terça-feira, 2 de março de 2010

Ônibus de torcidas ficaram sem escolta até hora da briga

Folha de São Paulo, terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

DA AGÊNCIA FOLHA, EM CAMPINAS
DA REPORTAGEM LOCAL

Um procedimento comum empregado pela Polícia Militar para evitar conflitos entre torcidas não foi adotado anteontem, no confronto em Jundiaí.
Nem o ônibus com torcedores do Palmeiras nem o outro, com são-paulinos, contavam com escolta da PM no trajeto que faziam em direção ao interior paulista. A escolta só ocorreu após o confronto, que envolveu cerca de cem torcedores de subsedes do interior das torcidas organizadas Mancha Alviverde e Independente.
"O problema foi que quem organizou esses ônibus fretados não comunicou a polícia, como fazem as organizadas de São Paulo. Se isso tivesse ocorrido, teríamos designado a escolta da Polícia Rodoviária", disse o capitão Marcel Soffner, assessor de imprensa da PM.
O encontro entre os ônibus das torcidas rivais ocorreu anteontem à noite, em um posto próximo ao km 58 da rodovia dos Bandeirantes, em Jundiaí.
Segundo a PM, um são-paulino atirou contra os palmeirenses, entre eles Alex Furlan de Santana, 29, que morreu antes de chegar ao hospital.
O são-paulino Rafael Proette, 26, teve a mão direita amputada após a explosão de uma bomba caseira. (MS, SM E MB)

PAPELADA: SECRETARIA DE SEGURANÇA DO ESTADO PEDE RELATÓRIO À POLÍCIA

Folha de São Paulo, terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O secretário da Segurança Pública da gestão José Serra (PSDB), Antonio Ferreira Pinto, determinou que o Comando Geral da Polícia Militar produza para amanhã um relatório sobre as brigas das torcidas. Para o secretário, a realização de clássicos em estádios menores, como o Parque Antarctica, torna os jogos mais tensos para os torcedores. Em sua avaliação, os confrontos entre são-paulinos e palmeirenses devem ser encarados com atenção especial por sua gestão e precisam ser combatidos para que não se tornem rotina.

Torcedores brigam perto do estádio

Folha de São Paulo, segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

DA REPORTAGEM LOCAL

A torcida do Palmeiras deu sequência ontem ao protesto realizado na véspera do clássico contra a diretoria do time. Depois, no decorrer do primeiro tempo, torcedores de ambos os clubes entraram em conflito nos arredores do Parque Antarctica. Palmeirenses e são-paulinos que foram ao palco do clássico sem ingresso se encontraram nas proximidades da rua Padre Tomás, atrás do estádio.
Houve pancadaria generalizada. Segundo funcionário da Companhia de Engenharia de Tráfego, a confusão só terminou com a chegada da Polícia Militar, que utilizou gás para dispersar o tumulto.
Dois são-paulinos ficaram feridos no confronto e foram encaminhados à Santa Casa. Não havia, até o fechamento desta edição, informação sobre o estado de saúde deles.
"Você percebe a predisposição desses torcedores para o confronto. A PM fez toda a cobertura necessária", disse o promotor Paulo Castilho.
Antes de o clássico começar, membros da Mancha Alviverde penduraram na rua em frente ao estádio as faixas que levaram anteontem ao CT do Palmeiras, em protesto pela demissão do técnico Muricy Ramalho. (RC E RBU)

"O clube não tem o que fazer", afirma Belluzzo

Folha de São Paulo, terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

RENAN CACIOLI
DA REPORTAGEM LOCAL

O presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, isentou os clubes de culpa pela violência protagonizada por suas torcidas organizadas.
"O que o clube pode fazer? Ele tem poder de polícia? Pode prender, processar? O clube é uma entidade civil sem fins lucrativos", disse o dirigente, que ficou sabendo pela reportagem dos incidentes ocorridos antes, durante e depois do clássico.
O mandatário palmeirense disse que, "enquanto o problema for empurrado com a barriga, serão feitas sempre as mesmas perguntas". "Tem legislação parada no Congresso para isso. Alguém vota?", questionou o cartola.
Belluzzo também disse ser impossível controlar a relação promíscua entre alguns dirigentes do clube e membros das facções, a exemplo do que ele mesmo admitiu ocorrer no Palmeiras.
"O que eu posso fazer é abrir uma sindicância interna, apontar que a pessoa tem ligação [com a torcida]. Mas isso é crime? Não posso expulsar o cara do clube ou obrigá-lo a deixar de ter [ligação com a organizada]. Não tenho poder para mudar a conduta dele", afirmou.
Historicamente, a Mancha Alviverde tem ligação política com o Palmeiras. Alguns de seus integrantes já fazem parte do Conselho Deliberativo, que é responsável, entre outras coisas, por escolher o presidente da agremiação.
Belluzzo também voltou a negar que declarações suas dadas durante a festa de aniversário da escola de samba Mancha Verde, em outubro do ano passado, possam ter influenciado a conduta violenta dos torcedores. Na ocasião, o dirigente afirmou: "Vamos matar os bâmbis". Esse é o apelido pelo qual os rivais chamam o São Paulo.
"Já disse que isso foi dito no contexto do futebol." Questionado se essa interpretação ficou clara para a massa de torcedores presentes àquela festa, Belluzzo declarou que sim. "Qualquer débil mental entendeu isso."

Polícia busca mais suspeitos no interior de SP

Folha de São Paulo, quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

MAURÍCIO SIMIONATO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CAMPINAS

Após prender dois suspeitos pela morte de um palmeirense, a Polícia Civil busca em pelo menos seis cidades do interior de São Paulo outros integrantes da torcida organizada Independente que participaram da briga contra a Mancha Alviverde no domingo, na rodovia dos Bandeirantes, em Jundiaí (36 km de São Paulo).
Além de ter provocado a morte de Alex Furlan de Santana, 29, a briga entre as duas torcidas deixou 12 feridos.
Um são-paulino, Rafael Vinícius Moura Proette, 26, perdeu uma parte da mão direita após a explosão de uma bomba de fabricação caseira. O torcedor, que estava internado no Hospital São Vicente de Paulo, em Jundiaí, desde o domingo à noite, teve alta hospitalar ontem. Foi ouvido pela polícia e negou que tenha atirado o artefato.
Para a polícia, a briga entre são-paulinos e palmeirenses pode ter sido premeditada.
Anteontem, foram presos em São Carlos dois suspeitos de participação no crime. Membros da Independente, eles confessaram ter participado da briga. No entanto, o empresário Evandro Magno Vicentini Júnior, 29, e um adolescente, de 17 anos, negaram o crime. Vicentini continua preso, e o adolescente está numa unidade para menores de São Carlos.
O jovem admitiu ter feito dois disparos durante a briga. Segundo ele, ninguém foi atingido, pois um tiro foi dado para cima e o outro, para o chão. Na casa do empresário, a polícia apreendeu duas espingardas cartucheiras, que passarão por perícia.
Segundo Armando Bertini Júnior, advogado dos dois suspeitos, o tiro que matou o integrante da Mancha Alviverde não partiu de nenhuma das armas apreendidas na casa de Vicentini Júnior.
Segundo o delegado da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Jundiaí Antonio Dota Júnior, responsável pelo caso, os membros da Independente que participaram da briga viajaram para assistir ao jogo em ônibus e vans que partiram de São José do Rio Preto e apanharam torcedores em outras cidades, como Piracicaba, Limeira, Campinas e Araras.
O comando da Polícia Rodoviária Estadual informou ontem que policiais fizeram quatro disparos durante a briga na tentativa de dispersar o confronto. Um dos tiros atingiu a perna de um torcedor ainda não identificado.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Portugal cogita demolir arenas

TERÇA-FEIRA, 19 DE JANEIRO DE 2010 - 09h38

Portugal cogita demolir arenas

REDAÇÃO
Da Máquina do Esporte, em São Paulo

Uma declaração do ex-ministro da economia de Portugal na última segunda-feira levantou uma grande discussão sobre o futuro dos estádios construídos para a Eurocopa de 2004 no país europeu.

