol, garantir o diálogo e atender as necessidades dos torcedores. Esta é a minha principal exigência: Não excluir (é isso o que significa a exigência de “acabar com eles”), mas finalmente incluir. Este me parece o único caminho. Por isso fiz a proposta no meu artigo de “uma entidade nacional, com pontos de atendimento locais, dotados de assistentes sociais profissionais, que crie um elo entre torcedores e instituições como governo, polícia, federações de esporte e clubes”.
A outra exigência no meu artigo são medidas arquitetônicas no estádio. Não posso relatar todos, mas posso listar algumas, que considero no caso específico do Maracanã importante:
1. Quando se construiu os camarotes VIP no Maracanã se fechou duas rampas. Isso diminuiu muito o escoamento das arquibancadas. O Maracanã não atende bem o fluxo das multidões que se movem dentro dele. Seria fundamental de abrir novamente estas rampas e, além disso, construir novas rampas em cima das rampas do anel inferior para garantir a evacuação rápida em casos de emergência.
2. O Cappelli relata que houve a tentativa da torcida do Fluminense de invadir o espaço da torcida do Botafogo. Bem, é triste, mas inevitável: precisamos de uma maior setorização. É possível construir barreiras arquitetônicas para impedir estas invasões. Além disso a arquibancada precisa de setores menores, dos quais se sabe a capacidade. Por exemplo: digamos no setor A cabem 1.000 pessoas. Então só pode vender mil ingressos para este setor e na entrada do setor precisa ficar alguém que controla, que só os portadores com ingressos escrito ‘setor A’ entrem. A partir daí podemos criar diferentes espaços: alguns para ficar em pé (para atender as necessidades das torcidas organizadas) e outros para ficar sentado (para atender as necessidades dos outros). Entre os setores tem de existir barreiras arquitetônicas. Se não, não funciona.
Outras medidas já estão sendo tomados no Rio: Uma maior segurança na hora da compra do ingresso e na entrada através de grades protetoras e renovação dos banheiros na época do Pan 2007.
A terceira medida que sugiro na Folha é um corpo especializado de agentes de segurança, que não são da polícia, mas em um uniforme leve. Pesquisas mostram, que pessoas reagem numa forma agressiva à estímulos agressivos como uniformes e armas. (O que não significa acabar com a polícia. Ela precisa estar presente, mas um pouco mais escondida). Além disso, é muito melhor ser atendido por pessoas que mostram o caminho e o lugar do que sendo mal tratado por repressores. Aliás, a setorização vai tornar estes ‘Stewards’, como são chamados na Inglaterra, necessários, porque as pessoas vão ter que procurar os seus lugares.
Tenho certeza que com estas medidas poderia se melhorar bastante a segurança nos estádios. Aliás: dentro do Maracanã já não acontece quase nada (ao contrário dos últimos confrontos que aconteceram em São Paulo, onde ainda não houve uma renovação). Os acontecimentos do clássico vovô foram fora do estádio.
Este é um outro problema. Na verdade é um problema que não está ligado nem as torcidas, nem ao futebol e não vai acabar nem com a extinção das torcidas nem do próprio futebol. É um problema brasileiro. Temos os bailes do corredor, onde luta lado A contra B, temos os comandos, temos os pitboys etc e se acabamos com todos eles é possível que os amigos do bairro A lutem contra os amigos do bairro B. A fala do ‘troglodita’ no texto do Cappelli é reveladora, porque mostra que ele sente que tem se defender. Esta é a verdade: o brasileiro não se sente protegido pelo seu estado por sua polícia e acha que precisa se autodefender. Este é um sentimento no Maracanã, em Ipanema e Bangu. Na verdade é necessária uma reforma da sociedade.
As ruas ao redor dos estádios são espaço livre e muito difícil de ser controlados. A extinção das torcidas não vai resolver este problema. Nem um Estatuto do Torcedor, que considera em dias de jogo toda a área de 5 km ao redor dos estádios área em qual a lei está em vigor. Ou seja, por exemplo: O Carlos Silva passa no dia do jogo com a mulher a Rua Francisco Xavier. Esta confessa ter traído ele. Ele enfia a porrada nela. A punição dele vai ser um ano de banimento dos estádios? Não pode ser.
Minha sugestão é que dentro do estádio sejam aplicadas as medidas sugeridas por mim. Fora do estádio temos uma tarefa maior: mudar a sociedade. Sendo que acredito que uma entidade que atende e inclui os torcedores já seria um bom passo para melhorar esta situação.
Esta postagem se refere aos seguintes artigos:
http://torcedoresbrasil.blogspot.com/2009/03/cadastro-de-torcedores-nao-e-solucao.html,
http://saladopano.blogspot.com/2009/03/focinheira-do-parreira-e-guerra-na-uerj.html,
http://www.fimdejogo.com.br/blog/2009/03/28/fluminense-e-botafogo-confusao-lamentavel/,
Martin Curi
Estive também no clássico vovô de ontem, com dois amigos alemães, e parece que tivemos sorte, porque passamos um pouco antes da briga pela rampa da UERJ. Ou seja, não vi os acontecimentos e por isso vou me referir exclusivamente às descrições do Cappelli.
Primeiramente temos que dizer que os acontecimentos são chocantes e tristes. Não quero defender nenhum dos envolvidos. Ao mesmo tempo, acho que precisamos analisar friamente para poder chegar a propostas para a organização do futebol brasileiro como esporte para espectadores. Continuo achando que as propostas que elaborei no artigo na Folha são as melhores e vou usar as descrições do Cappelli para exemplificar isto.
Me parece que a exigência principal do Cappelli é a extinção das torcidas organizadas em favor de um ‘novo’ modelo de torcer representado pela Legião Tricolor no caso do Fluminense, que se diz ‘não organizada’. Existem vários argumentos contra esta extinção das torcidas organizadas:
1. ‘Acabar com algo’ parece coisa de ditadura. A China e a Rússia fazem isso, mas um estado democrático não pode fazer. Por quê? Porque os cidadãos têm que ter o direito de se organizar e associar. Caso contrário, precisamos proibir qualquer clube, associação e coisas equivalentes. Ou seja, significa proibir a associação dos advogados, os partidos políticos, os sindicatos etc. Os sindicatos são talvez o maior exemplo que mostra como é necessário o direito de se organizar. As lutas deles também nem sempre foram tão pacíficas.
2. A proibição de uma organização só se justifica no caso da EVIDÊNCIA de ela ter na sua constituição um elemento criminoso. Isto não é o caso das torcidas organizadas. Todas as torcidas organizadas têm na sua convenção o apoio incondicional e apaixonado ao seu clube e não mencionam a violência. Os envolvidos na situação descrita pelo Cappelli podem ter tido camisas de torcidas organizadas, mas isto não significa que eles estavam representando as torcidas organizadas, nem que eles são membros de uma torcida organizada (a venda destas camisas é livre). Ou seja, eu posso decidir que quero prejudicar a torcida do Flamengo. Vou comprar uma camisa da Raça e vou ao estádio e começo uma briga. Em conseqüência a Raça vai ser extinta? O absurdo é óbvio. Infelizmente a estrutura de torcidas organizadas é muito complexa.
3. Neste momento entra o fator, que eu chamei no meu artigo da Folha de ‘pulverização’. Nos anos 1980 se começou na Alemanha a aumentar a repressão contra as torcidas organizadas (ou fã-clube, que é o termo local). Qual foi a reação? Os membros violentos saíram das torcidas organizadas e começaram a ir sem camisa da torcida ou do clube em grupos menores ou individualmente aos estádios. Isto sim foi o inferno para a polícia, que não sabia mais quem é quem. É interessante de ver, que a Legião Tricolor representa na verdade este fenômeno, porque eles não se percebem como grupo homogêneo. Não existe camisa deles. Eles vão numa forma ‘pulverizada’ ao estádio. Imaginem que acabem com as torcidas organizadas e os indivíduos violentos começem a entrar na Legião Tricolor, que não tem nenhum mecanismo para selecionar seus membros. Vai fazer o que? Proibir a Legião Tricolor, que nem existe, porque não é uma torcida organizada? Este caminho é um beco sem saída. Inclusive existe um grupo parecido com a Legião Tricolor em Porto Alegre chamado A Geral do Grêmio, que foi percebido como alternativa às torcidas organizada e hoje em dia e percebida como o novo grupo violento. Ou seja, precisamos de outras soluções.
4. Finalmente, não considero a Legião Tricolor (e outros como a Urubuzada, Loucos pelo Botafogo, Guerreiros do Almirante, Geral do Grêmio) como não organizada. O que define organização? O registro de sócios? Mas a elaboração de canções, as colocações de faixas, trapos, barras e bandeirinhas não precisam de organização? A Legião Tricolor tem um site muito bem elaborado: http://www.legiaotricolor.com.br/. Organizado é o que então? Claro que estas ações precisam de um mínimo de organização. Não é o termo ‘organizada’ que provoca a violência. Fã-clube, ultras, movimento popular ou associação de amigos do clube XYZ, todos eles podem se tornar violentos. Não estou acusando a Legião Tricolor de nada. Ao contrário: adoro eles. Só quero chamar a atenção para o perigo de ações como ‘acabar’ com algum grupo.
A conclusão é que não podemos perceber estas organizações como algo perigoso, violento, inútil, mas precisamos criar condições de incluir todos no espetáculo futebol, garantir o diálogo e atender as necessidades dos torcedores. Esta é a minha principal exigência: Não excluir (é isso o que significa a exigência de “acabar com eles”), mas finalmente incluir. Este me parece o único caminho. Por isso fiz a proposta no meu artigo de “uma entidade nacional, com pontos de atendimento locais, dotados de assistentes sociais profissionais, que crie um elo entre torcedores e instituições como governo, polícia, federações de esporte e clubes”.
A outra exigência no meu artigo são medidas arquitetônicas no estádio. Não posso relatar todos, mas posso listar algumas, que considero no caso específico do Maracanã importante:
1. Quando se construiu os camarotes VIP no Maracanã se fechou duas rampas. Isso diminuiu muito o escoamento das arquibancadas. O Maracanã não atende bem o fluxo das multidões que se movem dentro dele. Seria fundamental de abrir novamente estas rampas e, além disso, construir novas rampas em cima das rampas do anel inferior para garantir a evacuação rápida em casos de emergência.
2. O Cappelli relata que houve a tentativa da torcida do Fluminense de invadir o espaço da torcida do Botafogo. Bem, é triste, mas inevitável: precisamos de uma maior setorização. É possível construir barreiras arquitetônicas para impedir estas invasões. Além disso a arquibancada precisa de setores menores, dos quais se sabe a capacidade. Por exemplo: digamos no setor A cabem 1.000 pessoas. Então só pode vender mil ingressos para este setor e na entrada do setor precisa ficar alguém que controla, que só os portadores com ingressos escrito ‘setor A’ entrem. A partir daí podemos criar diferentes espaços: alguns para ficar em pé (para atender as necessidades das torcidas organizadas) e outros para ficar sentado (para atender as necessidades dos outros). Entre os setores tem de existir barreiras arquitetônicas. Se não, não funciona.
Outras medidas já estão sendo tomados no Rio: Uma maior segurança na hora da compra do ingresso e na entrada através de grades protetoras e renovação dos banheiros na época do Pan 2007.
A terceira medida que sugiro na Folha é um corpo especializado de agentes de segurança, que não são da polícia, mas em um uniforme leve. Pesquisas mostram, que pessoas reagem numa forma agressiva à estímulos agressivos como uniformes e armas. (O que não significa acabar com a polícia. Ela precisa estar presente, mas um pouco mais escondida). Além disso, é muito melhor ser atendido por pessoas que mostram o caminho e o lugar do que sendo mal tratado por repressores. Aliás, a setorização vai tornar estes ‘Stewards’, como são chamados na Inglaterra, necessários, porque as pessoas vão ter que procurar os seus lugares.
Tenho certeza que com estas medidas poderia se melhorar bastante a segurança nos estádios. Aliás: dentro do Maracanã já não acontece quase nada (ao contrário dos últimos confrontos que aconteceram em São Paulo, onde ainda não houve uma renovação). Os acontecimentos do clássico vovô foram fora do estádio.
Este é um outro problema. Na verdade é um problema que não está ligado nem as torcidas, nem ao futebol e não vai acabar nem com a extinção das torcidas nem do próprio futebol. É um problema brasileiro. Temos os bailes do corredor, onde luta lado A contra B, temos os comandos, temos os pitboys etc e se acabamos com todos eles é possível que os amigos do bairro A lutem contra os amigos do bairro B. A fala do ‘troglodita’ no texto do Cappelli é reveladora, porque mostra que ele sente que tem se defender. Esta é a verdade: o brasileiro não se sente protegido pelo seu estado por sua polícia e acha que precisa se autodefender. Este é um sentimento no Maracanã, em Ipanema e Bangu. Na verdade é necessária uma reforma da sociedade.