"É muito complicado lidar com as dívidas de algo que não cria riqueza nem representa um bem público", afirmou Augusto Mateus, em entrevista à rede de notícias Bloomberg.

O economista se referia aos estádios de Braga, Coimbra, Leiria, Aveiro e Faro/Loulé. Todos eles tiveram suas construções bancadas, em grande parte, pelos municípios, que agora não têm condições de pagar pela manutenção dos estádios. Por ano, os municípios gastam em torno de 13 milhões de euros entre pagamento de dívidas adquiridas para a construção dos estádios e sua respectiva manutenção.

A situação mais delicada é do estádio de Aveiro, utilizado pelo time do Beira-Mar. O clube, que está na Segunda Divisão de Portugal, não leva mais do que três mil torcedores ao estádio. Em outubro passado, o conselho municipal já havia cogitado a hipótese de demolir a arena, que teve em 2009 apenas 5% de sua capacidade de 30 mil pessoas ocupada.

O caso emblemático segue a ser o estádio de Braga. Construído em meio a uma pedreira, a arena ganhou diversos prêmios de arquitetura e se transformou em cartão-postal da cidade, tendo inclusive assegurado a venda de naming rights para a empresa local Axa. Em razão disso, a prefeitura continua a investir cerca de cinco milhões de euros ao ano para manter o estádio, que em 2009 teve média de 40% de ocupação.

As únicas exceções nos estádios portugueses são a Nova Luz, o Dragão e o Alvalade Século 21, estádios utilizados, respectivamente, por Benfica, Porto e Sporting. Bancados em sua maior parte pelos clubes, essas arenas têm boas taxas de ocupação e dão retorno aos clubes.

FERJ informa: NÃO haverá mais venda de ingressos no Maracanã em dias de jogos

19/1/2010 -

Autor: Uruan Júnior/ Agência FERJ

Por força de convênio assinado entre FERJ e SUDERJ, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro informa que não haverá mais venda de ingressos no Maracanã, em dias de jogos.
A medida já está em vigor.

Assessoria de Imprensa: Uruan Júnior/ Agência FERJ

Fla x Duque pode ser no Engenhão; dirigentes do Rio faltam à reunião no MP

12/01/2010 - 18h53

Do UOL Esporte, No Rio de Janeiro

Maracanã poderá não ser o palco da partida do Fla no domingo


INGRESSOS PODEM SER AUMENTADOS
DUPLA FLA-FLU AMEAÇADA


A partida de estreia do Flamengo no Estadual, contra o Duque de Caxias, às 17h (horário de Brasília), marcada para o próximo domingo, no Maracanã, corre o risco de ser transferida para o Engenhão. Isso porque, os presidentes dos quatro grandes clubes do Rio deram o bolo, nesta terça-feira, no presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), Rubens Lopes, para falar sobre os aumentos nos preços dos ingressos. As informações são da Rádio Tupi.

O presidente da Ferj marcou reunião com o promotor Rodrigo Terra, da Promotoria de Defesa do Consumidor, para discutir o aumento desejado pelos dirigentes dos clubes. A subida de preço somente poderá ser autorizada pelo Ministério Público (MP) depois de análise para saber se não há abuso nos valores solicitados. No entanto, o encontro foi cancelado pela ausência dos cartolas.

Os presidentes Maurício Assumpção (Botafogo), Patrícia Amorim (Flamengo), Roberto Horcades (Fluminense) e Roberto Dinamite (Vasco) não compareceram à reunião com Rodrigo Terra, na sede do MP. Por isso, o presidente da Ferj convocou uma reunião extraordinária para que eles explicassem o motivo da ausência no Ministério Público.

O aumento pedido pelos rubro-negros e apoiado por tricolores, alvinegros e cruzmaltinos, apesar de o regulamento da competição dizer que o preço mínimo é de R$ 20, foi de R$ 30 para a cadeira comum (50% em relação ao ano passado), R$ 40 cadeiras verdes e amarelas (aumento de 33%), R$ 50 para a branca (aumento de 40%) e R$ 150 cadeira especial (aumento de 25%).

Com isso, além do Flamengo, o Fluminense também corre o risco de não utilizar o Maracanã na segunda rodada do Estadual contra o Bangu, dia 20 de janeiro, às 16h. Para piorar a situação, o presidente da Ferj não assinou o convênio com a Suderj para a utilização do estádio em razão, segundo Rubens Lopes, das roletas com defeito, da ação dos cambistas e dos maus tratos aos torcedores.

MP sugere torcida 'à paisana' e cobra aprovação de projeto antiviolência a Lula

13/01/2010 - 07h03


Bruno Thadeu, Em São Paulo


O Ministério Público alardeia ter controlado incidentes dentro dos estádios de São Paulo e vê como principal foco de violência os itinerários dos torcedores, a quilômetros de distância das praças esportivas. Um dos idealizadores do projeto de criminalização de atos considerados meros delitos, o promotor Paulo Castilho defende a descaracterização da torcida de time visitante e o cadastramento nacional dos torcedores.

MP IDEALIZA FIM DA VIOLÊNCIA EM SP

Líderes de uniformizadas debateram com autoridades maneiras de coibir incidentes


Torcedores uniformizados foram apontados como os principais culpados pela violência no futebol

REUNIÃO COM MP CARIOCA É CANCELADO


O promotor reforça a tese de que o torcedor de time visitante é uma presa em potencial: geralmente desconhece trajetos considerados perigosos e regularmente está em menor número.

A proibição de torcedor com uniforme de time visitante evitaria um incidente grave, acrescenta Castilho.

“É injusto permitir a entrada apenas de torcedores do time da casa, como ocorre na Argentina. Queremos sim a descaracterização do torcedor do time visitante, evitando repetir cenas como ocorridas em Minas, quando um torcedor do Atlético foi atropelado após ser identificado por vários torcedores do Cruzeiro”, expôs Castilho, durante reunião com representantes da Federação Paulista, Polícias, líderes de uniformizadas e outras autoridades, na terça-feira, no Fórum Criminal.

Presente no auditório, um torcedor questionou a ideia de torcida visitante sem uniforme propagada por Castilho, alegando que o torcedor “do bem” poderia ser confundido com um baderneiro.

Uma vez vestido com o uniforme do clube, o torcedor que incitar violência será identificado com mais facilidade, evitando que outro torcedor “à paisana” seja agredido por engano.

No encontro com pessoas envolvidas, o promotor apontou como principais “manchas negativas” em 2009 as emboscadas ocorridas na Marginal Tietê, quando um corintiano foi morto por torcedores do Vasco, além de confusões em região residencial de Santos e no Largo Paissandu, em São Paulo, áreas afastadas dos estádios.

“Posso assegurar que a violência dentro dos estádios foi controlada graças a inúmeras ações. O problema está nos itinerários”, acrescenta Castilho.

O projeto de criminalização prevê que alguns delitos sejam considerados crimes. Um torcedor que portar objetos considerados de riscos (correntes, pedaços de madeira) responderia criminalmente, mesmo que não ataque outras pessoas. Atualmente, esse indivíduo dificilmente seria preso. O texto também tem alvo o cambista. Caso flagrado, ele poderia ser condenado até dois anos de reclusão, mais multa.

O projeto que visa aumentar o cerco a torcedores considerados violentos está em fase final de tramitação no Congresso, em Brasília.