As ruas ao redor dos estádios são espaço livre e muito difícil de ser controlados. A extinção das torcidas não vai resolver este problema. Nem um Estatuto do Torcedor, que considera em dias de jogo toda a área de 5 km ao redor dos estádios área em qual a lei está em vigor. Ou seja, por exemplo: O Carlos Silva passa no dia do jogo com a mulher a Rua Francisco Xavier. Esta confessa ter traído ele. Ele enfia a porrada nela. A punição dele vai ser um ano de banimento dos estádios? Não pode ser.
Minha sugestão é que dentro do estádio sejam aplicadas as medidas sugeridas por mim. Fora do estádio temos uma tarefa maior: mudar a sociedade. Sendo que acredito que uma entidade que atende e inclui os torcedores já seria um bom passo para melhorar esta situação.
Esta postagem se refere aos seguintes artigos:
http://torcedoresbrasil.blogspot.com/2009/03/cadastro-de-torcedores-nao-e-solucao.html,
http://saladopano.blogspot.com/2009/03/focinheira-do-parreira-e-guerra-na-uerj.html,
http://www.fimdejogo.com.br/blog/2009/03/28/fluminense-e-botafogo-confusao-lamentavel/,
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quarta-feira, 25 de março de 2009
Cadastro de torcedores não é solução
Folha de São Paulo, 25.03.09, p.3
TENDÊNCIAS/DEBATES
MARTIN CURI
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O cadastro de torcedores tende a criminalizar os espectadores e transmite mensagem estigmatizante: esses sujeitos são perigosos
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O GOVERNO brasileiro anunciou recentemente, por meio do ministro do Esporte, Orlando Silva, a alteração do Estatuto do Torcedor. Os pontos centrais são três novas medidas: 1) a exigência de certos laudos de segurança para liberar o uso dos estádios; 2) uma tipificação legal de crimes esportivos; e 3) um cadastro nacional de torcedores. Essas alterações visam garantir um maior nível de segurança nos estádios do Brasil.
A maioria dessas medidas coloca o torcedor como um perigo potencial, que deve ser dominado, em vez de entender um evento de massa como uma ocasião de insegurança, na qual esse espectador deve ser protegido. O cadastro nacional de torcedores tende a criminalizar os espectadores, da mesma maneira como os Jecrims nos estádios (Juizado Especial Criminal), as grades, a vigilância e os circuitos de vídeo. Essas medidas transmitem uma mensagem estigmatizante: esses sujeitos que vão aos estádios são perigosos. Além disso, o cadastro de torcedores invade a privacidade dos indivíduos. Por causa de alguns poucos violentos, todos os espectadores devem sofrer tal exposição?
Enquanto isso, o problema, penso, é outro. Eventos de massa -não só eventos esportivos, mas também de música e religiosos, entre outros- são situações de insegurança latente e requerem medidas especiais. A primeira e mais importante refere-se à arquitetura do local, que deve ser segura, limpa e capaz de acomodar o fluxo das multidões que se formam. Como os incidentes da Fonte Nova (Bahia) e outros mais recentes em São Paulo demonstraram, isso ainda não é assegurado no Brasil.
A segunda medida necessária é um corpo de agentes de segurança qualificados e treinados para a configuração que os grandes eventos apresentam. Com o Gepe (Grupo Especial de Policiamento em Estádios), no Rio de Janeiro, já se tem boas experiências. Mas seria ainda melhor ter agentes civis, em vez de policiais, para diminuir os sinais agressivos ao público. Finalmente, é necessária uma entidade nacional, com pontos de atendimento locais, dotados de assistentes sociais profissionais, que crie um elo entre torcedores e instituições como governo, polícia, federações de esporte e clubes.
Essa entidade deveria atender as necessidades de torcedores, divulgar o conteúdo do Estatuto do Torcedor, que é plenamente desconhecido, e garantir um melhor fluxo de informações aos presentes. A ausência dessa entidade é, a meu ver, a grande lacuna do Estatuto do Torcedor.
Como já disse o major Marcelo Pessoa, ex-comandante do Gepe, é necessário tratar os torcedores com dignidade, pois são cidadãos, também consumidores, e não criminosos que devem ser fichados). Experiências na Europa mostram que o cadastro leva a uma pulverização das torcidas e as torna ainda menos controláveis. Melhor é um atendimento que reconheça as suas necessidades. Por isso a maioria dos países europeus não faz uso de um cadastro nacional e nem este é uma exigência da Fifa, como declarado pelo Ministério do Esporte. É apenas, em vista da experiência europeia, uma medida perdulária e inútil.
Além disso, é preciso ter cuidado para não destruir a rica cultura dos torcedores brasileiros, que transformam os jogos, com suas canções e bandeiras, naqueles espetáculos coloridos e emocionantes aos quais fomos acostumados. Na Inglaterra, onde não há mais torcidas organizadas e todos são obrigados a assistir aos jogos sentados, o relato mais comum é de que não há mais a bela "atmosfera" do futebol, apenas um espetáculo mercantilizado e pasteurizado do ponto de vista dos ditos "torcedores".
Esse não me parece um bom exemplo a ser seguido. Corremos, assim, o risco de produzir os mesmos "estádios-caixões" ingleses, a prosseguir a atual escalada de regularizações, proibições e sistemas de vigilância, em detrimento da democratização do espetáculo esportivo e da oferta das informações fundamentais para que os eventos evoluam de forma segura.
MARTIN CURI é mestre em sociologia pela Universidade de Hagen (Alemanha) e pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre Esporte e Sociedade da UFF (Universidade Federal Fluminense), em Niterói, RJ.
TENDÊNCIAS/DEBATES
MARTIN CURI
________________________________________
O cadastro de torcedores tende a criminalizar os espectadores e transmite mensagem estigmatizante: esses sujeitos são perigosos
________________________________________
O GOVERNO brasileiro anunciou recentemente, por meio do ministro do Esporte, Orlando Silva, a alteração do Estatuto do Torcedor. Os pontos centrais são três novas medidas: 1) a exigência de certos laudos de segurança para liberar o uso dos estádios; 2) uma tipificação legal de crimes esportivos; e 3) um cadastro nacional de torcedores. Essas alterações visam garantir um maior nível de segurança nos estádios do Brasil.
A maioria dessas medidas coloca o torcedor como um perigo potencial, que deve ser dominado, em vez de entender um evento de massa como uma ocasião de insegurança, na qual esse espectador deve ser protegido. O cadastro nacional de torcedores tende a criminalizar os espectadores, da mesma maneira como os Jecrims nos estádios (Juizado Especial Criminal), as grades, a vigilância e os circuitos de vídeo. Essas medidas transmitem uma mensagem estigmatizante: esses sujeitos que vão aos estádios são perigosos. Além disso, o cadastro de torcedores invade a privacidade dos indivíduos. Por causa de alguns poucos violentos, todos os espectadores devem sofrer tal exposição?
Enquanto isso, o problema, penso, é outro. Eventos de massa -não só eventos esportivos, mas também de música e religiosos, entre outros- são situações de insegurança latente e requerem medidas especiais. A primeira e mais importante refere-se à arquitetura do local, que deve ser segura, limpa e capaz de acomodar o fluxo das multidões que se formam. Como os incidentes da Fonte Nova (Bahia) e outros mais recentes em São Paulo demonstraram, isso ainda não é assegurado no Brasil.
A segunda medida necessária é um corpo de agentes de segurança qualificados e treinados para a configuração que os grandes eventos apresentam. Com o Gepe (Grupo Especial de Policiamento em Estádios), no Rio de Janeiro, já se tem boas experiências. Mas seria ainda melhor ter agentes civis, em vez de policiais, para diminuir os sinais agressivos ao público. Finalmente, é necessária uma entidade nacional, com pontos de atendimento locais, dotados de assistentes sociais profissionais, que crie um elo entre torcedores e instituições como governo, polícia, federações de esporte e clubes.
Essa entidade deveria atender as necessidades de torcedores, divulgar o conteúdo do Estatuto do Torcedor, que é plenamente desconhecido, e garantir um melhor fluxo de informações aos presentes. A ausência dessa entidade é, a meu ver, a grande lacuna do Estatuto do Torcedor.
Como já disse o major Marcelo Pessoa, ex-comandante do Gepe, é necessário tratar os torcedores com dignidade, pois são cidadãos, também consumidores, e não criminosos que devem ser fichados). Experiências na Europa mostram que o cadastro leva a uma pulverização das torcidas e as torna ainda menos controláveis. Melhor é um atendimento que reconheça as suas necessidades. Por isso a maioria dos países europeus não faz uso de um cadastro nacional e nem este é uma exigência da Fifa, como declarado pelo Ministério do Esporte. É apenas, em vista da experiência europeia, uma medida perdulária e inútil.
Além disso, é preciso ter cuidado para não destruir a rica cultura dos torcedores brasileiros, que transformam os jogos, com suas canções e bandeiras, naqueles espetáculos coloridos e emocionantes aos quais fomos acostumados. Na Inglaterra, onde não há mais torcidas organizadas e todos são obrigados a assistir aos jogos sentados, o relato mais comum é de que não há mais a bela "atmosfera" do futebol, apenas um espetáculo mercantilizado e pasteurizado do ponto de vista dos ditos "torcedores".
Esse não me parece um bom exemplo a ser seguido. Corremos, assim, o risco de produzir os mesmos "estádios-caixões" ingleses, a prosseguir a atual escalada de regularizações, proibições e sistemas de vigilância, em detrimento da democratização do espetáculo esportivo e da oferta das informações fundamentais para que os eventos evoluam de forma segura.
MARTIN CURI é mestre em sociologia pela Universidade de Hagen (Alemanha) e pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre Esporte e Sociedade da UFF (Universidade Federal Fluminense), em Niterói, RJ.
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terça-feira, 24 de março de 2009
A Dangerous Game
http://www.livinginperu.com/blogs/features/702
by
Larry J. Pitman
I slid into the taxi, adjusted my seat belt and asked the driver, “Is Universitario going to win tonight?” What I got for my short taxi ride was an animated discussion in very rapid Spanish about the trials and tribulations of being a fan of the Lima football club Universitario. He said that he was often frustrated in the past, but now they have got things together, and he was very hopeful for a win in the important game tonight against a team from Mexico. I listened with great sympathy to his diatribe and even threw in a few comments of my own. I have had many such conversations in the time I have been living in Peru.
Am I an expert on Peruvian football? No, not exactly.
Then, what was really going on? Well, Shortly after I arrived in Peru, I realized that I could connect with a lot of people (usually men) if I could talk about what was going on with football (soccer) in Peru. So every day for four years I have faithfully read the sports pages and kept up on what was happening. I have also been tutored by Luis Sanjines, a former star player and still a referee who sometimes drives for our family. Luis is extremely intelligent, has an encyclopedic memory and loves the game, but with a realistic eye. Luis has filled me in on a lot of the historical perspective of the game.
More than just connecting with other people, football has also given me a wonderful chance to practice my Spanish.
The taxi ride mentioned above is a good example. I get an instant lesson in listening to rapid Spanish spoken by a native. So for five soles (about U.S. 1.50) I get a ride and a free Spanish lesson. I’d say that is a bargain.
There is a downside to all this. Unknowingly I put myself in jeopardy.
When I first arrived in Peru, I thought that my wife’s family were fans ( hinchas in Spanish) of Universitario. So I decided that it might be a good idea to root for that club and keep family harmony. It turned out that I was wrong. There was a family split and a good number were supporters of Alianza Lima, bitter rivals of Universitario. So my conversation about the successes of La Crema (as Universatrio are known) met with a stony silence from some members of the family.
I was considering telling everybody that gringos are neutral when I thought of a completely new way to deal with the problem.
I looked for another Peruvian team that I really like and now started rooting for them.
Go Santos! Go San Martin!
by
Larry J. Pitman
I slid into the taxi, adjusted my seat belt and asked the driver, “Is Universitario going to win tonight?” What I got for my short taxi ride was an animated discussion in very rapid Spanish about the trials and tribulations of being a fan of the Lima football club Universitario. He said that he was often frustrated in the past, but now they have got things together, and he was very hopeful for a win in the important game tonight against a team from Mexico. I listened with great sympathy to his diatribe and even threw in a few comments of my own. I have had many such conversations in the time I have been living in Peru.
Am I an expert on Peruvian football? No, not exactly.
Then, what was really going on? Well, Shortly after I arrived in Peru, I realized that I could connect with a lot of people (usually men) if I could talk about what was going on with football (soccer) in Peru. So every day for four years I have faithfully read the sports pages and kept up on what was happening. I have also been tutored by Luis Sanjines, a former star player and still a referee who sometimes drives for our family. Luis is extremely intelligent, has an encyclopedic memory and loves the game, but with a realistic eye. Luis has filled me in on a lot of the historical perspective of the game.
More than just connecting with other people, football has also given me a wonderful chance to practice my Spanish.
The taxi ride mentioned above is a good example. I get an instant lesson in listening to rapid Spanish spoken by a native. So for five soles (about U.S. 1.50) I get a ride and a free Spanish lesson. I’d say that is a bargain.
There is a downside to all this. Unknowingly I put myself in jeopardy.