“Voltaremos a cobrar o ministro Orlando Silva [do Esporte] para que o projeto seja sancionado pelo presidente Lula o quanto antes”.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Höchststrafe

Folha de Sao Paulo, Mittwoch, 16. Dezember 2009

Lärm kostet 30 Spiele und $ 610 Tausend auf Coritiba
Abstimmung einstimmig STJD verboten Couto Pereira für mehr als eine Saison

PR Club wird das Urteil Rechtsmittel, das nur von Auswahlverfahren durch die CBF gemacht gilt, und nicht zu verhindern, dass das Stadion in dem Staat,

FABIO Grellet
Zweig von Fluß

Der Verlust der Befehl Feld in 30 Spielen, einer Geldbuße von $ 610 Tausend und ein Verbot des Stadions, dass die Strafe verhängt wurde gestern von der STJD (Tribunal Superior of Sports Justiz) aus Coritiba wegen der Schlägerei, die nach dem Spiel gegen Fluminense aufgetreten die Couto Pereira-Stadion in Curitiba, in der letzten Runde der brasilianischen, am 6. Dezember. Der Verein hat angekündigt, Rechtsmittel.
Die Entscheidung gilt nicht für die paraguayischen gelten. Vale einzige Turnier gesponsert von der CBF-B-Serie des brasilianischen Cup und Brasilien. Coritiba Anwalt, José Mauro Couto Filho, jedoch argumentiert, dass, wenn der Satz beibehalten wird, lohnt nur in die Serie B.
Die Strafe wurde einstimmig von den fünf Mitgliedern des Ausschusses für 2. Disziplin entschieden. Die Beschwerde ist an die neun Mitglieder des Hauses eingereicht werden.
Alles in allem wurde der Verein für vier Verstöße geahndet werden. Nehmen Sie keine Schritte zur Verhinderung von Störungen, verhindert nicht, dass das Werfen von Gegenständen auf dem Rasen und nicht verhindern, dass die Invasion des Feldes, ein jedes, Verlust von zehn Bereich Männer und einer Geldbuße von $ 200 Millionen. Für das vierte Vergehen, nicht in der Lage, um die Sicherheit für das Spiel zu gewährleisten, wurde die Strafe $ 10 Tausend und das Verbot der Arena, bis die CBF die mögliche Reformen zu bewerten und genehmigen die Couto Pereira wieder verwendet werden.
Zu Beginn der Studie, die angeforderte Coritiba eine Verschiebung der Begründung, dass die Polizei noch ermitteln sind die Verantwortlichen für den Kampf. "Die Untersuchungen werden zeigen, dass das Opfer von Vandalen Coritiba Aktion inszeniert war", sagte Legal Director des Vereins, Gustavo Nadalin. Aber der Antrag wurde abgelehnt.
In seiner Verteidigung zeigte Coritiba Aufnahmen des Kampfes und nahm zwei Zeugen: der Ingenieur Reginald Cook, der Vorsitzende der Kontrollausschuss für Phasen des Bundesverbandes der Parana, und Oberst Jorge Costa Filho, Kommandeur der Polizei in Curitiba.
Beide sagten, dass das Stadion in der Lage war, das Spiel der Gastgeber und Vorstand der Coritiba wurde bereits am Donnerstag mitgeteilt, über die Bedrohung durch die Mitglieder des Reiches Alviverde gemacht, um Verwirrung zu Beginn zu fördern.
Nach der PM, weil dieser mobilisiert 680 Polizisten, das Doppelte des üblichen Tarifs, sowie hundert Polizeibeamten. Die Richtung der Coritiba angeblich zwischen 180 und 278 die Zahl der privaten Wachleute erhöht haben.
Wann begann die Menge zu dem Gebiet einzudringen, es gab 51 Militärpolizei innen, sagte Costa Filho. Polizei zog der Tribüne auf das Feld, um die Invasion enthalten. Nach der Oberst, hat die Polizei alles, um die Situation zu kontrollieren.
Der Vandalismus Verluste in Höhe von $ 400 Tausend nach Coritiba, die den Fans will, dass ermittelt den Wert der Schaden verursacht wurde.
Mittlerweile sind 18 Fans festgenommen, Costa Filho. Neun weitere Haftbefehle sind im Gange und 40 weitere Anträge wurden von der Polizei zum Recht bezeichnet.
Angewidert mit der Krawatte 1 zu 1 gegen Fluminense, verursacht die Senkung der brasilianischen Coritiba im Jubiläumsjahr hunderte Fans das Spielfeld fielen um zu versuchen, das Trio des Schiedsverfahrens, anderen Fans und auch Spieler beider Mannschaften angreifen.



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Zusammengearbeitet, um Agência Folha in Curitiba

PM é qualificada, mas exagera, diz tese

Folha de São Paulo, domingo, 13 de dezembro de 2009

Studie untersucht Masters in Couto Pereira zehn Jahre vor der Invasion der Fans aufgetreten ist, vor einer Woche kämpfen

Für Forscher sind Polizisten qualifiziert, aber ausschweifend in bestimmten Situationen, die aufgrund der emotionalen

LUCAS REIS
BERICHT DER LOKALEN

Im Jahr 1999 Fans von Atletico Paranaense Coritiba und stellte sich den Couto Pereira-Stadion in der Hauptstadt von Paraná. Die Sicherheit für die Militärpolizei, die der Gefahr der Kämpfe in der klassischen, nicht verhindern, dass die weit verbreitete Schläge kannte.
Zehn Jahre später, alviverde Coritiba Fans, durch den Sturz des Vereins in die Serie B verärgert der brasilianischen Meisterschaft, fiel dem Platz in der Couto Pereira. Die Sicherheit für die Polizei, die wusste, wieder die Gefahr, nicht den Kampf zu vermeiden.
Das geschah in der letzten Runde am Sonntag der National, ist eine fast exakte Kopie des Kampfes im Jahr 1999, in einer Diplomarbeit untersucht Anfang dieses Jahres von einem Leutnant der Militärpolizei von Paraná, Studentin der Sozialwissenschaften an der Staatlichen Universität Ponta Grossa.
Alfredo Cunha Dias Netto, 33, absolvierte im Sportunterricht und Bachelor-Abschluss in die öffentliche Sicherheit, eine Studie über den Fall von Buffeting 1999 und befragten Polizeibeamten in diesem Schlamassel beteiligt.
Die Turbulenzen vom letzten Sonntag, die immer noch von der Polizei untersucht, können ähnliche Schlussfolgerungen zu gewinnen Falle von Dias Netto untersucht. Am Dienstag kann der erste Versuch: die STJD (Tribunal Superior of Sports Justiz) Coritiba nehmen Sie die Hand der 30 Spiele, und verhängt eine Geldbuße in Höhe von $ 600 Millionen.
Die Studie kommt zu dem Schluss Leutnant, unter anderem, dass die Polizei in Curitiba Ausbildung und Know-how, um mit extremen Situationen fertig werden müssen, neben der Berücksichtigung der Cheerleader "eine Gruppe von Querulanten", dass das Stadion Streit und Verwirrung erzeugt wird.
Aber sie geben: In einigen Fällen gibt es einen Überschuss von etwa, weil der Verlust der Kontrolle durch die emotionale Aufladung zum Zeitpunkt der Aktion benötigt werden.
Auf die Frage nach der Kämpfe Sonntag, sagte der Leutnant, dass Sie nicht sehen kann schuldig. "Das Fehlen von Lüftern kann nicht empirisch untersucht. Es braucht eine sorgfältige Untersuchung zu Schlussfolgerungen zu gelangen. Aber nichts rechtfertigt Akte der Barbarei wie Visa, sagte er. "Man kann nicht nach Schuldigen. Wichtiger als diese ist es, die Faktoren, die Fans die Kontrolle über seine Handlungen zu verlieren, zu identifizieren."
Dias Netto, siehe jedoch Unterschiede zwischen den Fällen. "Am Sonntag, dem passiert, was einer Menge von nur ein Angriff auf Polizei-Team, das gegnerische Team, sind die Schiedsrichter des Vereins Sicherheitsleute und sogar Fans von diesem Team. Aber die Themen für die Generation erhöht sich sehr ähnlich in widrigen Situationen dazu führen, dass die Frustration der einzelnen reagiert heftig. "
Die Aussagen der Polizisten, die in den Wirren des Jahres 1999 zeigen, dass manchmal, sie aus dem Bauch heraus zu handeln und dass Ihre Aktionen können noch mehr Gewalt führen beteiligt. Allerdings, so der Gelehrte, die örtliche Polizei ausgebildet werden, um in Etappen arbeiten. "Die Polizei do Paraná ist ja bereit, Situationen, die entstanden Gesicht."