When I first arrived in Peru, I thought that my wife’s family were fans ( hinchas in Spanish) of Universitario. So I decided that it might be a good idea to root for that club and keep family harmony. It turned out that I was wrong. There was a family split and a good number were supporters of Alianza Lima, bitter rivals of Universitario. So my conversation about the successes of La Crema (as Universatrio are known) met with a stony silence from some members of the family.
I was considering telling everybody that gringos are neutral when I thought of a completely new way to deal with the problem.
I looked for another Peruvian team that I really like and now started rooting for them.
Go Santos! Go San Martin!
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domingo, 15 de março de 2009
Mais torcida, menos palavrões
15 de março de 2009. | N° 8376AlertaVoltar para a edição de hoje
CAPA
http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a2437704.xml&template=3898.dwt&edition=11907§ion=1350
Só com uma caminhada por um estádio dá para perceber que homens e mulheres se comportam de maneira claramente diferente na hora de torcer. Eufóricos, os homens não medem as palavras na hora xingar – juiz, técnico e até os jogadores do próprio time quando pisam na bola. E xingam bastante. Não importa que o placar esteja com dois gols a favor ou que aquela bola que sacudiu a rede foi originada escrachadamente em um passe irregular.
Elas, por sua vez, costumam ser mais contidas, algumas até delicadas. Dão apoio para o seu time, mas sem denegrir o adversário.
– A mulher tem outro tipo de intervenção, busca incentivar pelo lado positivo. Dificilmente uma torcedora xinga os jogadores – observa Vera Rodrigues, presidente do Instituto Figueirense de Assistência Social.
A diretora social do Avaí, Nesi Furlani, também percebe a diferença.
– O homem é nervoso, exaltado. A mulher é mais amena. Faz festa quando sai o gol, mas não se exalta quando algo dá errado – avalia.
Cada um na sua
Carina Beduschi, Miss Brasil 2005, é uma das ilustres torcedoras que costumam ir ao Orlando Scapelli acompanhar as partidas do Figueira. Sempre na companhia de amigos e familiares, a arquiteta de 24 anos segue para a casa do avô, no Bairro Estreito, que fica próximo ao Scarpelli, antes de ir ao estádio.
– Os jogos mais divertidos são os clássicos conta o Avaí.
As brincadeiras não se limitam ao ambiente de trabalho. Quis o destino que o caminho de Carina cruzasse com o do médico Roberto, um criciumense fanático.
Carina e Roberto nunca assistem de mãos dadas jogos dos respectivos clubes nos estádios. Ele segue direto para a arquibancada. Ela, para as cadeiras, local favorito das torcedoras.
diario.com.br
CAPA
http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a2437704.xml&template=3898.dwt&edition=11907§ion=1350
Só com uma caminhada por um estádio dá para perceber que homens e mulheres se comportam de maneira claramente diferente na hora de torcer. Eufóricos, os homens não medem as palavras na hora xingar – juiz, técnico e até os jogadores do próprio time quando pisam na bola. E xingam bastante. Não importa que o placar esteja com dois gols a favor ou que aquela bola que sacudiu a rede foi originada escrachadamente em um passe irregular.
Elas, por sua vez, costumam ser mais contidas, algumas até delicadas. Dão apoio para o seu time, mas sem denegrir o adversário.
– A mulher tem outro tipo de intervenção, busca incentivar pelo lado positivo. Dificilmente uma torcedora xinga os jogadores – observa Vera Rodrigues, presidente do Instituto Figueirense de Assistência Social.
A diretora social do Avaí, Nesi Furlani, também percebe a diferença.
– O homem é nervoso, exaltado. A mulher é mais amena. Faz festa quando sai o gol, mas não se exalta quando algo dá errado – avalia.
Cada um na sua
Carina Beduschi, Miss Brasil 2005, é uma das ilustres torcedoras que costumam ir ao Orlando Scapelli acompanhar as partidas do Figueira. Sempre na companhia de amigos e familiares, a arquiteta de 24 anos segue para a casa do avô, no Bairro Estreito, que fica próximo ao Scarpelli, antes de ir ao estádio.
– Os jogos mais divertidos são os clássicos conta o Avaí.
As brincadeiras não se limitam ao ambiente de trabalho. Quis o destino que o caminho de Carina cruzasse com o do médico Roberto, um criciumense fanático.
Carina e Roberto nunca assistem de mãos dadas jogos dos respectivos clubes nos estádios. Ele segue direto para a arquibancada. Ela, para as cadeiras, local favorito das torcedoras.
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Projeto Torcida Legal é lançado no Palácio do Planalto
13/03/2009 às 17:40h -
http://portal.esporte.gov.br/ascom/noticia_detalhe.jsp?idnoticia=5453
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro do Esporte, Orlando Silva, e o ministro da Justiça, Tarso Genro, lançaram hoje (13/03), no Palácio do Planalto, o projeto Torcida Legal – medidas para segurança e conforto dos torcedores. A iniciativa é um pacote de três ações que valorizam o futebol como patrimônio cultural e qualificam o Brasil para a preparação da Copa do Mundo de 2014.
O Torcida Legal, segundo o ministro Orlando Silva, surgiu do diálogo com o Ministério da Justiça, Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União (CNPG). “Nós acreditamos que o ambiente que se cria no país, a expectativa da realização do maior evento do planeta, que é a Copa do Mundo em 2014 no Brasil, deve nos motivar a interferir em vários planos”.
Silva afirmou que é preciso aproveitar a mobilização nacional para mudar o ambiente social, a cultura e o comportamento que existe em torno do futebol. Por isso, a primeira dessas medidas é o projeto de lei que será encaminhado ao Congresso Nacional, tipificando criminalmente uma série de condutas que atrapalham nosso futebol. “É inadmissível que nós continuemos a assistir conflitos e brigas em estádios que muitas vezes têm levado a ceifar vidas”, disse o ministro.
Atitudes violentas da torcida e fraudes em resultados de jogos serão considerados crimes passíveis de punição. Um torcedor que promover tumulto, praticar atos de violência ou portar instrumentos perigosos em eventos esportivos, por exemplo, pode pegar de um a dois anos de reclusão e multa. Caso o réu seja primário, o juiz converterá as penas de prisão em banimento dos estádios por um prazo de três meses a três anos.
Além disso, incorre em conduta criminosa a pessoa que aceitar ou prometer vantagem para fraudar o placar dos jogos. Outro crime tipificado pelo projeto é a venda irregular de ingressos, conhecida como cambismo.
Outra questão abordada pelo Torcida Legal é a estrutura dos estádios. O presidente Lula assinou um decreto que regulamenta o artigo 23 do Estatuto de Defesa do Torcedor, determinando a exigencia de quatro laudos para o funcionamento das arenas: de segurança, de proteção contra incêndio, de condições sanitárias e de engenharia. O ministro falou da necessidade da unificação dos laudos. “Ocorre que hoje não há um padrão, não há um laudo que exija detalhamento. Muitas vezes observamos a precariedade dessas informações. Ainda introduzimos a exigência de um quarto laudo, que é o de engenharia, para apurar a situação da infra-estrutura, de modo a garantir segurança e conforto dos nossos torcedores”, afirmou.
A terceira medida que integra o Torcida Legal é a assinatura de um Termo de Cooperação entre os ministérios do Esporte e da Justiça, CBF, CNJ e CNPG. A ação vai facilitar o controle de acesso e monitoramento de torcedores, de modo que aqueles que cometerem infrações sejam identificados e punidos. Para facilitar a identificação dos torcedores, o Ministério do Esporte vai criar um sistema nacional de cadastro de torcedores, que vai exigir o uso de uma carteirinha na compra do ingresso e entrada na arena.
O sistema de controle do acesso e monitoramento por câmeras estarão implantados nos estádios brasileiros no inicio do Campeonato Brasileiro de 2010. Mas o cadastramento dos torcedores começa em julho deste ano. “Não há tempo limite e a qualquer momento ele será feito. Nós queremos buscar boas práticas, boas experiências. Essas medidas vão ajudar muito para acabar com o anonimato e punir os responsáveis pelo tumulto”, ressalta Orlando Silva.
O presidente Lula afirmou que as medidas são favoráveis aos torcedores. “Se ele [o torcedor] souber que está sendo monitorado, e que se ele cometer uma arte qualquer, alguém vai estar olhando ele, alguém vai identificá-lo e alguém vai pegá-lo na porta do estádio, a gente pode colocar todo mundo junto”.
Outra vantagem do sistema de acesso aos estádio é que ele vai facilitar a aquisição de ingressos. A idéia do governo federal é integrar a rede do Ministério do Esporte com a Caixa Econômica Federal, para que os bilhetes sejam vendidos nas Casas Lotéricas.
O corregedor do CNJ, ministro Gilson Dipp, afirmou que o conselho levará a Justiça ao futebol, através da instalação de Juizados Especiais Criminais móveis em todos os estádios brasileiros. “Essa medida vai aproximar o cidadão do Judiciário”, disse o jurista. O ministro do Esporte elogiou a iniciativa e disse que ela vai ajudar a dirimir rapidamente os conflitos.
O ministro Orlando Silva ressaltou ainda que o Torcida Legal vai qualificar a segurança e o conforto nos estádios do Brasil. “Assim, além da Copa do Mundo, o projeto vai contribuir com o reforço das receitas dos clubes, fortalecer a economia do nosso futebol e nossos clubes, trazendo de volta a família aos estádios”. Ele também chamou atenção para a importância do apoio e do diálogo com os clubes, as federações e as torcidas organizadas.
Clara Mousinho
Foto: Aldo Dias
Ascom - Ministério do Esporte
http://portal.esporte.gov.br/ascom/noticia_detalhe.jsp?idnoticia=5453
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro do Esporte, Orlando Silva, e o ministro da Justiça, Tarso Genro, lançaram hoje (13/03), no Palácio do Planalto, o projeto Torcida Legal – medidas para segurança e conforto dos torcedores. A iniciativa é um pacote de três ações que valorizam o futebol como patrimônio cultural e qualificam o Brasil para a preparação da Copa do Mundo de 2014.
O Torcida Legal, segundo o ministro Orlando Silva, surgiu do diálogo com o Ministério da Justiça, Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União (CNPG). “Nós acreditamos que o ambiente que se cria no país, a expectativa da realização do maior evento do planeta, que é a Copa do Mundo em 2014 no Brasil, deve nos motivar a interferir em vários planos”.
Silva afirmou que é preciso aproveitar a mobilização nacional para mudar o ambiente social, a cultura e o comportamento que existe em torno do futebol. Por isso, a primeira dessas medidas é o projeto de lei que será encaminhado ao Congresso Nacional, tipificando criminalmente uma série de condutas que atrapalham nosso futebol. “É inadmissível que nós continuemos a assistir conflitos e brigas em estádios que muitas vezes têm levado a ceifar vidas”, disse o ministro.
Atitudes violentas da torcida e fraudes em resultados de jogos serão considerados crimes passíveis de punição. Um torcedor que promover tumulto, praticar atos de violência ou portar instrumentos perigosos em eventos esportivos, por exemplo, pode pegar de um a dois anos de reclusão e multa. Caso o réu seja primário, o juiz converterá as penas de prisão em banimento dos estádios por um prazo de três meses a três anos.
Além disso, incorre em conduta criminosa a pessoa que aceitar ou prometer vantagem para fraudar o placar dos jogos. Outro crime tipificado pelo projeto é a venda irregular de ingressos, conhecida como cambismo.
Outra questão abordada pelo Torcida Legal é a estrutura dos estádios. O presidente Lula assinou um decreto que regulamenta o artigo 23 do Estatuto de Defesa do Torcedor, determinando a exigencia de quatro laudos para o funcionamento das arenas: de segurança, de proteção contra incêndio, de condições sanitárias e de engenharia. O ministro falou da necessidade da unificação dos laudos. “Ocorre que hoje não há um padrão, não há um laudo que exija detalhamento. Muitas vezes observamos a precariedade dessas informações. Ainda introduzimos a exigência de um quarto laudo, que é o de engenharia, para apurar a situação da infra-estrutura, de modo a garantir segurança e conforto dos nossos torcedores”, afirmou.
A terceira medida que integra o Torcida Legal é a assinatura de um Termo de Cooperação entre os ministérios do Esporte e da Justiça, CBF, CNJ e CNPG. A ação vai facilitar o controle de acesso e monitoramento de torcedores, de modo que aqueles que cometerem infrações sejam identificados e punidos. Para facilitar a identificação dos torcedores, o Ministério do Esporte vai criar um sistema nacional de cadastro de torcedores, que vai exigir o uso de uma carteirinha na compra do ingresso e entrada na arena.
O sistema de controle do acesso e monitoramento por câmeras estarão implantados nos estádios brasileiros no inicio do Campeonato Brasileiro de 2010. Mas o cadastramento dos torcedores começa em julho deste ano. “Não há tempo limite e a qualquer momento ele será feito. Nós queremos buscar boas práticas, boas experiências. Essas medidas vão ajudar muito para acabar com o anonimato e punir os responsáveis pelo tumulto”, ressalta Orlando Silva.