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Curitiba aprova lei para cadastrar torcedores

16/12/2009 - 09h01

Dimitri do Valle
Da Folhapress
Em Curitiba (PR)

http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2009/12/16/curitiba-aprova-lei-para-cadastrar-torcedores.jhtm

A Câmara de Vereadores de Curitiba aprovou nesta terça-feira, em primeiro turno, um projeto que torna obrigatória a identificação de torcedores em partidas de futebol nos estádios da cidade com capacidade superior a 15 mil pessoas. O prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), já anunciou que irá sancionar a lei. A segunda e última votação do projeto está prevista para esta quarta.

A iniciativa surgiu depois do tumulto no estádio Couto Pereira, há dez dias, quando o Coritiba foi rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro. A confusão, por sinal, rendeu ao time paranaense a perda de 30 mandos de campo, além de uma multa de R$ 610 mil. Na ocasião, centenas de pessoas invadiram o gramado, o estádio foi destruído e 18 pessoas ficaram feridas, após confronto entre integrantes da facção Império Alviverde e policiais.
Pela proposta, o cadastro do torcedor terá de ser feito no ato da compra dos ingressos. O torcedor deverá apresentar documento de identidade e comprovante de endereço.
O projeto também determina que os estádios da cidade tenham monitoramento por imagem nas catracas e prevê a instalação de equipamentos de gravação fotográfica.
Caso seja aprovada, a lei entrará em vigor no prazo de 90 dias. Único contrário à proposta, o vereador Professor Galdino (PSDB) disse que a proposta "vai criar um estado policial totalitarista, onde as pessoas são o tempo todo vigiadas".
Em meio a essa discussão, o governo federal tenta realizar uma licitação para a instalação de equipamentos de monitoramento e acesso aos estádios.
Em São Paulo, a Polícia Militar e a federação já realizam o cadastramento de integrantes de torcidas organizadas. Os torcedores já registrados são encaminhados para os mesmos setores dos estádios paulistas.

A culpa é das organizadas

http://www.noolhar.com/opovo/esportes/937541.html

Pesquisa aponta que, 61% das pessoas não vão aos estádios por causa das torcidas organizadas. E que caso elas deixassem de existir, voltariam às arquibancadas. No Ceará, as torcidas tentam diminuir a imagem violenta que carregam 1

16 Dez 2009 - 01h05min

Oito dias após toda a confusão promovida pela torcida do Coritiba, no empate com o Fluminense, em 1 a 1, no estádio Couto Pereira, que rendeu o rebaixamento do clube parananense para a Série B do Campeonato Brasileiro, a TNS Sport Brasil divulgou pesquisa mostrando que 61% dos torcedores que hoje não vão a estádios voltariam a frequenta-los, caso as torcidas organizadas acabassem.

A pergunta utilizada foi: ``Se as torcidas organizadas fossem banidas, o senhor iria assistir aos jogos no estádio?``. O questionamento foi feito àqueles que afirmaram, durante a pesquisa, não acompanhar os jogos in loco. 61% dos entrevistados disseram sim. Negativamente, apenas 39%.

O POVO repercutiu a informação com as principais torcidas organizadas do Estado para saber o que eles acham sobre o medo que o torcedor comum tem das Organizadas. ``Não podemos acabar com o que está melhorando com o tempo. A Cearamor tem mais de 20 anos de existência. Temos que respeitar isso``, disse Jeysivan Carlos, presidente da Cearamor, considerada a maior do Estado.

No momento, a própria torcida está preocupada em identificar os responsáveis pelas confusões causadas em dia de jogo e já atualizou o cadastro dos seus sócios.

Já a Falange Coral, que se congrega em torno do Ferroviário, também se diz a favor de uma cultura de paz e recebe ``com tristeza`` a notícia da pesquisa. ``O lado bom traz o lado ruim. É complicada essa historia de violência. Tentamos evitar``, ressaltou Fabrício Frajola, representante da torcida coral.

Segundo o sócio-diretor da TNS Sport Brasil, César Gualdani, a pesquisa revela números ``bastante expressivos``. ``Podemos afirmar tranquilamente que as torcidas organizadas afastam um bom número de torcedores dos estádios e que os clubes estão perdendo receita significativa.``

Fora dos primeiros
A cidade de Santos é a mais preocupada com a presença das Organizadas, com 95% dos entrevistados respondendo sim. Fortaleza, mesmo com uma rivalidade bastante acirrada entre torcedores de Ceará e Fortaleza não está na lista das dez primeiras cidades com maior indice de rejeição às Organizadas.

Os dados de Fortaleza não foram reveladas pela empresa responsável. O POVO procurou o presidente da Torcida Uniformizado do Fortaleza, Ricardo Fontenele, mas o seu telefone estava desligado.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Coritiba se declara "vítima" e culpa a torcida organizada

Folha de São Paulo, quarta-feira, 09 de dezembro de 2009

Clube, que já teve o estádio Couto Pereira interditado, promete recorrer de qualquer punição imposta pelo STJD

Em entrevista cercada por segurança, presidente diz que foi alvo de ameaças de torcedores na semana que antecedeu o rebaixamento

DIMITRI DO VALLE
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CURITIBA

Fora da capital por questões de segurança, a direção do Coritiba fez ontem sua primeira manifestação oficial após os tumultos de domingo e se eximiu de culpa em relação aos confrontos causados por torcedores no estádio Couto Pereira.
O clube se diz "vítima" de uma torcida organizada e promete recorrer contra qualquer punição que seja imposta pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) -anteontem, o estádio foi interditado.
Enfurecidos com o rebaixamento do time após o 1 a 1 com o Fluminense, torcedores invadiram o campo, agrediram policiais e depredaram instalações.
O presidente do Coritiba, Jair Cirino dos Santos, candidato à reeleição em disputa marcada para a próxima segunda-feira, afirmou que o clube não pode ser responsabilizado "pelas atitudes de baderneiros travestidos de torcedores".
Pelo menos 18 pessoas foram feridas no confronto, e quatro continuam internadas. O caso mais grave é de Anderson de Moura, 19, que foi ferido na cabeça e corre risco de morte.
Cirino afirmou ter recebido ameaças de membros da organizada Império Alviverde na semana que antecedeu o jogo.
"A caixa postal do meu celular serve como prova. Está cheia de ameaças gravadas e por escrito de integrantes da torcida", disse o dirigente.
A Secretaria de Segurança Pública informou que o número de policiais (cerca de 700) era três vezes superior ao efetivo de partidas anteriores.
Para Cirino, a interdição do Couto Pereira pode ser derrubada ou "minimizada" pela defesa que o clube está preparando. O prazo para apresentar a contestação vai até amanhã.
O presidente da Império Alviverde, Luiz Fernando Corrêa, defende-se dizendo que "a Império tem mais de 10 mil integrantes, mas 200 invadiram o campo". "Quer dizer agora que toda a torcida é culpada?"
O pronunciamento de ontem foi cercada de cuidados com a segurança e só foi anunciado meia hora antes de acontecer. Segundo a direção, a estratégia era evitar que a notícia chegasse aos integrantes da torcida.
O local da entrevista, uma chácara no município de Quatro Barras, a 20 km do estádio Couto Pereira, também ajudou.
Pela entrada do local, em uma área rural guardada por seis policias militares e outros seguranças, passavam somente profissionais credenciados.

Polícia "descobre" 8.000 bilhetes e prende quadrilha

Folha de São Paulo, domingo, 06 de dezembro de 2009

SÉRGIO RANGEL
DA SUCURSAL DO RIO

A Polícia Civil do Rio prendeu ontem dez integrantes de quadrilha que venderia ilegalmente ingressos do jogo de hoje do Flamengo no Maracanã.
Dois funcionários da "cúpula" da BWA, empresa que imprime e comercializa os bilhetes para o clube carioca, estão entre os presos, diz a polícia.
Para o delegado Rodrigo Oliveira, diretor do Departamento de Polícia Especializada, o grupo poderia lucrar só no jogo de hoje cerca de R$ 4,5 milhões.
Todos os envolvidos serão indiciados por crime contra economia popular e formação de quadrilha. No total, seis funcionários da empresa foram presos, além de quatro cambistas, sendo um guarda municipal. Os nomes não foram divulgados.
Na operação, batizada de ""gol de mão", 8.000 ingressos do jogo foram apreendidos pelos policiais dentro da empresa.
A quadrilha era monitorada desde setembro. Segundo o delegado, desviava cerca de 20% e repassava a cambistas. Só no jogo deste domingo, 15.200 ingressos iriam para cambistas. O ágio poderia chegar até a 650%. Pelo esquema, os clubes não tinham prejuízo já que a empresa pagava o valor do bilhete.
Na quarta-feira, os últimos bilhetes foram vendidos no Maracanã. Na ocasião, cerca de 20 mil torcedores do Flamengo entraram em confronto com a polícia. O último lote tinha apenas 5.000 ingressos. Para a partida decisiva do Flamengo, a BWA imprimiu 78 mil bilhetes.
Na ação policial, foram encontrados na casa de dois supostos chefes do esquema documentos, computadores, celulares e duas armas.
Em nota, a BWA afirmou que os ingressos apreendidos "são gratuitos para menores de 12 anos, maiores de 65 anos e cadeirantes desde que estejam acompanhados de pessoas que já possuam um ingresso, tudo especificado no verso".
Disse ainda que "os ingressos ficam guardados em uma sala do estádio e são entregues aos fiscais da Suderj (administradora do Maracanã) e funcionários do Flamengo somente na abertura dos portões".

Na geral e no particular

Na rodada decisiva de um dos mais polêmicos campeonatos da história, estádios do país revelam um Brasil emergente, mas marcado por práticas oligárquicas, crime organizado e cidadania excludente

Folha de São Paulo, domingo, 06 de dezembro de 2009

FLAVIO DE CAMPOS
ESPECIAL PARA A FOLHA

Na Grécia antiga, os Jogos Olímpicos praticados em homenagem aos deuses estancavam temporariamente as rivalidades entre as "polei" e revelavam o funcionamento de uma cidadania restritiva, garantida pelo escravismo.
Em Roma, os "ludi circenses", patrocinados por poderosos, envolviam sacrifícios humanos endereçados aos deuses e ao povo romano, deslocando os cidadãos das arenas para as arquibancadas.
Na Europa medieval, os torneios revelavam uma autocelebração que visava a afirmação simbólica e social do etos da aristocracia militar.
No caso brasileiro, o futebol poderia ser tomado como uma das janelas privilegiadas para a compreensão da sociedade?
Sim, com algumas cautelas que afastem a análise do senso comum que transformou o futebol numa gangorra impulsionada por frustrações e projeções de um pretenso caráter nacional.
O Brasil não é "o país do futebol" mais do que a Argentina, a Inglaterra e a Itália, onde sua prática é também capaz de potencializar e expressar determinadas tensões sociais.
O estilo brasileiro não se diferencia do "jogo duro dos gringos" por uma predisposição natural nem devido à miscigenação étnica. O drible -insulto gestual sem violência, criativo domínio da bola, do corpo, do tempo e do espaço para iludir o adversário- não é uma prerrogativa brasileira.
A existência hoje de um "estilo brasileiro de jogar", entendido como o manejo particular de um repertório de habilidades técnicas e táticas individuais e coletivas, deve ser posta em xeque devido à diversidade regional do país e ao embaralhamento provocado pela globalização.

Plateia emergente
De maneira geral, uma claudicante e excludente cidadania se revela nos estádios, onde os espaços de expectação se sofisticam a cada dia como espaços de diferenciação social.
A despeito das divergências político-partidárias, a mesmice ideológica brasileira consagrou como símbolo da sua emergência um outrora ruidoso sindicalista, hoje embalado em Armani, embebido em Romanée Conti e transformado em eficiente síndico de condomínio.
Os estádios também revelam nosso Brasil emergente. De um lado, ao subtrair à vista os setores subalternos, eliminando ou diminuindo as áreas anteriormente ocupadas pelos "geraldinos" e "arquibaldos". De outro, mirando sob holofotes os lugares de antigos e novos privilegiados, ostentadores de dignidades e reluzentes cartões de crédito. Independentemente das cores dos clubes, a plateia se distingue com seus uniformes sociais.
Sob a contagiante coreografia das organizadas e sob a violência dos confrontos entre as torcidas, revela-se o descompasso entre a condução administrativa dos clubes e uma demanda difusa (e confusa) por intervenção nesses mesmos clubes.
A incorporação da torcida ao processo político é mediada pelas práticas oligárquicas da cartolagem. Com as vitórias, legitimam-se os dirigentes e endeusam-se os atletas. Com as derrotas...
Mais graves são os indícios de penetração do crime organizado em certas torcidas. Gravíssimos são os rumores de que os confrontos entre torcedores podem passar a ser mediados por regras estabelecidas a partir dessa nova situação.
O Brasil das arquibancadas oferece um retrato preocupante da transferência de responsabilidades e da incapacidade dos poderes públicos.

Luta de classes
Por outro lado, o Campeonato Brasileiro da Série A revela a brutal concentração de clubes do Sul-Sudeste (16 contra 3 do Nordeste e 1 do Centro-Oeste).
Na Série B, a situação é um pouco diversa (11 do Sul-Sudeste, 6 do Nordeste e 3 do Centro-Oeste). Na disputa da Série C, há uma melhor distribuição (8 do Sul-Sudeste, 6 do Nordeste, 3 do Centro-Oeste e 3 do Norte).
É um truísmo apontar a concentração regional de renda como causadora dessa situação.
Significativamente, o campeonato que se encerra hoje pode ser decidido pelas questões locais.
Como na política brasileira, não se pode ignorar o peso das rivalidades na articulação das alianças e composições. "Rivalis", em latim, significa concorrente e também aqueles que habitam as margens do mesmo rio (em termos jurídicos, que detêm conjuntamente a posse de um rio).
Como a rivalidade é amplificada pela proximidade e pelo convívio, não serão surpresas, portanto, as derrotas de Grêmio e Santos para prejudicar, respectivamente, Internacional e Palmeiras.
Como não foi surpreendente o "empenho" da equipe do Corinthians contra o Flamengo no último domingo.
No tormentoso movimento das rivalidades (e alianças) entre os torcedores e das debilidades do exercício de uma cidadania crítica e participativa, cabe uma menção à Resistência Coral. Como outras torcidas ultras de esquerda no mundo, a ruidosa torcida do Ferroviário Atlético Clube do Ceará é anticapitalista e propõe o combate ao fascismo, à homofobia e ao racismo.
"Nem guerra entre torcidas, nem paz entre classes" é a palavra de ordem entoada nas arquibancadas. Como a sólida ilusão do futebol se desmancha no ar, apesar de anunciar o clube como "orgulho da classe operária", a torcida angaria a maior parte de seus simpatizantes entre intelectuais e setores das elites.
Afinal, eles também são filhos do Brasil.