O presidente Lula afirmou que as medidas são favoráveis aos torcedores. “Se ele [o torcedor] souber que está sendo monitorado, e que se ele cometer uma arte qualquer, alguém vai estar olhando ele, alguém vai identificá-lo e alguém vai pegá-lo na porta do estádio, a gente pode colocar todo mundo junto”.
Outra vantagem do sistema de acesso aos estádio é que ele vai facilitar a aquisição de ingressos. A idéia do governo federal é integrar a rede do Ministério do Esporte com a Caixa Econômica Federal, para que os bilhetes sejam vendidos nas Casas Lotéricas.
O corregedor do CNJ, ministro Gilson Dipp, afirmou que o conselho levará a Justiça ao futebol, através da instalação de Juizados Especiais Criminais móveis em todos os estádios brasileiros. “Essa medida vai aproximar o cidadão do Judiciário”, disse o jurista. O ministro do Esporte elogiou a iniciativa e disse que ela vai ajudar a dirimir rapidamente os conflitos.
O ministro Orlando Silva ressaltou ainda que o Torcida Legal vai qualificar a segurança e o conforto nos estádios do Brasil. “Assim, além da Copa do Mundo, o projeto vai contribuir com o reforço das receitas dos clubes, fortalecer a economia do nosso futebol e nossos clubes, trazendo de volta a família aos estádios”. Ele também chamou atenção para a importância do apoio e do diálogo com os clubes, as federações e as torcidas organizadas.
Clara Mousinho
Foto: Aldo Dias
Ascom - Ministério do Esporte
sexta-feira, 13 de março de 2009
Governo anuncia medidas para aumentar segurança nos estádios
12/03/2009 às 19:00h -
http://portal.esporte.gov.br/ascom/noticia_detalhe.jsp?idnoticia=5451
O ministro do Esporte, Orlando Silva, explicou hoje (12/03) em uma coletiva de imprensa três ações do governo federal para manter a segurança nos estádios brasileiros. O lançamento das medidas acontece amanhã (13/03), às 10h, no Palácio do Planalto, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinará um decreto que estabelece quatro laudos de funcionamento dos estádios e um projeto de lei que tipifica crimes esportivos. Além disso, durante a cerimônia, Silva assina um termo de cooperação em conjunto com o Ministério da Justiça, Conselho Nacional da Justiça (CNJ), Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União (CNPG).
O PL que o presidente Lula assina amanhã e encaminha ao Congresso Nacional altera o Estatuto de Defesa do Torcedor (Lei 10.671/2003) e tipifica como crime ações hoje inimputáveis tais como tumultos, manipulação de resultados de jogos e venda irregular de ingressos. O projeto conceitua torcida organizada e define as obrigações que cada uma delas terá que cumprir, como efetuar o cadastro atualizado de todos associados e membros.
“Esse projeto de lei, na prática, cria uma espécie de direito esportivo penal e incorpora penalidades a determinadas condutas anti-sociais e que ferem o sentido do esporte. Vejam que de 2003 a 2009, a cada dois meses, em média morreu um torcedor a partir de situações de jogo”, afirmou Orlando Silva.
Já o decreto, que também será assinado pelo presidente Lula, determina quais laudos técnicos de vistoria serão exigidos para liberar um estádio para espetáculos com mais de 10 mil torcedores. Será obrigatória a apresentação de quatro laudos nas áreas de segurança, engenharia, proteção contra incêndios e condições sanitárias. Caso o laudo de engenharia recomende, será exigido, ainda, o laudo de estabilidade estrutural.
O Termo de Cooperação Técnica visa a implantação da política nacional de segurança e prevenção da violência nos espetáculos de futebol. Inclui o cadastramento e monitoramento dos torcedores nos estádios. A ação é o cumprimento de parte das garantias de segurança apresentadas pelo governo brasileiro para a realização da Copa das Confederações de 2013 e da Copa do Mundo FIFA – 2014.
Segundo o ministro do Esporte, Orlando Silva, o cadastramento de torcedores vai inibir uma conduta que fere a convivência democrática e o espírito esportivo. “Além disso, vamos criar condições para o Brasil realizar a maior Copa do Mundo da história”, disse.
O controle de acesso aos estádios de futebol, a instalação de catracas e câmeras filmadoras dentro dos estádios e a implantação da central de monitoramento têm como objetivo proporcionar mais segurança e conforto aos torcedores.
O acordo de cooperação que será aplicado no Brasil segue o exemplo de experiências positivas adotadas por outros países, como a do governo inglês. Ele conseguiu combater a violência dos hollingans, um dos grupos de torcedores de times de futebol mais violentos do mundo.
Rio Grande do Sul é pioneiro no cadastramento de torcedores
Com mais de 85 mil inscritos entre associados e torcedores, o Internacional Sport Clube, de Porto Alegre (RS), é pioneiro no sistema de cadastro de torcedores. Eles são identificados como sócios, torcidas organizadas, menores e idosos e, para entrar no estádio de futebol, usam carteira pessoal e intransferível. No caso das torcidas organizadas, cada torcedor possui carteira de identificação com foto. Para entrar no estádio é exigida a comprovação de digital, além da carteira de identificação.
Em agosto de 2008, o Beira Rio, estádio do Internacional, ganhou um posto da Polícia Civil e um Juizado Especial Criminal (um Posto de Triagem da Polícia Militar já funciona lá há vários anos). Em dezembro do mesmo ano, o time enfrentou em casa o Estudiantes, da Argentina, pela Copa Sul-Americana. Para um público significativo de 52 mil torcedores, todos cadastrados, foram registrados apenas três incidentes leves.
Foto: Francisco Medeiros
Ascom - Ministério do Esporte
http://portal.esporte.gov.br/ascom/noticia_detalhe.jsp?idnoticia=5451
O ministro do Esporte, Orlando Silva, explicou hoje (12/03) em uma coletiva de imprensa três ações do governo federal para manter a segurança nos estádios brasileiros. O lançamento das medidas acontece amanhã (13/03), às 10h, no Palácio do Planalto, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinará um decreto que estabelece quatro laudos de funcionamento dos estádios e um projeto de lei que tipifica crimes esportivos. Além disso, durante a cerimônia, Silva assina um termo de cooperação em conjunto com o Ministério da Justiça, Conselho Nacional da Justiça (CNJ), Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União (CNPG).