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FLAVIO DE CAMPOS leciona história social na Universidade de São Paulo e é coordenador do 1º Simpósio de Estudos sobre Futebol, que ocorrerá em maio de 2010 em SP.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Governo vai investir em controle de 35 estádios

Congresso aprova liberação de R$ 80 milhões para projeto

Folha de São Paulo, quinta-feira, 26 de novembro de 2009
RODRIGO MATTOS, DA REPORTAGEM LOCAL

O projeto "Torcida Legal", do Ministério do Esporte, vai investir em equipamentos e serviços de segurança para 35 estádios das Séries A e B do Brasileiro. O Congresso aprovou a liberação ontem da primeira parte das verbas com esse objetivo: R$ 28,2 milhões, o que deve contemplar sete arenas.
Outros R$ 51,8 milhões foram aprovados pelo Congresso dentro do plano orçamentário do próximo ano, atendendo a mais 28 estádios. No total, o gasto será de R$ 80 milhões.
A verba será usada para o controle de acesso, monitoramento por imagens e identificação de torcedores em estádios. Já existe uma licitação do ministério em curso para a contratação de empresas. Mas, como esta não foi concluída, os investimentos devem começar apenas no próximo ano.
Alvo do programa do governo, os principais estádios do país já contam com câmeras e salas centrais para controle da segurança. Afinal, desde 2003, esse tipo de sistema é obrigatório pelo Estatuto do Torcedor para as arenas com capacidade acima de 20 mil. Pela lei, são os clubes que devem bancá-lo.
Da verba liberada pelo Congresso, R$ 18 milhões serão "para gastos com equipamentos e sistemas de gestão de monitoramento de imagens", de acordo com o ministério.
O edital de licitação prevê, no total, compra de 6.700 câmeras e de 117 monitores de LCD.
Até agora, as câmeras não foram capazes de identificar causadores de tumultos ou gerar punições a violentos. Foi o caso do sistema do Morumbi na confusão em que mais de 40 corintianos ficaram feridos no clássico contra o São Paulo, no Campeonato Paulista.
Da verba inicial, outros R$ 10,2 milhões serão usados para "aquisição de equipamentos e sistemas de gestão de controle de acesso", diz o ministério.
A licitação prevê sofisticado sistema de acesso com digitais dos espectadores, além de informações como CPF, filiação e telefones de contato. Mas a identificação do torcedor não é obrigatória por lei.
Ainda está previsto na licitação a compra de 400 mil cartões para torcedores. A verba inicial liberada não será usada neste item da concorrência.
O problema é que o cadastramento de torcedores obrigatório, projeto do Ministério do Esporte, foi derrubado pela Câmara Federal em lei em tramitação para reduzir a violência no futebol. A pasta tentou acordo com os clubes para adotar o sistema, mas não houve adesão.
Agora, o ministério afirma que os cartões serão usados "para substituição dos cartões já existentes nos clubes e que não atendam às especificações técnicas e de segurança".
No Congresso desde março, a lei para aumentar penas por violência no futebol segue sem aprovação no Senado.

Copa 100% segura será impossível, afirma ministro

Tarso Genro, que se reúne hoje com a Fifa, diz que entidade só está preocupada com a segurança dos estádios em 2014

Para governo, Exército na rua, como no Pan-07, pode ajudar, mas projeto prevê legado mais duradouro para a polícia após eventos no Rio

Folha de São Paulo, sexta-feira, 27 de novembro de 2009
LUCIANA COELHO,ENVIADA ESPECIAL A BERNA

O Brasil quer mostrar à Fifa que investe em uma mudança de paradigma na segurança nacional e que, como afirma nas demais áreas, mira um legado duradouro após a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016.
Mesmo assim, diz o ministro Tarso Genro (Justiça), não é possível eliminar o risco de um incidente como o ocorrido no mês passado no Rio, quando um helicóptero da Polícia Militar foi abatido por traficantes. "[Risco] vai ter sempre, nos países mais desenvolvidos vai ter, como já ocorreu", afirmou Tarso à Folha, ontem.
O ministro se reúne hoje com o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, em Zurique, para tratar do tema. Ele diz que foi o país que pediu a reunião, sem pressão da Fifa, que minimiza o problema também na África do Sul -sede em 2010. E diz que o Exército poderia ir às ruas no evento, como paliativo.




FOLHA - O que o sr. vai apresentar à Fifa amanhã [hoje]?
TARSO GENRO - As medidas que estamos tomando em relação a [Olimpíada de] 2016 e [à Copa do Mundo de] 2014, as medidas legais para apressar essa mudança de paradigma da segurança pública na reforma das polícias, na melhoria das condições salariais dos policiais. Queremos esse legado.

FOLHA - Quatro anos são suficientes para tanto?
TARSO - Para implementar a mudança sim, não para completá-la. Começamos há um ano e meio, quando foi aprovada pelo Congresso Nacional a legislação do Pronasci [Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania]. Dobramos os recursos do Ministério da Justiça com segurança e começamos a trabalhar com os Estados. Temos condição de chegar em 2016, 2014 em trânsito, com o paradigma mudado. A realização de um evento desse tipo não é problema, pois se eu ponho o Exército nos pontos estratégicos, se dobro o tempo dos policiais, você dá segurança, como ocorreu no Pan [de 2007, no Rio de Janeiro].

FOLHA - Mas sempre há risco de um incidente como foi...
TARSO - Sim, mas isso vai ter sempre, nos países mais desenvolvidos vai ter, como já ocorreu. Os riscos vão existir sempre. O que nós queremos dessa feita é, com esses compromissos, utilizá-los também para o sistema de segurança pública do país para quando terminar a Olimpíada não voltar como antes, e seguir num grau de segurança cada vez mais aperfeiçoado. Isso será o trabalho de três governos. Acreditamos que o caminho está dado. Tanto que, quando apresentamos nosso anteprojeto da Olimpíada, a questão da segurança pública quase saiu da pauta. Eles aceitaram nossa proposta.

FOLHA - E agora, que questionamentos a Fifa tem feito? Há o modo como a mídia internacional tratou o helicóptero...
TARSO - São mais da segurança dos estádios. Na questão da cidade não há um questionamento, porque a experiência do Pan foi muito boa. Eles estão preocupados com a reforma dos estádios, com a integração dos diversos órgãos de segurança com estruturas de direção da Copa. O pessoal da Copa não tem colocado essa questão para nós como impeditiva. Eles sempre reconheceram os esforços do país.

PM reforça segurança e divide estádio

Folha de São Paulo, sábado, 28 de novembro de 2009
RODRIGO MATTOS
DA REPORTAGEM LOCAL

Apesar de a maioria dos ingressos ser vendida para são-paulinos, a Polícia Militar de Goiás tem a expectativa de um Serra Dourada dividido meio a meio entre torcedores do time goiano e do São Paulo. E reforçou a segurança com grande número de policiais porque há rivalidade entre as torcidas.
Haverá 518 policiais para trabalhar no estádio. Jogos de grande porte em Goiânia normalmente contam com 200 homens.
"Sabemos que há esse histórico de rivalidade. E, se houver indício de tumulto, nosso batalhão entrará em ação", afirmou o Major Márcio Vicente da Silva, comandante do policiamento no estádio.
Há uma ligação entre torcidas organizadas do Goiás com palmeirenses, que são rivais das uniformizadas são-paulinas. No jogo em que o São Paulo conquistou o Nacional em 2008, em Brasília, houve confronto entre membros dos dois grupos.
Antes da partida, houve episódio mais grave com o assassinato de um torcedor são-paulino por um policial, supostamente de forma acidental.
Por isso, a polícia goiana está acertando uma escolta para os ônibus das organizadas do São Paulo -devem ser cerca de 200 só da Independente. "Eles não poderão usar camisa da torcida, só do clube", explicou Márcio Vicente.
Cada torcida entrará por um setor do estádio, sul para são-paulinos, e norte, para os do Goiás.
Dentro do estádio, a arquibancada terá uma divisória móvel para separar as torcidas. A PM espera um estádio dividido meio a meio, apesar de a diretoria do Goiás dizer que os são-paulinos compraram a maioria dos ingressos.
"São duas placas com uma faixa de 10 a 15 metros entre elas, com policiais, para dividir as torcidas", contou o policial.
A expectativa é de um público de cerca de 40 mil pessoas. A geral também terá divisória entre as torcidas. Ainda há um setor nas cadeiras reservados aos são-paulinos.
A polícia ainda quer evitar que torcedores de outros times, como o Flamengo, se unam aos do Goiás para enfrentar os são-paulinos. Por isso, decidiu que fãs de outras equipes não poderão usar camisas de seus clubes.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Contra "hooligans", PF se articula com polícias do exterior