O PL que o presidente Lula assina amanhã e encaminha ao Congresso Nacional altera o Estatuto de Defesa do Torcedor (Lei 10.671/2003) e tipifica como crime ações hoje inimputáveis tais como tumultos, manipulação de resultados de jogos e venda irregular de ingressos. O projeto conceitua torcida organizada e define as obrigações que cada uma delas terá que cumprir, como efetuar o cadastro atualizado de todos associados e membros.
“Esse projeto de lei, na prática, cria uma espécie de direito esportivo penal e incorpora penalidades a determinadas condutas anti-sociais e que ferem o sentido do esporte. Vejam que de 2003 a 2009, a cada dois meses, em média morreu um torcedor a partir de situações de jogo”, afirmou Orlando Silva.
Já o decreto, que também será assinado pelo presidente Lula, determina quais laudos técnicos de vistoria serão exigidos para liberar um estádio para espetáculos com mais de 10 mil torcedores. Será obrigatória a apresentação de quatro laudos nas áreas de segurança, engenharia, proteção contra incêndios e condições sanitárias. Caso o laudo de engenharia recomende, será exigido, ainda, o laudo de estabilidade estrutural.
O Termo de Cooperação Técnica visa a implantação da política nacional de segurança e prevenção da violência nos espetáculos de futebol. Inclui o cadastramento e monitoramento dos torcedores nos estádios. A ação é o cumprimento de parte das garantias de segurança apresentadas pelo governo brasileiro para a realização da Copa das Confederações de 2013 e da Copa do Mundo FIFA – 2014.
Segundo o ministro do Esporte, Orlando Silva, o cadastramento de torcedores vai inibir uma conduta que fere a convivência democrática e o espírito esportivo. “Além disso, vamos criar condições para o Brasil realizar a maior Copa do Mundo da história”, disse.
O controle de acesso aos estádios de futebol, a instalação de catracas e câmeras filmadoras dentro dos estádios e a implantação da central de monitoramento têm como objetivo proporcionar mais segurança e conforto aos torcedores.
O acordo de cooperação que será aplicado no Brasil segue o exemplo de experiências positivas adotadas por outros países, como a do governo inglês. Ele conseguiu combater a violência dos hollingans, um dos grupos de torcedores de times de futebol mais violentos do mundo.
Rio Grande do Sul é pioneiro no cadastramento de torcedores
Com mais de 85 mil inscritos entre associados e torcedores, o Internacional Sport Clube, de Porto Alegre (RS), é pioneiro no sistema de cadastro de torcedores. Eles são identificados como sócios, torcidas organizadas, menores e idosos e, para entrar no estádio de futebol, usam carteira pessoal e intransferível. No caso das torcidas organizadas, cada torcedor possui carteira de identificação com foto. Para entrar no estádio é exigida a comprovação de digital, além da carteira de identificação.
Em agosto de 2008, o Beira Rio, estádio do Internacional, ganhou um posto da Polícia Civil e um Juizado Especial Criminal (um Posto de Triagem da Polícia Militar já funciona lá há vários anos). Em dezembro do mesmo ano, o time enfrentou em casa o Estudiantes, da Argentina, pela Copa Sul-Americana. Para um público significativo de 52 mil torcedores, todos cadastrados, foram registrados apenas três incidentes leves.
Foto: Francisco Medeiros
Ascom - Ministério do Esporte
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Grêmio pede aos torcedores que fiquem sentados durante os jogos
22/02/09 - 10h00 - Atualizado em 22/02/09 - 10h00
Clube distribui panfleto com pedidos para que todos os gremistas consigam assistir às partidas sem problemas no Olímpico
Alexandre Alliatti
A torcida que não cansa de fazer barulho recebeu neste sábado, antes do jogo contra o Juventude, um pedido inusitado da diretoria do Grêmio: que fique sentada durante as partidas. O clube tricolor distribuiu um panfleto com medidas para que todos os gremistas frequentadores do Olímpico possam acompanhar os jogos sem problemas. A solicitação abrange todos os setores do estádio.
Confira a íntegra do texto:
"Gremista de fé respeita todos os gremistas
O Grêmio quer que todo torcedor que frequenta o Olímpico possa torcer com tranquilidade, conforto e segurança. Por isso, preste atenção nas seguintes medidas que visam conservar o bem-estar de todos no estádio:
Permaneça sentado nas arquibancadas e cadeiras durante a partida, para não atrapalhar quem está atrás de você. Não esqueça que nem todos os torcedores têm condições físicas de acompanhar um jogo inteiro em pé.
Esse pedido vale também para os torcedores que se colocam em frente à mureta, pois acabam fazendo com que aqueles que sentam nas arquibancadas mais baixas precisem levantar, e assim por diante, até os degraus mais altos.
Se você está no anel superior do estádio, procure sentar na sua cadeira.
Caso você esteja sentado em outra cadeira e o locatário dela chegue, aja com educação e troque de lugar. É direito dos locatários ocupar a sua cadeira, a qualquer momento".
Em partidas recentes, seguranças do Grêmio retiraram torcedores que estavam nas muretas. Já era uma medida do clube para auxiliar os gremistas que preferem ver as partidas sentados.
Clube distribui panfleto com pedidos para que todos os gremistas consigam assistir às partidas sem problemas no Olímpico
Alexandre Alliatti
A torcida que não cansa de fazer barulho recebeu neste sábado, antes do jogo contra o Juventude, um pedido inusitado da diretoria do Grêmio: que fique sentada durante as partidas. O clube tricolor distribuiu um panfleto com medidas para que todos os gremistas frequentadores do Olímpico possam acompanhar os jogos sem problemas. A solicitação abrange todos os setores do estádio.
Confira a íntegra do texto:
"Gremista de fé respeita todos os gremistas
O Grêmio quer que todo torcedor que frequenta o Olímpico possa torcer com tranquilidade, conforto e segurança. Por isso, preste atenção nas seguintes medidas que visam conservar o bem-estar de todos no estádio:
Permaneça sentado nas arquibancadas e cadeiras durante a partida, para não atrapalhar quem está atrás de você. Não esqueça que nem todos os torcedores têm condições físicas de acompanhar um jogo inteiro em pé.
Esse pedido vale também para os torcedores que se colocam em frente à mureta, pois acabam fazendo com que aqueles que sentam nas arquibancadas mais baixas precisem levantar, e assim por diante, até os degraus mais altos.
Se você está no anel superior do estádio, procure sentar na sua cadeira.
Caso você esteja sentado em outra cadeira e o locatário dela chegue, aja com educação e troque de lugar. É direito dos locatários ocupar a sua cadeira, a qualquer momento".
Em partidas recentes, seguranças do Grêmio retiraram torcedores que estavam nas muretas. Já era uma medida do clube para auxiliar os gremistas que preferem ver as partidas sentados.
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