Embaixadas brasileiras serão orientadas a dificultar visto para torcedores violentos que quiserem vir à Copa de 2014

Ricardo Teixeira usa dados do Pan como argumento para não se preocupar com possíveis ações de violência durante o Mundial do Brasil

ANDRÉA MICHAEL, FLÁVIO FERREIRA, ENVIADOS A FORTALEZA
Folha de São Paulo, sábado, 07 de novembro de 2009

Os principais alvos das ações de segurança na Copa do Mundo do Brasil, em 2014, serão os torcedores violentos. A Polícia Federal vai se articular com suas correspondentes internacionais para mapeá-los.
As embaixadas e os consulados brasileiros, interligados em rede com o Itamaraty, serão orientados a evitar a concessão de visto para este tipo de torcedor. Os que embarcarem terão seus passos monitorados, um modelo testado e bem-sucedido nos jogos do Mundial da Alemanha, há três anos.
Já está em curso, internamente, um mapeamento para identificar torcedores violentos, que deixaram suas "marcas" durante os Estaduais e o Campeonato Brasileiro.
Esse será o público preferencial das ações de segurança durante a Copa de 2014, segundo disse ontem o diretor-geral da Polícia Federal, delegado Luiz Fernando Corrêa. Ele foi um dos participantes do debate de encerramento do 4º Congresso Nacional de Delegados de Polícia Federal, em Fortaleza (CE), que teve como tema ações de segurança em grandes eventos.
Com a experiência de quem coordenou a segurança nos Jogos Pan-Americanos, em 2007, Corrêa também entende como desafio para a Copa a necessidade de manter as cidades em movimento e, ao mesmo tempo, garantir a segurança para a realização dos jogos. "Isolar é perder o espírito de competição. Não podemos trabalhar com a ideia de segregar ou ter áreas de isolamento."
Questionado sobre a situação de violência conflagrada no Rio de Janeiro e da ameaça dos traficantes contra as forças de segurança, Corrêa respondeu: "O tráfico não é um problema do Rio, é problema do mundo".
Quanto à solução do combate à violência, ele disse que as medidas estão sendo tomadas pelo secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, pelo "enfrentamento e não contenção, para empurrar com a barriga o problema".
Presente ao evento, o presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ricardo Teixeira, declarou não estar preocupado com a segurança na Copa. Disse que, pelos resultados obtidos no Pan-Americano, de 2007, "quando o número de assaltos no Rio, se comparado ao que se tinha na rotina, foi quase a zero", o Brasil terá um bom desempenho.
Teixeira apresentou ontem números do aquecimento previsto para a economia, segundo uma pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
As expectativas para 2014, diz ele, são de injeção de R$ 155 bilhões na economia brasileira, geração de 18 milhões de empregos e incremento de 20% no número de turistas somente no ano da realização do Mundial.
Convidado a participar do painel, o policial alemão Bernd Manthey, que atuou durante 40 anos na polícia de Berlim e participou das equipes de segurança das Copas de Japão/Coreia do Sul, em 2002, e da Alemanha, disse que o fundamental, além do monitoramento dos torcedores violentos e da cooperação internacional, é desenvolver um trabalho coordenado entre as polícias do país, para que haja agilidade na circulação de informações.
Em entrevista à Folha, o policial alemão disse que, até 2014, "o Brasil deverá passar por um processo de pacificação", o que deverá se dar por meio de investimentos em projetos sociais que motivem a população a se engajar nos preparativos para a Copa, que envolvam os cidadãos com a ideia de serem anfitriões de um grande evento, que dever ocorrer como se fosse a realização de um sonho. "Isso não combina com a violência. É preciso fazer a motivação crescer para não dar espaço para a violência."
Manthey é contrário ao uso das Forças Armadas em ações de segurança nas ruas.
"As Forças Armadas e as polícias não devem estar em primeiro plano, muito visíveis para as pessoas, e, sim, bem preparadas, com estratégias para qualquer situação inusitada, porém sempre em segundo plano", disse o policial alemão.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

"VAZIÃO": PLANO VISA ATRAIR MAIS TORCEDORES

Folha de São Paulo, quinta-feira, 05 de novembro de 2009


Para viabilizar o projeto de transformar o Engenhão em um "programa de família" será necessário substituir outro apelido: "Vazião". A dificuldade de acesso e e sensação de insegurança em jogos noturnos têm contribuído para a ausência de público. Para superar este desafio, o grupo pretende investir em divulgação e fazer promoções, como clube de fidelidade, TV via internet e licenciamento de produtos.

Lucro irá ditar novo nome do Engenhão

Folha de São Paulo, quinta-feira, 05 de novembro de 2009

RAPHAEL GOMIDE, DA SUCURSAL DO RIO

Um novo projeto de exploração comercial e publicitária do Engenhão, na zona norte do Rio, pretende lucrar com o estádio abolindo o apelido consagrado popularmente.
Empresários, contratados há quatro meses pelo Botafogo, pretendem tornar viável e lucrativo o Engenhão. Luiz Calainho e Cristiano Pinto de Almeida preveem investimentos de R$ 20 milhões e exploração de receitas comerciais e publicitárias por dez anos.
O esquecimento do termo Engenhão é a meta e a condição fundamental da empreitada, cuja essência é a venda do nome do estádio a um patrocinador, que acrescenta sua marca ao logotipo "Stadium Rio".
O nome oficial, Estádio Olímpico Municipal João Havelange, será mantido, mas os autores da ideia torcem para que em pouco tempo os cariocas esqueçam o apelido.
O momento, com Copa do Mundo -o projeto prevê um centro de treinamento-, Copa das Confederações e Olimpíada nos próximos anos, é propício. O Maracanã, principal estádio do Rio, entra em obras por três anos, a partir de dezembro.
Os empresários estimam que o Engenhão, sob novo nome, venha a receber de 102 a 136 partidas de futebol em 2010, além de eventos de entretenimento, shows e festas, com público de 3 milhões anuais.
A empreitada espera obter um patrocinador principal em no máximo quatro meses, antes do início do Estadual. Essa empresa terá direito a outdoors -o principal de 45 m por 10 m- nas entradas e investimentos em propaganda. Há mais quatro cotas de publicidade.
No Estadual, só as lanchonetes de fast food estarão prontas. Serão oito empresas, no total de 24 lojas, além de ambulantes. Depois, o plano é ter três restaurantes panorâmicos, com vista para o campo, lojas, um centro médico, um CT, uma universidade e um drive-thru ao redor do estádio.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Copa tem mais apoio que Olimpíada

Folha de São Paulo, domingo, 01 de novembro de 2009

Visibilidade internacional é maior argumento para os eventos, indica pesquisa com leitores da Folha

DA REDAÇÃO

Leitores da Folha apoiam as realizações da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016 no país. E, entre os dois eventos esportivos, a preferência é pelo torneio de futebol.
O Datafolha ouviu 350 leitores do jornal, na Grande São Paulo, entre 19 e 20 de outubro. A maioria considera a cobertura da Folha sobre os eventos ótima (80%) e "crítica na medida certa" -73% em relação à Copa, 67% no caso dos Jogos.
Entre os entrevistados, 99% afirmaram saber que a Copa de 2014 será no Brasil. Na última sexta, o anúncio da Fifa, oficializando o país como sede do Mundial, completou dois anos. Apesar de só ter sido confirmada há 30 dias, a Olimpíada no Rio é tema conhecido por 98%.
Quando a pergunta é sobre o apoio aos eventos, a Copa está bem à frente: 65% dizem ser a favor do torneio, que ocorrerá em 12 cidades. Pouco mais de um quarto, 28%, é contra.
Entre aqueles que se disseram favoráveis, 28% citaram como argumento o aumento da visibilidade internacional do Brasil. Para 27%, o principal ponto positivo será a entrada de investimentos e o desenvolvimento econômico do país.
Aqueles que se opõem ao Mundial apontam principalmente que faltam investimentos em outros setores (74%).
No caso da Olimpíada do Rio, levando-se em conta a margem de erro, de cinco pontos percentuais para mais ou para menos, as opiniões são mais divididas. Mostraram-se favoráveis 52% dos entrevistados. Disseram-se contrários 41%.
Os motivos para cada posicionamento, porém, são parecidos como os apresentados para a Copa. Entre aqueles que apoiam a realização dos Jogos, 25% apontam a questão do cartaz internacional como o maior benefício ao país. Para 22%, a geração de empregos é o principal trunfo. Para os contrários, a questão de priorizar outros investimentos também aparece na ponta: é citada por 46%.

Copa do Mundo, planejamento e fiscalização

TENDÊNCIAS/DEBATES


SÍLVIO TORRES

Folha de São Paulo, domingo, 01 de novembro de 2009

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Cuidar de grandes eventos requer planejamento. Algo que o governo federal, em relação à Copa do Mundo, desprezou
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A CAPTAÇÃO pelo Brasil dos dois maiores eventos da indústria mundial do entretenimento -a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos- representa a conquista de uma importante ferramenta de desenvolvimento socioeconômico, na medida em que hospedar grandes festivais possibilita a captação de maiores fluxos turísticos internacionais, a internalização de dinheiro novo, a geração de emprego, a realização de indispensáveis obras de infraestrutura.
Trata-se de um grande legado em benefício dos diversos segmentos que conformam a sociedade nacional. Ao longo dos próximos sete anos, os três níveis de governo diretamente comprometidos com a organização da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016 desembolsarão na organização das duas competições volumes bilionários de recursos da sociedade.
O montante é estimado, hoje, em R$ 130 bilhões -um dinheiro que será empregado, por exemplo, em transporte rodoviário, metroviário e ferroviário, mobilidade urbana, saneamento básico, logística e infraestrutura aeroportuária. Atender essas necessidades, abrangentes em excesso, requer, obrigatoriamente, planejamento. A curto, médio e longo prazos. Hábito que o governo federal, em relação à Copa do Mundo, desprezou.
E isso apesar de tempo ter-lhe sido oferecido. Afinal, quando a Fifa estabeleceu o sistema de rodízio para garantir a realização da Copa nos continentes africano e sul-americano, a vitória da candidatura brasileira estava assegurada.
Em vez, no entanto, de utilizar o confortável lapso de tempo para elaborar um projeto capaz de garantir uma organização semelhante à dos Jogos Olímpicos de Londres -que em maio estava com nove semanas e meia de adiantamento em relação ao cronograma de trabalho-, os responsáveis pela Copa de 2014 descuidaram dessa obrigação.
A inação gerou o preocupante sentimento de que a organização da Copa do Mundo de 2014 se espelharia na triste herança dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Uma história que está, ainda, a ser investigada pelo Tribunal de Contas da União. E que, pelo desperdício de dinheiro público que a caracterizou, não pode repetir-se.
Por isso, a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados deu à luz a Subcomissão da Copa de 2014. A subcomissão recebeu a singela tarefa de garantir que as despesas do governo sejam pautadas pelos comandos legais que regulam licitações e contratos da administração pública, para assegurar que a utilização do dinheiro do contribuinte ocorra de forma transparente.
Entre a instalação da subcomissão e o momento, ficou evidente que, em virtude de ter sido transferida ao governo federal a responsabilidade de viabilizar a esmagadora maioria das obras do mundial no Brasil, inclusive a construção e a reforma dos estádios, impunha-se promover uma fiscalização preventiva. Crença que não poderia se restringir ao mero discurso de boas intenções.
Assim, para dar-lhe vida, a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle propôs a criação de uma rede de fiscalização inédita. Integrada pelo Tribunal de Contas da União e pelos tribunais de contas dos Estados e das cidades-sede, a rede nasceu não apenas para fiscalizar e controlar os gastos públicos mas também para assegurar à sociedade o direito de conhecer como será gasto o seu dinheiro.
Isso poderá ser feito a partir de dezembro, quando será implantado, na internet, um portal que dará publicidade aos contratos, à execução físico-financeira e aos relatórios dos fiscais dos contratos e dos convênios. Como a cultura da fiscalização e do controle dos gastos públicos causa desagrado aos que são objeto das ações dos entes responsáveis por resguardar as despesas públicas, que engendram subterfúgios para fugir às suas responsabilidades, os integrantes da rede concluíram pela necessidade de submeter os organizadores dos eventos à obrigatoriedade de dar publicidade, por intermédio do portal, a todas as informações, todos os dados e documentos relativos à execução das ações sob sua responsabilidade.
Sob pena, em caso de descumprimento, de interrupção sumária da liberação de recursos. Sejam eles da União ou do BNDES.
Ante a inexistência de um mandato com essa abrangência, apresentei, no dia 21 de outubro, projeto de lei com tal finalidade. O que, naturais e esperadas reações à parte, em nada comprometerá a organização da Copa do Mundo e da Olimpíada.
Mas que, em vigor, evitará que os responsáveis pela preservação dos recursos da sociedade tenham que, uma vez contabilizado o prejuízo, empenhar-se em uma inútil cruzada de sucesso impossível.

SÍLVIO TORRES, deputado federal pelo PSDB-SP, é presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados.

Mais antenada, Fifa espalha Fan Fests no mundo

Folha de São Paulo, domingo, 01 de novembro de 2009

DA REPORTAGEM LOCAL

Mais atenta às inovações tecnológicas do que o COI, a Fifa expandirá as Fan Fests, espaços com telões e infraestrutura semelhante à de estádios, para além das fronteiras da próxima sede da Copa, a África do Sul.
Além das nove sedes sul-africanas, outras seis cidades espalhadas pelo mundo receberão o evento: Rio, Roma, Londres, Paris, Berlim e Sydney.
Em 2006, no Mundial da Alemanha, cerca de 18 milhões de pessoas acompanharam os jogos ao vivo em telões distribuídos por 12 cidades no país. O público presente nas Fan Fests foi seis vezes maior do que o que assistiu às partidas nas arquibancadas dos estádios.
O COI já planeja promover um evento similar na Olimpíada de Londres, em 2012.
"Já teve [transmissão em telas gigantes] em Pequim no corredor olímpico. Mas não funcionou muito bem, não atraiu tanta gente. Foi mais um teste", comenta Félix Alvarez, vice de operações da IMG, empresa de marketing do COI.
"Agora, em Londres, creio que será mais eficiente, e devem ser instalados em vários pontos, como Trafalgar Square, a Ponte de Londres, etc", diz o executivo, enumerando pontos turísticos da capital inglesa.
Sean Jefferson, consultor da WPP, maior grupo de agências de publicidade do mundo, questiona se a transposição do modelo da Fifa pode ser aplicado com sucesso na Olimpíada.
"A vantagem da Copa é que, na Fan Fest, a multidão se reúne nos 90 minutos de um jogo e algumas horas antes para socializar", aponta Jefferson.
"Já os telões olímpicos devem se focar em eventos pontuais e dar flexibilidade para as pessoas entrarem e saírem. Isso pode dar certo para competições como a final do basquete ou dos 100 m, mas e o resto dos eventos? Como serão acompanhados pela multidão?"
Outro ponto que demonstra o quanto a Fifa se adapta melhor às inovações é o fato de que, na Copa de 2010, haverá pela primeira vez a transmissão ao vivo em celulares. Segundo a entidade, os vídeos serão produzidos especificamente para telas pequenas, sem imagens panorâmicas que tornem os jogadores muito pequenos.
Além disso, a Fifa produzirá conteúdo exclusivo para celulares em diversos idiomas de acordo com o cliente. (EO E MB)